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Resenha – adaptação nacional de A Pequena Sereia, o musical da Broadway
em: Cultura

Semana passada foi a grande estreia de A Pequena Sereia, o musical da Broadway em sua versão brasileira (ou seja, o oficial da Disney). Eu e a Bru estávamos lá na primeira fila e agora vamos contar tudo que achamos do espetáculo! [alerta de spoiler]

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A palavra é essa mesmo: espetáculo. Apesar de, anteriormente, ter assistido aos vídeos que já tinham pela internet (sou curiosa e ansiosa, então amo um spoiler), eu fiquei muito impressionada positivamente em todos os sentidos. Concluí que nenhuma foto ou filmagem fazem jus ao que é presenciado ao vivo. Entramos e já damos de cara com o palco de bordas douradas com conchas nos cantos e no centro. Todos os assentos possuem o nome da peça escrito atrás. Uma experiência única!

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A peça começa no fundo mar, uma apresentação ao público do reino de Tritão (Conrado Helt). O rei dos mares está em cima de uma concha gigante inclinada e há muita cor ao seu redor, figurantes encenando a água e outros seres marinhos. A iluminação azul dá o toque final. Logo aparece no centro a nossa amada Ariel (Fabi Bang) abrindo o musical com “Céu Azul”. Os personagens marítimos ondulam o corpo o tempo todo, o que dá a impressão de que realmente estão embaixo d’água. A atriz Fabi Bang faz isso com maestria, seus movimentos são extremamente delicados.

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Em seguida, nos é apresentado o Príncipe Eric (Rodrigo Negrini) e seus marinheiros no navio. Ali conhecemos a personalidade do príncipe, que não quer reinar e prefere ser apenas um marujo, para desgosto de seu tutor Grimsby (Fabio Yoshihara). Ele menciona, também, que se for pra casar, prefere que seja com uma mulher que ame tanto o mar quanto ele. Enquanto isso, Ariel está em uma pedra observando o navio de longe e começa a cantar para brincar com os homens. Eric fica encantado com a voz, mas a tripulação se assusta. Ela está com o seu amigo Linguado (Lucas Cândido) que, na história, é adolescente e tem uma quedinha pela sereia. Juntos, eles conseguem pegar um garfo que caiu do navio e vão até Sabidão (Elton Towersey) para saber o que é aquele objeto. O pássaro fala um português errado e inventa palavras.

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Voltando ao fundo do mar, temos a música “Princesas dos Mares” com as irmãs de Ariel que, no musical, tem bem mais participação do que no filme. Eu amei a relação entre elas, porque quem tem irmã se identifica com as briguinhas e intrigas, e dá boas risadas. Elas são muito engraçadas e se você, assim como eu, já gostava delas, com certeza vai amar ainda mais. Todas tem cabelos coloridos e são lindíssimas. Aquatta (Nay Fernandes) é a líder. Também somos apresentados ao Sebastião de Tiago Abravanel, que tem sotaque nordestino (no filme original, o personagem tem sotaque jamaicano). Depois que Ariel leva a bronca por não ter comparecido ao coral, Tritão lamenta a morte da esposa cantando “Quem Dera”. A melodia da música acompanha vários outros números , é como se fosse o tema da produção. O rei acredita que a rainha tenha morrido pelas mãos de humanos, por isso não confia neles.

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A narrativa segue como no filme, e Ariel aparece em sua gruta cantando “Meu Lugar” (a adaptação da peça para “Parte do Seu Mundo”). Em seguida, somos surpreendidos pela melhor cena do musical. A tempestade se abate sobre o navio de Eric e ele é lançado ao mar – é quando fazem uso, pela primeira vez, dos cabos de suspensão. O palco é invadido por uma luz azul enquanto Eric está no centro se debatendo, tentando voltar a superfície. Nisso, Ariel surge também suspensa, nadando a seu encontro para salva-lo e os dois sobem juntos. O público inteiro faz “Uau”!

