3
jul
Fotógrafos brasileiros que oferecem ensaios de sereia

Com a ~onda das sereias~ em alta, o desejo de muita gente virou só um: tirar fotos babadeiras com cauda! Muitos fotógrafos, então, sentiram essa necessidade e começaram a atender esses pedidos, investindo em caudas e acessórios para realizar ensaios temáticos. Alguns foram além, criando até mesmo projetos fotográficos exclusivos para sereias. Ou seja, o negócio tá pra peixe mesmo! E se você tá querendo uns closes sereísticos, vem aqui que a gente te mostra uma lista de profissionais pelo Brasil que oferecem esse tipo de serviço com cauda e tudo 😀

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  • Ulysses Padilha – Rio de Janeiro

Ulysses é o idealizador do Projeto Sereias. Inspirado pelo gringo Project Mermaids, o fotógrafo oferece ensaios temáticos na praia para quem quer virar sereia ou tritão. Esse ano ele assinou uma parceria com Eric Ducharme, o Mertailor, que agora oferece caudas de tecido para o projeto. Ulysses atende adultos e crianças na cidade do Rio de Janeiro, mas já estendeu uma turnê pelo nordeste. Ele também realiza fotos subaquáticas, mas em mar aberto só é possível dependendo da situação climática.

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  • Roberta Guido – Rio de Janeiro

Roberta já apareceu por aqui no blog algumas vezes. Eu, Camila, já posei para as suas lentes e ela também é responsável por fotos maravilhosas da sereia profissional Mirella Ferraz. Suas fotos são trabalhadas em fine art e ela atende crianças, adultos e também faz ensaios subaquáticos. Apesar de ser do Rio de Janeiro, a Rô vive fazendo tours pelo Sul e Sudeste. Para saber se ela planeja ir para a sua região, fique de olho em suas redes sociais!

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  • Fernanda Messas – Mato Grosso do Sul

Fernanda iniciou, no ano passado, o projeto Retratos de Sereias e, com ele, viaja pelo Brasil atendendo crianças, adultos e até bebês. Também tive a oportunidade de conhece-la pessoalmente e tirar fotos com ela quando ela esteve em São Paulo (relembre o post aqui). Recomendo!

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  • Alice Marinho – Minas Gerais

Alice é uma blogueira mineira que, unindo sua paixão por fotografia e cosplay, atende pessoas da região de Belo Horizonte que querem virar personagens mágicos, emprestando ou confeccionando suas fantasias – e isso inclui caudas também, tanto para crianças como para adultos.

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  • Andriolli Costa – Rio Grande do Sul

Andriolli atende em Porto Alegre e região, oferecendo caudas de paetê de tamanhos que vão do 36 ao 40. Também realiza fotos subaquáticas em baixa profundidade.

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  • Narayan Cauac – Santa Catarina

Narayan possui o projeto Sereias Floripa, atendendo a galera de Florianópolis que queira se transformar em sereia ou tritão. O cliente pode escolher entre três caudas que vão dos tamanhos 34 ao 42, e ele também oferece fotos subaquáticas.

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  • Adriana Duarte – Rio de Janeiro

Adriana possui um projeto chamado Encanto de Sereia, por enquanto atendendo apenas adultos no Rio de Janeiro. A profissional conta com 6 caudas em variadas cores para suas clientes que queiram se transformar em sereias em ensaios.

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  • Osmarina Cerqueira – Rio de Janeiro

Osmarina é uma fotógrafa do Rio de Janeiro que, junto com a maquiadora Thaís Moreira, oferece ensaios temáticos de sereia com caracterização completa.

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  • Bianca Garmatter – Paraná

Bianca é a fotógrafa por trás do IMG Foto e Video, e atende as sereias e tritões de Paranaguá e Curitiba. Além de oferecer caudas adultas e infantis, seu trabalho também conta com ensaios subaquáticos.

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  • Daniel Machado – Bahia

Daniel é um fotógrafo baiano de Ilhéus, criador do projeto de fotografia Sereismo em Ilhéus. Apesar do nome levar nossa marca, o projeto não tem ligação com o blog. O profissional oferece ensaios temáticos de sereia para adultos, contando com caracterização completa, cauda e acessórios.

