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nov
A Pequena Sereia de Hans Christian Andersen

Hoje a animação clássica da Disney “A Pequena Sereia” completa 27 anos e estamos aqui para enaltecer o que originou tudo isso: o conto de mesmo título do escritor dinamarquês Hans Christian Andersen.

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Andersen nasceu no dia 2 de abril de 1805 na cidade de Odense, na Dinamarca. Apesar de ter vindo de uma família humilde, seu pai nunca deixou de valorizar seus estudos e criatividade. Foi na adolescência que ele começou a se focar na literatura e chegou a escrever diversos romances adultos, mas foram os contos de fadas que o levaram a fama. Entre os títulos estão “O Patinho Feio”, “A Rainha da Neve” (que inspirou Frozen da Disney), “A Polegarzinha” e “A Princesa e a Ervilha”. Segundo estudiosos, Andersen buscava sempre passar padrões de comportamento que deveriam ser adotados pela nova sociedade que se organizava, inclusive apontando os confrontos entre “poderosos” e “desprotegidos”, “fortes” e “fracos”, “exploradores” e “explorados”. Ele também pretendia demonstrar a ideia de que todos os homens deveriam ter direitos iguais. O poeta morreu aos 70 anos e seu corpo se encontra enterrado em Copenhague, capital de seu país.

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Em homenagem a seu nascimento e importância literária, o dia 2 de abril foi instituído como o Dia Internacional do Livro Infantil. Além disso, o mais importante prêmio literário da literatura infanto-juvenil, considerado o pequeno Nobel da literatura, leva o seu nome: Prêmio Hans Christian Andersen, concedido a cada dois anos pela International Board on Books for Young People, filiada à UNESCO.

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Aos 32 anos Andersen publicou “A Pequena Sereia”, em 7 de abril de 1837. Alguns acreditam que a história da sereia é autobiográfica, e mostra uma desilusão amorosa que o autor sofreu em vida. A teoria esbarra na contradição de que Andersen seria homossexual. O fato da sereia ter uma paixão proibida por um humano, tendo que se adequar as condições da sociedade humana, seria uma analogia ao amor de Andersen por outro homem. Isso ganha ainda mais sentido ao vermos o quanto a figura da sereia é significativa à pessoas trans, que se identificam com elas por serem trans-espécies.

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Ilustração por Darcy May

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Ilustração por Christian Birmingham

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Ilustração por John Patience

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Ilustração por Edmund Dulac

No DVD Diamante de “A Pequena Sereia” da Disney há um bônus em que a produção do filme conta sobre a relação de Andersen com um de seus contos mais famosos e um pouco sobre a sua vida. É de emocionar (eu choro real)! Assista abaixo:

Em Copenhague existe uma estátua de bronze da Pequena Sereia, em homenagem ao escritor. O monumento é um dos mais importantes da cidade, mas infelizmente já sofreu muitos atos de vandalismo, tendo que ser refeita diversas vezes. Há quem diga que ela tenha relação com a sereia de Varsóvia, na qual já contamos nesse post aqui. No filme da Disney, há uma cena em que Ariel aparece exatamente como a escultura:

Comparação: a Pequena Sereia da Disney e a estatua da mesma que fica na Dinamarca, país de origem do autor do conto

Para quem nunca leu o conto original, trago uma versão um tanto resumida, retirada do meu livro de contos de Hans Christian Andersen (a foto do mesmo está abaixo do terceiro parágrafo deste post, junto da minha réplica da estátua da Pequena Sereia):

Lá bem no fundo do oceano há um extraordinário palácio. Suas paredes são feitas de coral, o teto é decorado com lindas conchas e peixes brilhantes entram e saem pelas janelas abertas. O palácio pertenceu ao rei do mar, que viveu lá com as suas seis filhas. As princesas eram todas muito bonitas, com cabelos longos e ondulados e caudas cintilantes. Mas a mais jovem era a mais bonita de todas. Seus olhos eram mais azuis do que o próprio oceano e sua pele era mais branca do que pérolas. A voz da jovem princesa era a que mais se destacava das outras. Quando ela cantava, era como se mil sinos de prata ecoassem pelo oceano.

As princesas tinham uma vida feliz e livre. As criaturas do mar eram seus amigos. Durante todo o dia, eles brincavam de esconde-esconde entre os corais. Elas pegavam carona em cascos de tartarugas, dançavam com polvos e riam com os peixes-palhaços.