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Depois que Eric é resgatado por Grimsby na praia, delirando pela voz que acabou de ouvir cantar e que o salvou, voltamos ao fundo do mar com as filhas de Tritão e Linguado conjecturando sobre a nova paixão de Ariel, cantando em grupo a música “É Amor”. Depois, é a vez de Sebastião especular o romance e tentar por as ideias de Ariel no lugar, com a canção “No Nosso Mar” (a adaptação da peça para “Aqui No Mar”). Como já sabemos, ele não convence a sereia, ainda mais depois de Tritão descobrir tudo e destruir toda a coleção de cacarecos humanos de sua caçula. Ariel canta a sua versão de “Quem Dera”, lamentando por seu pai não a compreender, e é flagrada por Limo (Lucas de Souza) e Lodo (Marcelo Vasquez), as enguias de Úrsula (Andrezza Massei).

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Eles levam Ariel ao esconderijo de sua tia – a essa altura do musical, já sabemos que Úrsula é irmã de Tritão e foi banida por ter cometido crimes para se manter no poder. A bruxa tem o figurino mais bem elaborado de todos e a performance de Andrezza no papel é incrível, nível Broadway gringa mesmo. A composição do cenário com os figurantes deixa tudo realmente bem sombrio. A vilã canta “Escravos da Dor” (a adaptação da peça para “Corações Infelizes”) e consegue persuadir Ariel a aceitar sua proposta em transforma-la em humana em troca de sua voz. Neste momento também descobrimos que Úrsula possui uma concha mágica que retém todo o seu poder e que, uma vez destruída, a bruxa também tem seu fim.

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Mais uma vez é usado o cabo de suspensão que mantem Ariel pendurada no centro do palco, e ali também percebemos o porque do figurinos de sua cauda é feito com várias faixas verdes. Enquanto ela está suspensa, essas faixas se desprendem e a envolvem como se fossem algas, e assim acontece a sua transformação de sereia para humana. É uma cena bem dramática e que encerra o primeiro ato.

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O segundo ato tem início com o solo de Sabidão, “Positívico”, e o público fica ainda mais entusiasmado com todo o seu carisma e humor. Ariel está vestida apenas com algas e, sendo ruiva, me lembrou muito a Poison Ivy e tenta aprender a usar suas pernas propriamente quando Eric a encontra e a leva para o castelo. Os cenários da morada de Eric ficam alternando entre os cômodos a cada cena. Quando eu achava que não tinha como me encantar ainda mais, eles vão lá e provam o contrário. A cada aposento mostrado eu ficava boquiaberta com os caprichos dos detalhes, dá vontade de morar ali!

Apesar de Ariel estar sem sua voz, há várias performances suas que contam o que passa em seus pensamentos, como é o caso de “Além Do Que Eu Sonhei” que ela canta enquanto toma banho de banheira. Depois, somos transportados para a cozinha e apresentados para o Chef Louis (Arízio Magalhães). Ele é o centro de uma das cenas mais fantásticas, cheia de movimento, cor e ação, com a música “Les Poissons” – que faz até referência a “Be Our Guest” de A Bela e a Fera. Como estávamos na primeira fila, perdemos alguns detalhes da apresentação, que envolve a perseguição do Chef Louis a Sebastião. O caranguejo se esconde embaixo da mesa e faz uma grande confusão na sala de jantar com os criados. Essa foi a única parte que foi prejudicada pela proximidade do nosso assento ao palco, de resto foi tudo perfeito!

Outro ponto que me chamou atenção foi a confirmação do quanto Eric é apaixonado pela Ariel, mesmo ela não tendo a voz que ele procura. Quando a sereia pega o garfo de cima da mesa para pentear os cabelos, como Sabidão anteriormente lhe ensinou, Eric acha graça e, para não deixa-la sem graça, também começa a pentear os cabelos com o seu garfo. Detalhes fofos que fazem a diferença! Em seguida, ele a ensina a dançar, explicando que é possível se comunicar apenas com a dança. Ao mesmo tempo, ela tenta conversar com ele através de LIBRAS (Linguagem dos Sinais) e eu achei isso genial.

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Na segunda noite de Ariel como humana, ela é levada a um passeio de barco com Eric. Sebastião, Linguado, Sabidão e outros bichos tentam criar um clima romântico com “Um Beijo Seu” (a adaptação da peça para “Beije a Moça”) e é, sem dúvidas, a melhor performance de Tiago Abravanel! A este ponto, nós já estamos completamente maravilhadas com a simpatia do ator. Infelizmente, o tão estimado beijo não acontece por causa de Limo e Lodo que viram o barco. De volta ao castelo, temos novamente a canção “Quem Dera”, dessa vez interpretada por Ariel, Sebastião, Tritão e Eric, todos juntos no palco, cada um em seu cantinho divagando sobre seus anseios.