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  • Vaneska Kelly – Pernambuco

Vaneska atua na região de Recife e é responsável pela empresa de fotografia You Click Photographic e também do projeto SereiMar, que realiza o sonho de pessoas que querem se tornar sereias ou tritões.

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Você, fotógrafo que possui caudas e oferece ensaios temáticos, quer aparecer nessa lista também? Nos mande um e-mail sereismo@gmail.com com o assunto Fotógrafo de Sereia com informações sobre o seu projeto (se tiver), suas caudas e local, redes sociais e se faz ou não fotos subaquáticas. Atualizaremos essa lista para que mais pessoas possam realizar o sonho de virarem sereias e/ou tritões por um dia <3





Camila Gomes





26
jun
As Ninfas da Mitologia Greco-Romana
em: Cultura

Uma das mais famosas mitologias é a greco-romana, conhecida por seus deuses luxuriosos, seus heróis épicos e por seus mitos que recontam a origem Terra. Além dos deuses e semideuses, existem outras figuras da mitologia que são amplamente difundidas, como é o caso das sereias, mas hoje eu vou falar das Ninfas. As ninfas são espíritos femininos ligados a um aspecto específico da natureza e muitas compõem a genealogia dos deuses. Embora não fossem imortais, possuíam a vida muito longa e não envelheciam. Desta maneira, também eram cultuadas e temidas pelos mortais.

Por Paul François

Por Paul François

Como espíritos da natureza, existiam grupo de ninfas das colinas, campos cultivados, cavernas, flores, bosques e diversas outros, incluindo as ninfas das águas. As ninfas que representam as águas são:

  • Oceânides: das águas do oceano;
  • Nereidas: das águas dos mares;
  • iades: das águas das fontes.

Na mitologia grega, essas três figuras representavam a juventude eterna e protegiam quem se banhasse nas suas águas, além de conceder fertilidade quem bebesse das suas fontes.

AS OCEÂNIDES

Na mitologia greco-romana, as ninfas Oceânides são filhas do titã Oceano com a titânide Tétis. Eles eram irmãos e deuses primitivos da mitologia grega. Enquanto Oceano personificava os oceanos, Tétis era a deusa dos aquíferos subterrâneos, ela quem deu origem a todas as fontes, nascentes e rios presentes no mundo. Suas filhas oceânides são coroadas com flores e acompanham o seu cortejo. Tétis se locomovia em uma concha de marfim.

Poseidon, Oceano e Tétis

Poseidon, Oceano e Tétis

As Oceânides são as ninfas do fundo de águas inacessíveis. Embora descritas pelo poeta Hesiodo como responsáveis por alguns fenômenos marítimos, elas também tinham algumas características individuais como Métis, que representava a astúcia. Os poetas mencionam que Tétis e Oceano geraram 3 mil Oceânides. Algumas dessas ninfas das profundezas marítimas se destacaram e estão na genealogia de nomes famosos da mitologia grega:

  • Métis: Conhecida como a mais célebre das oceânides, foi a primeira esposa de Zeus. Ao saber que ela estava destinada a gerar um filho poderoso e uma filha astuta, Zeus engoliu Métis viva. A ninfa já estava grávida e posteriormente, da cabeça de Zeus, nasceu a deusa Atena já adulta e armada para guerra.
  • Eurínome: Teve com Zeus três filhas, conhecida como as três graças. As três graças foram uma grande inspiração da arte renascentista. Elas fazem parte do cortejo da deusa Afrodite.
  • Clímene: Com o titã Jápeto, gerou a segunda geração de titãs Epimeteu (marido de Pandora), Prometeu (roubou o fogo dos deuses), Atlas (sustenta os céus nos ombros) e Menoécio.
  • Dóris: Dóris é a oceânide que dá continuidade a próxima categoria de ninfas: as Nereidas. Ela se casou com Nereu, “o idoso do mar”, e tiveram 50 filhas (Nereidas) e um único filho homem, Nérites. Nérites foi o primeiro amor de Afrodite antes dela subir ao monte Olimpo. Ela chegou a convidá-lo para ir com ela, mas ele recusou, despertando a fúria da deusa que o transformou em um molusco do mar. Juntos, Dóris, Nereu e as Nereidas compartilhavam as águas do mar Egeu.
  • Dione: Existem duas versões da história da Dione, que identificam o surgimento de Afrodite. Em uma delas, Dione é a deusa das ninfas e Zeus se apaixona por ela. Desta relação nasceu a deusa Afrodite, deusa do amor e da beleza. Quando Dione é retratada apenas como oceânide, o surgimento de Afrodite é atribuído a castração de Urano. Cronos teria cortado as genitais de seu pai e atirado ao mar. Essa ação teria fecundado Tálassa, personificação do mar, e dessa espuma originou-se Afrodite. Como as duas histórias são amplamente aceitas, os gregos solucionaram o caso oficializando as duas Afrodites. A Afrodite Urânia, que representa o amor celestial, divino e de corpo e alma. A Afrodite Pandemos é a filha de Zeus e Dione, representa o amor físico e desejos lascivos. O nascimento da Afrodite Urânia, correspondente romana de Vênus, é retratado em um dos quadros mais icônicos: O Nascimento de Vênus.
As três graças em detalhe no quadro Primavera de Botticelli