O que elas mais gostavam, acima de tudo, era ouvir histórias sobre o mundo além das ondas. As princesas ouviam, fascinadas, a avó contar histórias de sereias que não tinham caudas, peixes voadores que podiam cantar e estrelas-do-mar que brilhavam no céu noturno. As netas nunca tinham visto humanos ou estrelas, então era assim que a avó descrevia para que elas pudessem entender.

As princesas mal podiam esperar para conhecer tudo isso. “Quando vocês completarem 15 anos, vocês verão”, a avó prometeu. “Isso parece uma eternidade”, suspirou a mais jovem, que era a que mais iria esperar. Enquanto suas irmãs brincavam, de vez em quando ela passeava pelo jardim do palácio, sonhando com o mundo acima. Ela cheirava as flores e tentava imaginar qual era o cheiro das flores terrestres. As outras princesas fizeram canteiros de flores no formato de criaturas marinhas, mas a sua era redonda como o sol. No centro havia uma estátua de mármore de um rapaz humano que ela encontrou no solo oceânico. Ela costumava sentar ali e ficar olhando fixamente para ele por horas.

Eventualmente o aniversário de 15 anos da princesa mais velha chegou. “Não se preocupem”, ela disse às suas irmãs enquanto se despedia. “Eu voltarei logo e contarei tudo a vocês”. As princesas esperaram impacientemente pelo seu retorno. Em certo momento, elas ouviram um barulho lá fora, mas era apenas uma tartaruga. Quando finalmente ela chegou, todas se reuniram a sua volta. “O que você viu?”, elas perguntaram aflitas. “Eu me deitei em uma praia sob a lua, e vi luzes piscando na cidade”, ela disse sonhadoramente. “Os sinos da igreja soaram atravessando a baía, muito mais claro e vivo do que o som abafado do oceano”. A pequena sereia fechou os olhos e tentou imaginar o soar dos sinos. Ela desejou ouvi-los por si mesma.

Passou um ano até que a segunda sereia mais velha visitasse o mundo acima. Ela emergiu quando o sol estava se pondo, a tempo de presenciar um bando de cisnes voando pelo céu alaranjado. “Eu nunca vi criaturas tão majestosas”, ela contou às suas irmãs. “Elas eram tão fortes e ao mesmo tempo tão graciosas”.

A terceira irmã fazia aniversário no inverno, e quando ela chegou a superfície ela teve que romper o gelo. Icebergs se erguiam por todos os lados, brilhando como diamantes quando a luz do sol batia neles.

A quarta irmã era a mais corajosa, então quando sua vez chegou, ela decidiu explorar mais o interior. Ela nadou até um rio entre montanhas verdes até alcançar um lindo lago onde crianças estavam se divertindo. Num primeiro momento, ela achou que as crianças fossem sereias também. Mas então ela percebeu que elas não tinham caudas e se deu conta de que eram seres humanos. Ela nadou até eles, mas uma enorme e cabeluda criatura correu até ela, fazendo um barulho terrível. Era apenas um cachorro, mas a princesa nunca tinha visto ou ouvido um antes, então ela se virou e fugiu. Suas irmãs ouviram seu relato com temor. O mundo acima do oceano parecia ser um lugar maravilhoso e aterrorizante.

Depois de ouvirem sobre essa aventura, a quinta irmã não quis se prolongar. Ela saiu do oceano aberto, onde viu baleias espirrando água e golfinhos saltando no ar. “Tenho certeza de que isso é tão lindo quanto a terra, e muito mais seguro”, ela declarou quando retornou. Suas irmãs assentiram. Agora que elas viram o mundo por si mesmas, elas estavam satisfeitas em ficar em seu lar no reino marítimo. Mas a princesa mais jovem ainda estava desesperada para explorar o mundo acima. Toda noite, ela encarava a água azul escura pela janela e tentava imaginar a lua brilhando no céu estrelado.

Enfim, a vez da pequena sereia chegou. Ela se levantou através da água como uma bolha, cada vez mais alto. Estourando na superfície, ela respirou fundo. O ar fresco e salgado fez a sua língua formigar. Enquanto olhava ao seu redor, ela engasgou. Bem acima dela havia um enorme navio com mastros altos. Cordas de lanternas balançavam e mergulhavam na água, enquanto uma música animada ecoava pela brisa.

A pequena sereia se debateu ansiosa pelas ondas, tentando ver o que estava acontecendo. Em cima do convés, havia pessoas dançando. Damas em vestidos de seda de gala rodopiavam, acompanhadas de cavalheiros com chapéus e coletes. Então uma trompeta soou e um atraente jovem humano apareceu. Todo mundo se virou para ele. Os homens se curvaram e as mulheres fizeram reverência. O jovem rapaz era um príncipe e estava fazendo aniversário.