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O terceiro dia de Ariel com pernas é marcado por uma espécie de audição inventada por Grimsby. O tutor de Eric dá a ideia de fazer um concurso de música com todas as donzelas do reino, a fim de encontrar a voz misteriosa pela qual Eric se encantou. É quando a ruiva aparece com o seu lindo vestido verde (aliás, todos os vestidos que ela usa – o verde, o rosa e o azul – são muito bonitos!) e faz o príncipe deixar pra lá a tal voz e se entregar ao amor da pequena sereia. Porém, no momento do beijo, Úrsula surge e leva Ariel de volta ao mar. Ao chegar lá, Tritão já a espera e aceita trocar de lugar com a filha que estava prestes a se tornar escrava da bruxa.

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Enquanto a vilã está distraída com a sua nova conquista, a sua concha mágica é levada pelas águas até Ariel. Então, Úrsula deixa escapar que é a verdadeira culpada pelo sumiço da rainha. Isso desperta a raiva na princesa, que mais uma vez é suspensa no centro do palco e destrói a concha, matando Úrsula. Confesso que senti que faltou um pouco mais de emoção exclusivamente nessa cena, que é sucedida por outra um tanto confusa, onde elementos e personagens do mar e terra se encontram. Vale ressaltar que isso não é culpa da montagem brasileira, já que é extremamente fiel a da Broadway dos Estados Unidos e a mesma enfrentou críticas pelo roteiro na época em que esteve em cartaz. Mas não é nada que atrapalhe o nosso sentimento pela peça, pois em seguida acontece o grand finale, quando Tritão aceita conceder pernas a sua filha para deixa-la viver como bem entende, e então ela se casa com o seu amado numa cerimônia reunindo todo elenco. No filme, pai e filha se declaram um para o outro, e no musical isso acontece com os dois cantando, tornando tudo ainda mais comovente.

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E assim se encerra o espetáculo, com um público com lágrimas nos olhos e um elenco que esbanja carisma do início ao fim. Uma dica que tenho para dar é que, indo na última seção do dia, é possível conhecer e tirar fotos com alguns, ou quem sabe, todos os atores no final da peça. Basta aguarda-los na porta do local! Se eu já estava encantada por eles vendo no palco, depois de conhece-los fiquei ainda mais! Passa pro lado pra ver minhas fotos com eles <3

Falando em fotos, o teatro tem um monte de espaços legais pra isso. Além de dois pôsteres na entrada, também tem um aquariozinho que basicamente pede um boomerang, huahua (vide acima). Eu espero voltar em breve por inúmeros motivos. Um deles é que eu quero muito assistir as performances dos covers, especialmente da Ariel (Marisol Marcondes) e do Sebastião (Willian Sancar). Em musicais, cover é o nome que se dá aos “substitutos” quando o elenco original não pode se apresentar. No caso de Sebastião, o ator Willian não chega a ser cover, e sim alternante de Tiago Abravanel. Já Marisol, além de cover da Ariel, é a Adella no elenco original.

Nosso #ArielSquad

Nosso #ArielSquad

Outro motivo para querer retornar é que, em breve, disponibilizarão a venda o programa da peça, que nada mais é que um livro contendo fotos e informações do show e dos bastidores. Uma lembrança que vale muito a pena adquirir! E por último, mas não menos importante, é que a gente sai do local querendo voltar e assistir tudo de novo e de novo! *-*

Sobre a mudança das letras, nós já explicamos nesse post aqui. Acessem e vejam também as mesmas na íntegra e vídeos dos principais números. Confesso que estava preocupada em não aceitar muito bem essas novas versões, mas o conjunto da obra é tão impecável que a gente até esquece das nossas nostalgias. Os figurantes interpretando a água também eram preocupações que logo a gente nota serem bobas, pois na verdade eles trazem um conceito diferente e combinam com todo o espetáculo. O uso dos cabos de suspensão, tão desejados pelos fãs mais exigentes, são usados nos momentos certos, tornando esses momentos ainda mais valiosos e excepcionais.