As três graças em detalhe no quadro Primavera de Botticelli

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Talassa, personificação do mar

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Nascimento de Vênus por Botticelli

AS NEREIDAS

As Nereidas eram belas ninfas do mar, conhecidas por serem gentis, ajudarem os marinheiros e por conquistar o coração dos homens. Filhas de Nereu, um deus marinho. Elas se locomoviam em golfinhos ou em cavalos marinhos e trazem a mão um tridente, uma coroa ou pedaço de coral. Existem representação de Nereidas como sereias. A única história envolvendo Nereidas na qual elas acabam prejudicando alguém é o sacrifício de Andrômeda. A mãe de Andrômeda se gabou de ter uma filha mais bela que as Nereidas. Inconformadas com a arrogância da mortal, as Nereidas pediram a Poseidon que tomasse uma providência. O deus exigiu que o rei da Etiópia, pai de Andrômeda, sacrificasse a filha a um monstro marinho. O rei acorrentou a filha em um rochedo, para o monstro do marinho Ceto, mas a jovem foi salva por Perseu, com quem se casou.

nereidas_por_gustavodore

Por Gustavo Doré

As três Nereidas mais famosas são: Galatéia, Tétis e Anfitrite.

Galatéia muitas vezes é confundida com a musa de Pigmalião, o escultor que se apaixonou pela sua estátua e pediu a Afrodite que de desse vida a sua criação. Mas a história da Nereida também é bem famosa. Galatéia se apaixonou pelo belo Ácis, filho do deus Pã com uma ninfa. Mas sua beleza também encantou o ciclope Polifemo, filho de Poseidon. Uma tarde, o ciclope encontrou o casal repousando pelo mar e perseguiu Ácis até conseguir esmagá-lo com uma pedra. Galatéia reviveu seu amado convertendo-o em um rio de águas claras e se atirou ao mar indo viver nas ondas. Galatéia costumava andar em uma carruagem de concha puxada por golfinhos e foi assim retratada em um afresco.

Triunfo de Galateia por Rafael Sanzio

Triunfo de Galatéia por Rafael Sanzio

Tétis era a mais bela das Nereidas. Na nossa língua é confundida com a sua avó Titanite, mas a escrita grega é diferente. Ela foi criada por Hera e a deusa tinha grande gratidão pela Nereida ter recolhido e cuidado do seu filho Hefesto, que foi atirado ao mar por ter nascido deficiente. Os encantos de Tétis, chamaram a atenção de Zeus e Poseidon. Tétis era muito fiel a deusa Hera, e nunca cedeu às investidas de Zeus. Uma profecia dizia que Tétis teria um filho ainda maior que seu pai. Assim, Zeus apressou-se em casar Tétis com um mortal para evitar que a Nereida desse a luz a alguém mais poderoso que os deuses. Da união de Tétis e Peleu, nasceu o herói da guerra de Tróia, Aquiles. Quando Aquiles nasceu, Tétis o mergulhou no rio Estige com a intenção de sumir com seu lado mortal. Deixou vulnerável apenas o calcanhar pelo qual o segurava, e assim surgiu a expressão calcanhar de Aquiles. Foi também no casamento de Tétis que se inicia o mito da guerra de Tróia. Éris, a deusa da discórdia, não foi convidada para o casamento da Nereida e jogou “o pomo da mais bela” na festa. As três deusas mais poderosas, Atena, Afrodite e Hera disputaram o título e para julgar, os deuses escolheram o jovem Páris, que escolheu Afrodite em troca do amor de Helena.