A Pequena Sereia estava tão encantada que não notou quando o tempo começou a mudar. Ondas foram se formando e gaivotas estavam voando ao redor dos mastros, dando um aviso. Mas ninguém ouviu. Então o céu escureceu e grandes gotas de chuva começaram a cair. O vento atingiu o navio e os tripulantes correram para se abrigar, mas o príncipe ficou para ajudar. Marinheiros correram para lá e para cá, desfraldando as velas do navio, que estavam batendo no vento como pássaros assustados.

O mar cresceu selvagem e bravo. Ondas bateram no convés e atirou o navio lado a lado. Raios e trovões rasgaram o céu. Com uma enorme rachadura, o mastro se dividiu em dois e caiu no convés. O navio tombou em um gemido fúnebre.

A Pequena Sereia viu o príncipe mergulhar no mar. Por um momento, o coração dela saltou pensando que ele poderia estar com ela. Mas então ela lembrou que sua avó uma vez disse que humanos não conseguiam respirar debaixo d’água. Rapidamente, ela nadou até o príncipe entre os cascos do navio, mas antes que ela pudesse alcançá-lo, ele afundou no meio das ondas. Batendo sua cauda, ela mergulhou até ele. Ela o agarrou bem forte e nadou até a superfície.

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Os olhos do príncipe estavam fechados mas ele ainda respirava. De perto, ele parecia com a estátua de seu jardim, e a Pequena Sereia se apaixonou por ele. Ela o segurou em seus braços por uma noite inteira. Cuidadosamente, ela manteve sua cabeça acima da água e deixou que as ondas os carregassem.

Quando os primeiros raios de sol começaram a surgir, ela estava exausta. Mas pelo menos o mar estava calmo. As ondas os levaram para uma enseada alinhada a palmeiras. A Pequena Sereia deitou o príncipe na areia quente. Puxando seu cabelo molhado dos olhos, ela o beijou suavemente na testa.

Logo em seguida, um barulho a perturbou. Voltando ao mar, ela se escondeu atrás de uma pedra. Uma jovem garota humana apareceu e correu até o príncipe. Ele abriu os olhos e sorriu para ela agradecendo, sem saber que uma sereia tinha sido sua verdadeira salvadora. A garota sorriu de volta para ele e apertou sua mão.

A Pequena Sereia não suportou assistir aquela cena. Com o olhar triste, ela se virou e mergulhou nas ondas.

Suas irmãs estavam esperando por ela no palácio, ansiosas para saber o que ela tinha visto, mas ela se negou a contar qualquer coisa.

As semanas foram se passando e ela se tornando cada vez mais melancólica. Seus cabelos estavam emaranhados e seu olhar havia perdido o brilho. Todos os dias, ela sentava perto da estátua no jardim e pensava no príncipe, enquanto o jardim que ela cuidava com tanto amor se tornava um sertão.

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Um dia, sua avó se aproximou. “O que há de errado, minha querida?”, ela perguntou gentilmente. “Você estava tão animada para ver o mundo e desde que voltou tem estado desesperadamente triste”. A Pequena Sereia suspirou e contou à ela sobre o príncipe. “Existe alguma maneira que eu possa viver na terra e estar perto dele?”, ela perguntou. “Não é impossível…”, sua avó começou. Então ela parou e balançou a cabeça. “Você deve esquecer isso”, ela disse. “As coisas são diferentes aqui. Sua amável cauda pode parecer feia para ele. Os humanos acham que você deve ter pernas para ser bonita. Você não seria feliz”.

Mas a Pequena Sereia não conseguia esquecer. Ela já havia escutado sua avó contar sobre uma bruxa do mar, e então ela decidiu buscar ajuda. A Pequena Sereia tinha certeza que a bruxa do mar tinha muito conhecimento, afinal ela vivia em um manguezal que ficava entre a terra e o mar.

Era um longo caminho pela frente e a Pequena Sereia não sabia ao certo como chegar lá, então ela pediu que um peixe-piloto a guiasse. No caminho, ela passou pelo navio naufragado do príncipe, e a Pequena Sereia avistou o esqueleto do capitão. Seus dedos ainda estavam no leme. Ela estremeceu e nadou mais rápido.

O peixe a levou até um redemoinho que ameaçou sugá-los para o fundo onde estranhas chaminés cuspiam fumaças de água negra, e onde peixes tinham luzes para que pudessem ver um ao outro no escuro.