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MAIS INFORMAÇÕES:

A Pequena Sereia fica em cartaz até o dia 29 de julho. As seções acontecem de quinta e sexta-feira às 21h, sábados às 16h e às 20h e aos domingos às 15h e às 19h.

Duração: 2h30 minutos (com intervalo de 15 minutos)

Vendas:

Como chegar:

O Teatro Santander fica localizado no Shopping JK Iguatemi, na Av. Juscelino Kubitschek, 2041 – Itaim Bibi/SP.





Camila Gomes





13
dez
Versão brasileira de A Pequena Sereia da Broadway vem aí!

Em maio postamos aqui a notícia de que a produtora IMM traria o musical da Broadway A Pequena Sereia para o Brasil em 2018. Desde então, não nos aquietamos até saber de tudo sobre o espetáculo! Uma audição foi aberta em agosto e essa semana foram revelados os nomes que irão compor o elenco principal (os rumores que chegaram até nós acertaram a maioria! rs!). Tendo essa informação, venho aqui contar pra vocês algumas curiosidades sobre os atores e as versões do musical ao redor do mundo 😀

Fabi é uma premiada atriz, cantora e dançarina carioca de 33 anos. Seu papel de mais destaque, até então, é o de Glinda em Wicked. Ela é muito querida no meio musical e possui um fã clube gigante por aqui. Uma curiosidade é que, em 2009, ela foi cover (o termo cover em musicais remete a substituto) da Bela em A Bela e a Fera, que por sua vez era interpretada originalmente por Kiara Sasso, a voz cantada da Ariel na animação da Disney. Mesmo ainda não tendo fotos da Fabi caracterizada como a personagem, já dá pra sentir um gostinho do que podemos esperar com esse vídeo gravado no início desse ano (seria um sinal do que viria no futuro? hehe) de Fabi cantando Parte do Seu Mundo:

O mineiro Rodrigo Negrini será o Príncipe Eric, seu primeiro protagonista num musical. Em seu currículo constam papeis em Aladdin, Os Miseráveis e Wicked. Assim como Fabi, ele também é cantor, ator e dançarino – o que é uma super vantagem, afinal há números de dança entre os dois personagens no espetáculo. Diferente da animação, o Príncipe Eric da Broadway tem bastante participação cantando e dançando.

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Rodrigo tem fama de ser muito simpático, então podemos esperar muitas fotos e sorrisos no stage door kkkkkk (stage door, em tradução livre, significa porta do palco, e é onde os atores encontram os fãs após uma peça). Para ver um pouco do que nos aguarda, assista abaixo um vídeo com Rodrigo e Lucas Cândido (o Linguado) cantando músicas da Disney:

Andrezza Massei, a nossa Úrsula, é uma paulista de 41 anos, atriz e cantora premiada e veterana no mundo dos musicais por seu grande talento. Esteve no elenco de A Bela e a Fera e seu último trabalho foi como Madame Thernadier em Os Miseráveis. Esse ano ela ganhou todos os prêmios que concorreu, ou seja, a mulher é demais! Já o Rei Tritão, que na Broadway é irmão de Úrsula, será interpretado por Conrado Helt, que atualmente está em cartaz com a peça Cantando na Chuva.

Por último, mas não menos importante, teremos Tiago Abravanel como Sebastião – de certo o nome mais conhecido do público geral por ser neto de Silvio Santos e ter feito novelas da Rede Globo. Entretanto, não podemos desmerecer seu enorme talento como cantor, o que já o garantiu o papel principal em grandes produções como o musical Tim Maia. Uma curiosidade engraçada é que ele não é o primeiro integrante da família Abravanel a ser um personagem de A Pequena Sereia, uma vez que sua tia, a apresentadora Patrícia Abravanel, já apareceu em um programa vestida de Ariel. Melhor família! hahaha!