Tétis e Aquiles por Peter Paul

Tétis e Aquiles por Peter Paul

Já Anfitrite é a esposa de Poseidon. A princípio, recusou as investidas do deus dos mares, pois ele havia sido rude com ela. Ela se escondeu durante um ano em uma caverna e apenas a sua mãe, Dóris, sabia o seu paradeiro. Zeus procurou a oceânide para descobrir o paradeiro de Anfitrite, pois o irmão estava desolado. Anfitrite acabou se casando com Poseidon e é conhecida como a soberana dos oceanos. Foi também desta relação que surgiu o deus marinho Tritão. Atribui-se a Tritão a representação masculina de uma sereia. Ele era muito fiel aos interesses de seu pai. Na cultura popular, ele é ninguém menos que o pai de Ariel. Anfitrite, assim como Hera, sofria as mais variadas traições, mas ao contrário da deusa, ela não se importava.

Anfitrite e Poseidon por Jacob Gheynll

Anfitrite e Poseidon por Jacob Gheynll

anfitrite_por_huguestaraval

Triunfo de Anfitrite por Hugues Taraval

AS NÁIADES

Por fim, temos as ninfas das fontes chamadas de Náiades. Elas possuíam o dom da cura, profecia e deixavam os humanos beberem de suas águas, mas jamais poderiam se banhar. Os infratores eram penalizados com amnésia, doenças e até mesmo a morte. Também possuíam certos poderes sobre as águas. Há divergência da genealogia das Náiades, mas na Ilíada de Homero atribui como genitor Zeus. Há poetas que atribuem a origem das Náiades ao Oceano. As Náiades também são associadas às sereias por possuírem uma bela voz.

Há cinco tipos de Náiades:

  • Crineias: Habitam as fontes;
  • Limnátides (ou limneidas):  Habitam os lagos;
  • Pegeias: Habitam as nascentes;
  • Potâmides: Habitam os rios;
  • Eleionomae: Habitam os pântanos.
Por John William

Por John William

As Náiades dos rios, Potâmites, atraíram o herói Hylas para as águas durante a expedição dos argonautas. Hércules (Héracles) foi atrás de Hylas e o navio partiu sem ele. Entre as ninfas dos lagos, destacou-se Salmácis, que se apaixonou pelo Hermafrodito, filho de Hermes e Afrodite, enquanto ele se banhava em suas águas. Salmacis o agarrou e pediu aos deuses para que nunca mais se separassem. Atendendo o pedido da Náiade, os deuses uniram a ninfa ao rapaz, transformando Hermafrodito em um ser andrógino, homem e mulher.

A mitologia grega é por muitas vezes confusas e uma coisa acaba levando a outra. Eu tentei focar nas ninfas para mostrar como as protetoras das águas estão nos bastidores, e muitas vezes, no centro de grandes mitos.

Por Camila Piccini










25
jan
Zé Peixe, o Tritão Sergipano

Quem é  Sereia levanta a mão! Bate o cabelo, balança a cauda, sacode as conchinhas… E quem é Tritão? Se mostra também, porque não?!

Em novembro de 2016 mostramos aqui no Sereismo que existem diversos tritões espalhados pelo Oceano do Brasil e do Mundo, todos belíssimos com as suas caudas incríveis, estilos de vida e personalidade única.

tritao sereismo naturaltati

O homem também tem todo o direito de declarar o seu amor ao mar e revelar a sua Alma de Tritão para o mundo. Porque ser feliz é a melhor maneira de encarar os desafios da vida. Graças a Poseidon, a força de nosso cardume só aumenta, e a cada dia que passa, podemos expor livremente a nossas caudas ao Sol por todo o litoral do continente.