Enfim eles chegaram no manguezal da bruxa do mar. O peixe-piloto esperou na beira, deixando a Pequena Sereia entrar sozinha. Enquanto passou pelo labirinto de raízes emaranhadas, olhos arregalados apareceram no meio da lama e uma estranha medusa flutuou. Uma enguia deslizou e se enrolou nela. “Venha por aqui”, ela chiou. A enguia a guiou para dentro da caverna da bruxa. Respirando fundo, a Pequena Sereia entrou.

“Eu sei o que você quer”, disse a bruxa do mar. Seus olhos verdes pareciam encarar diretamente o coração da Pequena Sereia. “Eu posso preparar uma poção que vai te permitir andar em terra, mas vai doer mais do que você imagina”.

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“Eu não tenho medo”, disse a Pequena Sereia, apesar de sua voz estar estremecida. “Você deveria estar”, disse a bruxa. “Uma vez que seu pé tocar a terra, não há volta. Você nunca mais poderá retornar ao reino de seu pai viva. Se o príncipe se apaixonar por você, você ganhará uma alma humana e viver feliz em terra. Mas se ele escolher casar com outra, você morrerá antes do sol se pôr no dia do casamento dele”.

A Pequena Sereia ficou pálida, mas ela pensou em seu príncipe e assentiu. “Eu farei isso”, ela disse. “Muito bem”, disse a bruxa do mar. Ela jogou uma mão cheia de dentes de tubarão em seu caldeirão, adicionou gotas de sangue azul de uma lula e borrifou o ar de um baiacu. Então, ela mexeu todos os ingredientes, entoando um cântico. Quando a poção ficou pronta, ela a colocou em uma garrafa.

A Pequena Sereia se aproximou para pegar, mas a bruxa se afastou. “Você ainda não me pagou”, ela rosnou. “Eu não tenho dinheiro”, disse a princesa. “Então me dê o que você tem de maior valor. Sua voz”.

“Mas como eu irei falar com o príncipe?”, gaguejou a Pequena Sereia. “Isso não é problema meu”, a bruxa rebateu. “Você quer a poção ou não?”. A Pequena Sereia hesitou. “Sim”, ela sussurrou. Foi a última palavra que ela disse, antes da bruxa cortar a sua língua.

Ela pegou a garrafa e correu para o peixe-piloto. Em silêncio, eles nadaram até a superfície e até a costa, onde o castelo do príncipe empoleirava-se no alto da montanha. A Pequena Sereia escalou as pedras e contemplou o castelo. Então ela olhou tristemente para o mar. Ela soprou um beijo para a família e tomou a poção.

Ela sentiu uma dor lancinante, como se uma espada estivesse golpeando sua cauda, e quando ela olhou para baixo a cauda não estava mais lá. No lugar estava um par de pernas frágeis, que acabavam com dois pés bonitos e brancos. Cuidadosamente, a Pequena Sereia tentou levantar, mas a dor era agonizante. Suas pernas falharam e ela caiu no chão. “Deixe-me ajudá-la”, disse uma voz confortante. Ela olhou para cima e se deparou com o príncipe a oferecendo a mão. Agradecida, ela pegou a mão dele, e juntos escalaram a escada de pedras que levava ao castelo. Cada passo que ela dava era como se estivesse andando sobre facas, mas a Pequena Sereia suportou firmemente.

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“Da onde você é?”, o príncipe perguntou, curioso, já que ela estava vestida somente com trapos de algas. Ela tentou responder usando gestos e o olhar, mas o príncipe não entendeu. Depois de entrar no castelo e descansar, os servos do príncipe a vestiram com um robe azul de seda bordado. “Você é linda”, disse o príncipe quando viu a Pequena Sereia, e ela corou.

Os dois logo se tornaram amigos. O príncipe a achou uma pessoa fácil de conversar, e alguém que ele poderia confiar seus segredos. Claro, ela nunca disse uma palavra de volta, mas seus olhos azuis eram cheios de compreensão. Um dia, quando estavam caminhando pelo jardim do castelo, o príncipe parecia distraído. “Meu pai quer que eu me case”, ele explicou. “Ele escolheu uma noiva e nosso casamento é amanhã”. Uma lágrima correu pelas bochechas da Pequena Sereia. O príncipe a enxugou. “Não chore por mim com esses seus olhos sábios”, ele disse. “Eu tenho certeza que não serei forçado a casar com alguém que não amo”. Ele mal fazia ideia de que a Pequena Sereia, na verdade, estava chorando pela própria vida.