Tiago e Patrícia Abravanel

Tiago e Patrícia Abravanel

SOBRE O MUSICAL

Para quem não sabe, a Disney possui uma produtora de teatro chamada Walt Disney Theatrical, que leva versões de seus clássicos animados para os palcos. Muitos vão parar na Broadway, ganhando enorme destaque e consequentemente vendendo os direitos das produções para outros países que, por sua vez, criam suas versões nacionais dos espetáculos (aqui no Brasil já tivemos O Rei Leão e A Bela e a Fera). Apesar de ser da Disney, nem sempre as histórias seguem fielmente o que vemos nas animações. Em A Pequena Sereia, por exemplo, o final é um tanto diferente (calma que não daremos spoiler – apesar de já ter contado em outro post uahua). Outra divergência é que alguns personagens ficam de fora, como o cachorro Max e Vanessa, a alter-ego de Úrsula, entre outras pequenas diferenças – o que torna a produção da Broadway mais única, digamos assim. A peça foi indicada a diversos prêmios, mas ganhou apenas o de Atriz Revelação pelo Broadway Audience Awards. 

Pôster do musical original da Broadway com Sierra Boggess como Ariel

Pôster do musical original da Broadway com Sierra Boggess como Ariel

Como estamos falando de musicais, muitas músicas dos filmes são aproveitadas, podendo serem estendidas ou encurtadas, e tantas outras novas são incluídas. Na época, foi comercializado um álbum com as músicas gravadas pelo elenco original com fotos do espetáculo no encarte, coisa mais linda!

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AO REDOR DO MUNDO

Nos Estados Unidos, A Pequena Sereia ficou em cartaz por um ano durante 2008, com a estrela Sierra Boggess como Ariel. Ao ir para outros países, a peça pode sofrer algumas alterações no cenário e figurino, além de ser encenado por artistas do próprio país com as músicas traduzidas. Tudo tem que ser passado e aprovado para os diretores da Broadway, ou seja, o padrão de qualidade se mantém. Vale lembrar também que em teatro o elenco é escolhido pelo peso da carreira, não pela idade (claro que existe uma idade limite para certos personagens, mas não é tão a risca como em um filme, por exemplo), e a maquiagem é bem mais pesada por conta da distância entre o público e o palco. A Pequena Sereia já teve versões nas Filipinas (2011), Holanda (2012), Rússia (2012 a 2014), Japão (2013) e Canadá (2014). Vejam abaixo as Arieis de cada região:

Filipinas, Holanda, Rússia, Japão e Canadá

Filipinas, Holanda, Rússia, Japão e Canadá

No caso da versão brasileira, a produtora responsável por trazer o musical conseguiu comprar os direitos totais do musical, o que significa que ele não tem a obrigação de ser uma réplica exata da versão norte-americana. Por outro lado, estamos contado com a diretora e coreógrafa Lynne Kurdziel, que dirigiu montagens da obra em outros países.

Fabi Bang, Lynne e Rodrigo Negrini durante audições

Fabi Bang, Lynne Kurdziel e Rodrigo Negrini durante audições

Fabi Bang durante audições

Fabi Bang durante audições

Para criar o efeito do universo submarino, os atores andavam de patins no palco, o que nas produções mais recentes foi substituído por fio “invisíveis”, em uma técnica de palco semelhante a que utilizam para fazer a personagem Mary Poppins voar em cena. Já na questão figurino, em alguns países a Ariel tem o cabelo todo pra cima para simular o efeito da água mas pra mim fica parecendo mais a Marge SimpsonFica no ar a dúvida de como será feito aqui no Brasil!

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A Pequena Sereia tem previsão para estrear em março no Teatro Santander, em São Paulo. A temporada deve durar 6 meses, já que o local pretende receber outro espetáculo no segundo semestre de 2018. Continuem ligados aqui no Sereismo e em nossas redes sociais (Instagram e Facebook) para mais novidades! Com certeza estaremos presentes na estreia e vai rolar muitas fotos e resenha 😀

ATUALIZAÇÃO: Os ingressos começarão a ser vendidos online pelo site Ingresso Rápido a partir da meia-noite do dia 31 de janeiro. Também será possível adquirir diretamente na bilheteria do Teatro Santander, antecipadamente. A estreia está marcada para o dia 30 de março e a temporada segue até o dia 29 de junho. 





Camila Gomes





31
out
Úrsula, a Bruxa do Mar

Chegou o Dia das Bruxas e nós não poderíamos deixar de falar dela: A Bruxa do Mar.