E vocês sabiam que no Brasil também existiu um incrível Tritão que amava o Mar? Seu nome era José Martins Ribeiro Nunes, nascido no Sergipe no dia 05 de Janeiro de 1927. Ele era um Tritão com pernas, nas horas em que não estava na água…

Cresceu em uma casa as margens do Rio Sergipe na cidade de Aracaju. Com a ajuda dos seus pais, aprendeu a nadar ainda criança e aos onze anos já era um exímio nadador. José adorava se aventurar nas águas – uma de suas travessuras favoritas era atravessar o rio a nado para comer caju das árvores localizadas na margem oposta. Enquanto os seus colegas iam se divertir na praia do Atalaia e usavam barcos para chegar até o destino, o menino já despertava a sua alma de Tritão e optava chegar até a praia nadando.

jose martins ribiero nunes Zé Peixe sereismo natural tati

A sua casa estava localizada bem próximo a Capitania dos Portos. Em um dia radiante, um comandante de uma das embarcações notou a incrível destreza do pequeno José Martins nas águas e, impressionado ao conhece-lo, o apelidou de Zé Peixe. E este apelido maravilhoso pegou!

Zé era o terceiro filho no total de seis crianças. E entre os seus irmãos também tinha uma Sereia, a Rita (uma coincidência incrível, pois é o mesmo nome da personagem sereia de Isis Valverde na novela A Força do Querer). A Sereia Rita também ganhou o “sobrenome” Peixe, afinal ela sempre acompanhava o irmão em suas aventuras aquáticas no Rio, mesmo durante a noite. Mas seus pais não achavam que este era um comportamento adequado para uma menina…

Como castigo, Ritinha tinha suas roupas de banho escondidas, mas isto não  adiantava  muita coisa. A Sereia e o Irmão Tritão nadavam com o uniforme da escola e, quando chegavam em casa, arrumavam um jeito de deixar as roupas secarem escondidas em algum lugar no quintal dos fundos. Coisas de crianças livres que interagiam com a natureza de forma plena!

Zé Peixe, além de nadar, adorava ir à praia e ficar observando o fluxo dos barcos da região. Gostava de desenhar navios e tinha um imenso prazer em informar aos Capitães que chegavam no Porto sobre a mudança nos bancos de areia do Rio Sergipe.

Os anos se passaram e o Tritão continuou vivendo em sua região. Completou o Segundo Grau e, ao completar vinte anos, passou a trabalhar para a Marinha através de um concurso, exercendo uma função conhecida como Prático do Estado na Capitania dos Portos de Sergipe. Na atuação, o Prático (ou Praticagem) é o profissional responsável por orientar os navegantes que precisam desembarcar mercadorias em Portos do Litoral.

Para auxiliar o Capitão, o Prático indica o melhor caminho para que o navio chegue em seu destino. E para isso, o profissional precisa estar sempre atualizado sobre informações geográficas e climáticas do local. Além disso, o Prático também deve se preocupar com a segurança dos tripulantes, embarcações, patrimônio público e também proteger o meio ambiente marinho local – atitude que as Sereias e Tritões conhecem bem!

Por conhecer detalhadamente a região onde estava localizada a Capitania dos Portos, logo Zé Peixe se destacou em seu ofício. O Tritão conhecia detalhes como profundidade, correnteza, mudança de ventos e todas  as suas características gerais. O seu mágico conhecimento contribuiu de forma exemplar para a movimentação na Barra do Sergipe, que era conhecido como uma das “piores” entradas portuárias do país.

Zé Peixe atuava como excelente guia, mas algo mágico o diferenciava dos demais profissionais. Ele exercia o seu ofício sempre a nado!

Quando um Capitão precisava de seu auxílio para sair do porto e chegar até a entrada do Oceano, Zé subia no navio, mostrava o melhor caminho a ser navegado e, quando chegava no Mar em uma altura em que o navio pudesse seguir o seu rumo, o incrível Zé Peixe amarrava os seus documentos na bermuda e em um ato de coragem admirável, saltava nas águas do parapeito do navio em uma altura de 17 metros (o equivalente a um prédio de 5 andares) e nadava 10km durante 2 horas até a praia.

Ze peixe tritao Sereismo naturaltati

Quando chegava na areia, retomava a sua forma humana  e percorria a pé mais 10km até a sede da Capitania. Existiam situações que, sabendo que alguma embarcação estava com dificuldade de chegar até a entrada do canal devido a fortes ventos ou mudanças de marés, Zé nadava utilizando como auxílio uma prancha de body boarder até uma boia que ficava localizada a 12km da praia. Lá ele subia na boia e aguardava sentado o navio aparecer no horizonte. Por vezes a espera atravessava a noite ou até mesmo durante um dia inteiro de mau tempo.