Naquela noite, debaixo da lua cheia fúnebre, o príncipe contou histórias sobre naufrágios e sereias, e a Pequena Sereia ouvia tristemente. De repente, ele se virou para ela. Ele levantou o rosto dela em direção ao seu e a encarou afetuosamente. “Eu não sei porque, mas sempre que eu olho para você, me lembro de alguém”, ele disse. “Eu fui jogado do mar para a areia e ela me salvou. Só a vi uma vez, mas ela roubou meu coração”. A Pequena Sereia chorou silenciosamente por dentro, afinal ela não conseguia contar a ele a verdade, que havia sido ela a sua salvadora.

De manhã, as preparações para o casamento do príncipe começaram. Bandeiras foram expostas nos parapeitos, candelabros foram limpados até brilharem e o chão de mármore foi polido até reluzir. Enquanto na cozinha um grande banquete estava sendo preparado. Pela tarde, o castelo estava pronto para o casamento real.

Quando os convidados começaram a chegar, a banda iniciou uma melodia. “Vamos dançar”, disse o príncipe, e levou a Pequena Sereia pelos braços. Enquanto eles dançavam pelo salão, todos ficaram encantados pelos movimentos graciosos dela. A Pequena Sereia dançou como se sua vida dependesse daquilo. Seus pés frágeis estavam cortados em tiras, mas apesar da dor, ela desejava que aquela dança durasse para sempre.

De repente, a música parou. Um burburinho se entoou no salão e a noiva do príncipe chegou no salão. O príncipe encarou com espanto. “É ela”, ele gaguejou, reconhecendo que sua noiva era a garota que o encontrou na praia. A partir daquele momento, o príncipe não tinha olhos para mais ninguém. Ele não percebeu quando a Pequena Sereia saiu rastejando ou a trilha de pegadas que dava ao mar.

Na costa, a Pequena Sereia estava molhando seus pés. Estava pinicando terrivelmente, mas ela sentiu algo estranhamente reconfortante. Ela pegou uma concha e colocou próximo ao ouvido. Por um momento, ela achou ter ouvido suas irmãs a chamarem. Assim que o sol começou a se por, os sinos da igreja iniciaram a celebração do casamento do príncipe. O som era ainda mais alto do que a Pequena Sereia tinha imaginado. De repente, ela viu suas irmãs emergindo. Seus cabelos estavam curtos e não ondulavam ao vento. Elas explicaram que deram as madeixas a bruxa em troca de uma solução para o destino cruel da Pequena Sereia. “A bruxa nos deu um punhal. Antes do nascer do sol, você deve cravá-lo no coração do príncipe. Só assim você poderá voltar a viver conosco”. A Pequena Sereia não aceitou o trato e, por provar seu amor puro e verdadeiro, ao invés de dissolver em espuma do mar, ela virou uma filha do ar.

Como podem ver, a narrativa não descreve a aparência da protagonista e nem revela seu nome. Por isso, há muitas releituras da personagem e a mais famosa, obviamente, é a da Disney, sendo ruiva e chamada de Ariel. Ela foi a ponte para eu conhecer a extraordinária trajetória de seu verdadeiro criador. O valor sentimental que a Pequena Sereia tem para mim é enorme e eu espero que, com esse post, eu tenha feito vocês se apaixonarem ainda mais também <3

Arte conceitual da Ariel da Disney, antes dos desenhistas chegarem ao resultado que conhecemos

Arte conceitual da Ariel da Disney, antes dos desenhistas chegarem ao resultado que conhecemos

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ATUALIZAÇÃO: O maravilhoso Tritão Ph fez um vídeo contando a história original de A Pequena Sereia com ilustrações próprias, e usou como inspirações para desenhar as irmãs da Pequena Sereia eu, Mirella Ferraz, Patrícia Gauterio, Jéssica Latchuk e Jessica Cruz. Muito amor! Pra fechar com chave de ouro, ele é o pai das sereias e a dona Izilda, mãe da Mirella, é a vovó. Assistam que tá bem completinho:





Camila Gomes





31
ago
Resenha de livro – Princesa das Águas por Paula Pimenta
em: Cultura

Princesa das Águas é um livro da autora brasileira Paula Pimenta totalmente inspirado no clássico da Disney “A Pequena Sereia”. Ele foi lançado em julho pela Editora Galera e faz parte da coleção de princesas da Paula, que já conta com os títulos Cinderela Pop e Princesa Adormecida. Os três são releituras modernas dos contos que já conhecemos e, apesar de não serem continuações um do outro, os personagens fazem ligações entre si.