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Na história original de A Pequena Sereia, a bruxa do mar é uma personagem mais neutra, enquanto no desenho da Disney, a Úrsula foi projetada para ser uma antagonista direta com interesse em dominar o reino de Atlântica. Nos primeiros rascunhos, Úrsula seria uma outra criatura do mar, um peixe-leão ou teria aparência de serpente, mas pela imponência da personagem, os desenhistas optaram por uma cecaelia. Cecaelia é uma criatura mitológica, lê-se Cecília, que significa tronco de mulher e “pernas” de polvo ou lula. Também são chamadas de Octopus Sereia ou Octopus Humana. Embora uma lula tenha 10 tentáculos e um polvo tenha 8, Úrsula tem 6 pelo baixo orçamento da produção e também pela dificuldade em animar 8 tentáculos, mas sendo contado os 2 braços junto aos 6 tentáculos, a Úrsula, então, contém os 8 membros de um polvo.

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O termo cecaelia foi difundido pela personagem Cília, da comic Vampirella, um quadrinho dos anos 70. A personagem Cília não tinha relação direta ao próprio Vampirella e a história começa com Cília resgatando os dois últimos sobreviventes de um naufrágio:

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“Não tenha medo, mortal, eu sou um habitante inofensivo dos mares, uma cilofita, meu povo salvou muitos de vocês que estavam prestes a se afogar”

“Após o naufrágio do cargueiro Davy Jones, apenas o capitão e um marinheiro sobrevivem após serem deixados em uma plataforma, ambos inconsciente. O capitão se recupera primeiro e decide explorar o nevoeiro formado quando encontra uma mulher chorando e lhe oferece ajuda. Assim que o nevoeiro se dissipa, ele fica horrorizado ao perceber que a mulher é um híbrido com um polvo. Ela o acalma explicando que está perdida e que resgatou ambos após o navio afundar. O capitão confia na Cília e ela os ajuda, fornecendo água e comida até eles retornarem para suas casas. A cília no entanto, continua perdida, então o capitão oferece que ela transforme a Inglaterra em seu lar para ficar junto dele. Ela aceita e o capitão quase nunca é visto pelo povoado e quando o encontram, ele está completamente molhado. As especulações no vilarejo sobre a mulher do capitão começam a se espalhar, quando um pequeno grupo de pescadores resolvem sequestrar a Cília. Quando o capitão a encontra amarrada e espancada, já é tarde para reverter as lesões e a Cília morre. O capitão entra em desespero e devolve o corpo da amada ao mar e some junto com ela. Mais tarde, o barco com os pescadores que mataram a Cília foi encontrado com os corpos mutilados, que o vilarejo interpretou como vingança das Cilofitas.”

Nesta história, a Cecaelia não é propriamente a bruxa/vilã, mas o conceito da arte remete a nossa vilã da Disney. A aparência da Úsula também foi inspirada na Drag Queen Divine. Embora a artista tenha falecido em 1988, Pat Caroll, a dubladora oficial, diz ter se inspirado em toda a teatralidade e o lado cômico que a personagem nos traz. Já a inspiração para a sua capacidade de enganar vem dos vigaristas vendedores de carro usado. Por aqui no Brasil, nossa Zezé Motta não deixou de nos passar a mesma sensação.

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Queen Divine – Só acho que alguma drag de RuPaul deve ser a escolhida para Úrsula caso haja um live action!

Parentescos

Nos extras do DVD Diamante de 2013 da Pequena Sereia, é revelado que a ideia inicial da Disney era de que Úrsula fosse irmã do Rei Tritão, sendo portanto tia de Ariel. Essa ideia foi descartada no desenho, mas aproveitada no musical da Broadway de 2009, conforme revelado na música “I Want the Good Times Back”.

No musical, Tritão e Úrsula estão no leito de seu pai que está falecendo e ele deixa para o filho o tridente, e para Úrsula, a concha que ela usa como pingente, para que juntos pudessem governar o mar. Úrsula, com sua sede de poder, se revolta com o presente deixado por seu pai e se vira contra o irmão. Em algumas versões da história, Úrsula é uma sereia e, por sua ganância, acaba se transformando em um ser horrível. Outra diferença do musical para a animação é que quem acaba com Úrsula é Ariel, quando ela destrói sua concha mágica (que eu considero um final melhor do que ser atropelada por um navio naufragado).

Falando em Broadway, vale lembrar que em março teremos a adaptação do espetáculo no Brasil e vocês podem acompanhar as novidades nesse post aqui.