Imagine ficar sentado na superfície da água, com a maré agitada, céu acinzentado ou na escuridão da noite sozinho acompanhado pelo som das águas… Só um Ser do Mar consegue esta façanha!

Houve uma situação em que o Tritão quase foi impedido de pular. Um Comandante Russo que não sabia de seu modo diferente de exercer o seu ofício, acreditava que aquela atitude era um momento de loucura.

ze peixe pulando do navio sereismo natural tati

Zé Peixe realizou diversas façanhas que lhe renderam importantes homenagens e condecorações. Aos 25 anos, Zé estava orientando a embarcação a vela Iole Potiguar para fora da Barra. O barco virou e arremessou os três velejadores no mar revolto. O Tritão conseguiu levar os três tripulantes a salvo para a praia, e neste feito teve a ajuda da irmã Sereia Rita. Por este ato, Zé recebeu uma medalha em ouro de Honra ao Mérito do Rio Grande do Norte.

Em outra ocasião, um navio da Petrobras que saía de uma plataforma pegou fogo. Zé, então, adentrou na embarcação em chamas e orientou o navegante a conduzir o veículo até um ponto seguro, onde todos a bordo pudessem saltar no mar e nadar em segurança até a praia.

Zé Peixe recebeu a Medalha Almirante Tamandaré em homenagem aos anos de dedicação e fortalecimento das tradições da marinha do Brasil. Recebeu também a Medalha de Ordem ao Mérito de Serigy, a mais alta condecoração do município de Aracaju. Além disso, foi eleito o cidadão Sergipano do séc. XX e possui estátuas em sua homenagem em pontos diferentes da sua cidade natal.

Ele também conduziu a tocha dos Jogos Pan Americanos de 2007 em um cortejo de barco pelo Rio Sergipe, saiu em diversas reportagens em telejornais, jornais e revistas nacionais e internacionais.

Estatua Ze peixe sereismo naturaltati

Zé Peixe atuou como Prático até avançada idade e, em 2009, aos 82 anos, solicitou o seu afastamento da Marinha em definitivo.

Ze Peixe barco mar serismo natural tati

Com o tempo, passou a sofrer os sintomas do Mal de Alzheimer e teve de se afastar do mar. Faleceu aos 85 anos no dia 26 de abril de 2012, vítima de insuficiência respiratória. Se estivesse vivo, Zé Peixe teria completado 90 anos este mês.

ze peixe escamas mar sereismo naturaltati

Para finalizar, além de todas as suas incríveis e admiráveis façanhas, o Zé Peixe tinha um estilo de vida bem diferente:

  • Na parte da manhã tomava café e comia pães, e ao longo dia só se alimentava com frutas;
  • É incrível, mas ele não bebia água!
  • Não se banhava com “água doce” desde a infância, só tomava banho de água salgada pois ele só vivia no mar;
  • Apesar destes hábitos, gostava de manter os cabelos e barba sempre bem cortados;
  • Não fumava e nem consumia bebida alcoólica;
  • Dormia às 20h da noite e acordava sempre às 6h da manhã;
  • Andava descalço todo o tempo e só calçava os sapatos quando ia para a Missa;
  • Zé Peixe era o único que tinha autorização para circular sem farda nas dependências da Marinha;
  • Sua locomoção em terra era feita somente a pé ou com a sua bicicleta;
  • Morou por toda a sua vida na mesma casa simples, na margem do rio Sergipe;
  • Em sua casa guardava diversas miniaturas de embarcações, e pelas paredes colecionava diversos desenhos de navios de todos os tipos, em sua maioria desenhados pelo próprio Tritão.

Espero que tenham gostado desta história e que, de alguma forma, ela te inspire a viver perto do mar. E que todos nós, em algum momento de nossas vidas, tenhamos a chance de interagir de forma saudável, segura e plena com o universo marinho.

Fiquem com este vídeo onde é  possível ver um pouco de como era o Incrível Tritão Sergipano…

Até Breve <3

Por Tati Bello

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