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Antes de começar a resenha, dá o play abaixo porque é essa a música que vai ficar na cabeça de vocês enquanto estiver lendo Princesa das Águas! 😉

Arielle Botrel é uma brasileira nadadora profissional de 16 anos conhecida como “princesa das águas”, apelido herdado de seu pai que, no auge de sua carreira como nadador, era conhecido como “rei das águas”. Sua mãe, uma cantora chamada Selena Shell, morreu ao dar a luz a Arielle. Ela é a caçula da família e suas outras 5 irmãs seguiram os passos da mãe no meio musical, formando a banda Mermaid Sisters. Devido a um trauma de infância, Arielle é a única que não consegue cantar – ou pelo menos é isso que ela diz.

Durante um torneio na Suíça, Arielle desobedece seu treinador Sebastião Silva e acaba conhecendo da pior forma o tenista Erico Eggenberg em uma festa. Por um descuido, o atleta cai na piscina e é salvo por Arielle, que canta para ele para o manter acordado. Com medo de que a recriminem, ela foge assim que a ambulância chega. Ao despertar, o atleta se recorda vagamente da menina com voz de sereia que o salvou, e faz de tudo para reencontra-la, mas é em vão. Enquanto isso, Arielle é aconselhada a esconder seu segredo para manter o foco nas Olimpíadas.

Meses depois, por causa da ideia da blogueira Belinha, os organizadores das Olimpíadas resolvem criar uma gincana antes do grande evento, a fim de fazer com que o público conheça melhor os atletas. A ideia é mostra-los participando de reality shows. Por intermédio de Sula, uma esportista de nado sincronizado cheia de segundas intenções, Arielle e Erico se reencontram na atração “Linguagem do Amor”, onde ela deve tentar conquista-lo apenas com gestos, sem falar.

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O livro é um romance adolescente escrito em primeira pessoa sob o ponto de vista da protagonista. Apesar das milhares de referências deixarem os acontecimentos previsíveis, ele não deixa de ser interessante para os fãs mais fervorosos da Pequena Sereia da Disney. Nele, “Parte do seu Mundo” vira “The Sweet Escape”, da Gwen Stefani, pois é a música que Arielle canta para o Erico. A autora consegue prender o leitor e fazer com que a gente torça para os mocinhos e mergulhe em uma história super fofa, digna de uma novelinha! Já até imaginei os atores para os papeis principais: Cacá Ottoni como Arielle e Guilherme Leicam como Erico <3

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Onde comprar?





Camila Gomes





19
ago
Resenha de livro – Série Teardrop por Lauren Kate
em: Cultura

A série Teardrop é composta por dois livros e um e-book da autora Lauren Kate: Lágrima, Dilúvio e Last Day of Love, sendo os dois primeiros lançados pela Editora Galera em 2013 e 2014, respectivamente. O e-book é apenas um conto digital de 60 páginas que antecede os acontecimentos dos outros livros e não foi lançado no Brasil. A série não fala sobre sereias, mas parte dela é ambientada em Atlântida. Há uns dias perguntei em nossas redes sociais o que vocês achavam sobre uma resenha sobre a série e, como a maioria se interessou, estou aqui para falar dela :)

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A história do primeiro livro, Lágrima, gira em torno de Eureka, uma adolescente problemática que perde sua mãe em um acidente. Depois de receber uma herança curiosa – um livro cheio de códigos, uma pedra misteriosa e um colar – a garota vai em busca de respostas e descobre muito mais sobre seu passado do que gostaria. Ela ainda conta com a ajuda de Ander, um jovem enigmático e apaixonado.

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Já no segundo livro, Dilúvio, muitos dos mistérios são resolvidos, e Eureka se vê em um novo mundo ao lado de alguns entes queridos. Porém, eles tem de enfrentar muitos problemas, sacrifícios e perdas causados pelas lágrimas de Eureka , mas só ela pode salvar todos da destruição.

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Ambas as obras são escritas em terceira pessoa e contam com muita ação. Tanta ação que o leitor pode até se perder, especialmente devido aos detalhes que são narrados de forma confusa. A personagem principal passa por episódios extremamente tristes, entretanto não consegue emocionar quem está lendo. Na verdade, na maior parte da leitura eu fiquei bem entediada e achei algumas passagens muito exageradas e surreais.

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E vocês? Já leram? Conta pra gente o que achou da série :)





Camila Gomes