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Para enterrar de vez a teoria de que Úrsula e Tritão seriam irmãos, a Disney resolveu lançar uma continuação da animação em 2000. Em A Pequena Sereia 2, a vilã principal é a cecaelia Morgana que promete vingar a morte da irmã mais velha; e a protagonista é Melody, a filha humana de 12 anos de Ariel e Eric que sonha em ser sereia.

Apesar de ser irmã de Úrsula, eu acho Morgana mais semelhante a Malévola, a vilã de A Bela Adormecida, por conta de sua pele esverdeada e por ter invadido um batizado para lançar uma maldição. Além disso, sua aparência esguia a faz parecer mais com uma lula.

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Durante o filme, Morgana revela que Úrsula sempre foi a favorita da sua mãe e seu objetivo é superar os feitos da irmã. Por essa perspectiva, podemos concluir que a mãe de Morgana e Úrsula é quem foi expulsa de Atlântica e incentivou suas filhas a retomarem o poder do fundo do mar. Úrsula acabou se destacando, mas é como se fosse uma “família de bruxas do mar”.

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Aparições

No telefilme da Disney Channel Descendentes 2, a voz de Úrsula é feita pela atriz Whoopi Goldberg e, infelizmente, somente os seus tentáculos aparecem, mas somos introduzidos à sua filha Uma, que já falamos sobre um pouco mais nesse post aqui. A Uma também é uma cecaelia e se transforma ao final do filme. Ao contrário da protagonista que é filha de Malévola, Uma não se tornou boazinha e promete retorno.

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A Úrsula também é a principal antagonista na série de TV dos anos 90 A Pequena Sereia. Os episódios em que ela aparece são “Contra a Maré”, “Siri Melhor Quem Siri Primeiro”, “Heróis” e “Os Tesouros de Ariel”. Eu lembro vagamente que no seriado fica implícito que a Úrsula tentou replicar o tridente de tritão, e por esse motivo foi banida de Atlântica. Esse é um dos mistérios que cercam a história da bruxa até hoje, ninguém sabe ao certo o porque ela foi banida. Ano passado foi lançado o livro sobre Úrsula da série de vilões da Disney da escritora Serena Valentino (tem resenha aqui), mas a pergunta continua sem resposta.

Outras aparições no Disney Channel incluem Point do Mickey, A Casa dos Vilões e o seriado Hércules (se formos considerar a mitologia grega, faz sentido essa aparição, né!).

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Já na série da ABC Once Upon a Time, Úrsula aparece em três diferentes formas. A primeira acontece no sexto episódio da terceira temporada, quando Regina se disfarça de bruxa do mar para tentar ludibriar Ariel com a finalidade de destruir Snow. Dentro dessa narrativa, Úrsula é apenas um mito, uma deusa do mar. Para conseguir o que quer, Regina fingiu ser Úrsula dando as tão sonhadas pernas para Ariel para fazer com que ela a entregasse Snow. Como Ariel decide não trair a confiança da amiga, ela se torna novamente uma sereia e sem a sua voz, fazendo com que ela não conseguisse se encontrar com Eric.

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A atriz intérprete de Regina, Lana Parilla, confessou ser muito fã de Úrsula e pediu para a produção que pudesse ser, por um episódio, a bruxa do mar. No fim do mesmo, descobrimos que a verdadeira Úrsula existe, e ela aparece ameaçando Regina por ter se passado por ela. Depois disso, a personagem ressurge apenas a partir do décimo episódio da quarta temporada, e é quando tem maior destaque.

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No episódio quinze, intitulado Poor Unfortunate Souls (título da música tema da vilã na animação da Disney), conhecemos uma jovem Úrsula sereia que se torna incapaz de cantar depois que seu pai, Poseidon, descobre que ela se envolveu com humanos. O castigo a revolta, fazendo com que ela se torne uma grande vilã se transformando numa cecaelia. Anos depois, com a ajuda da protagonista Emma, ela consegue sua voz de volta e faz as pazes com seu povo. As referências a história de Ariel são infinitas!

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Além de todas essas versões, Queen Latiffah já se caracterizou como a musa das trevas aquáticas para a série fotográfica de Annie Leibovitz.

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E para quem, assim como eu é #teamUrsula, já escolheu sua versão favorita da personagem?

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Por Camila Piccini