26
fev
Resenha de livro – Antologia Por Baixo D’Água
em: Cultura

Semana passada foi o lançamento oficial da antologia Por Baixo D’Água da Editora Rouxinol. Esperei ansiosa por essa obra, afinal acompanhei de perto todo o processo, uma vez que duas grandes amigas fazem parte da lista de autores: a sereia profissional Mirella Ferraz e a nossa colaboradora do blog, Camila Piccini. Contamos nesse post aqui um pouco sobre a tarde de autógrafos e agora trago a resenha do mesmo :)

porbaixodagua_capa

Por Baixo D’Água é um projeto criado por Daniela Garcia Bezerra, que teve a ideia de publicar uma antologia de contos sobre seres mitológicos aquáticos depois de avistar estátuas de Netuno e Iemanjá numa praia e sentir uma forte conexão com a água. Juntamente com Gustavo Rosseb, autor da trilogia As Aventuras de Tibor Lobato, eles convidaram Mirella Ferraz, autora de O Segredo das Águas e Quando as Sereias Choram, para fazer parte do time e organizaram a obra selecionando os autores que enviavam seus contos pela internet.

porbaixodagua_contracapa

Eu gostei muito dessa iniciativa da Editora Rouxinol de publicar antologias, pois é uma grande oportunidade para pessoas que sonham em ser escritores. Sempre que uma é lançada, eles promovem uma tarde de autógrafos em alguma livraria, e isso se torna um enorme incentivo. Para vocês terem ideia, Por Baixo D’Água esgotou no mesmo dia do lançamento e eu, por sorte, consegui o último exemplar. A diagramação também é muito bem elaborada – as páginas com os títulos dos contos vêm com um efeito “turvo”, como se você tivesse lendo algo submerso mesmo. Muito legal e criativo!

porbaixodagua02

porbaixodagua01

Ao todo são 29 contos que, em sua maioria, narram histórias com sereias, krakens, protagonistas apaixonados pela água ou divindades já conhecidas, como Yemanjá, Iara e o boto. Alguns também trazem mensagens de cunho ambiental, como por exemplo o Povos de Terra e Mar (Daniela Garbez). Por serem curtinhos, muitos deixam mistérios no ar e a conclusão fica a critério da interpretação do leitor. Entre os meus preferidos estão Os Tesouros Vêm do Mar (Mirella Ferraz), Minha História (Camila Piccini), De Volta ao Lar (Melissa Borges), Minha Pele (Meg Mendes), A Vila dos Botos (Rodrigo Ortiz Vinholo), Consciência Aquática (Diogo Toledo), A Dança das Águas (Marina Miranda), Sereias e Sirenas (Fernanda Filgueiras) e Pedro e o Mar (Marcílio Albuquerque).

Onde comprar?

No site da Editora Rouxinol ou no site da Livraria Martins Fontes.





Camila Gomes





15
fev
Lançamento e tarde de autógrafos da antologia Por Baixo D’Água
em: Cultura

A editora Rouxinol irá lançar sua mais nova antologia, Por Baixo D’água, organizada pelos escritores Daniela Garcia Bezerra e Gustavo Rosseb. O livro inclui 30 contos de variados autores, todos sobre criaturas místicas marinhas. Gostamos pouco, né?! E pra tornar tudo ainda mais especial, há duas autoras que merecem nosso destaque: Mirella Ferraz e Camila Piccini, colaboradora aqui do blog!

porbaixodagua_antologia

A Mi já é veterana na área, tendo publicado dois livros e dois contos (esse é o terceiro!). Dessa vez, sua narrativa envolve a lenda escocesa das ceasg, as sereias com cauda de salmão que realizam desejos, e se chama Os Tesouros Vem do Mar. A sereia profissional foi a única autora convidada a participar da antologia, por isso, seu conto é um tantinho maior que os outros.

porbaixodagua_ostesourosvemdomar_mirellaferraz

Já a Camila é estreante, e em grande estilo! Seu conto, intitulado Minha História, é sobre a Melusina (já falamos sobre essa lenda nesse post aqui), e tem como pano de fundo Avalon, o reino do lendário Rei Arthur. Quem leu e gostou do clássico literário As Brumas de Avalon, com certeza vai se identificar (aliás, fica a dica: a série foi relançada recentemente em edição única!).

porbaixodagua_minhahistoria_camilapiccini

O lançamento ocorre oficialmente no dia 17, sábado, na Livraria Martins Fontes da Av. Paulista, 509, em São Paulo. A tarde de autógrafos tem início a partir das 15h e, obviamente, contará com a presença dessas duas lindas e talentosas sereias! Eu e a Bru também estaremos lá prestigiando e tietando muito *-* Confiram mais detalhes no evento oficial do Facebook! Para quem mora longe, já pode comprar o livro clicando aqui. E podem esperar pela resenha em breve 😉





Camila Gomes





20
nov
Kianda, a sereia angolana

Desde 2003 foi instituído no Brasil que o dia 20 de novembro seria celebrado o Dia da Consciência Negra. No calendário escolar, o mês de novembro inteiro é voltado para atividades que celebram a cultura negra. Como eu  sempre gosto de falar um pouco de mitologia, resolvi trazer um pouco das sereias cultuadas em algum país africano: a Kianda, a sereia Angolana.

kianda01

Os angolanos acreditam muito em sereias. Para eles, em todo rio, lago, poço ou até reservatório d’água possui uma Kianda. Desta forma, a Kianda seria também a própria encarnação do meio aquático. No entanto, é no mar que se encontra a rainha das Kiandas, a mais poderosa delas a qual o povo leva suas oferendas, a Kianda do mar.

kianda02

A lenda que envolve a Kianda narra que ela vivia nos rochedos do Forte de São Miguel, perto de Luanda. A Kianda que vivia na praia estava sozinha quando encontrou um homem que estava triste e desiludido com a vida. Com pena, a sereia angolana concedeu ao pescador o seu tesouro secreto e o homem enriqueceu da noite pro dia. No entanto, ele se tornou ganancioso, mesquinho e avarento, além de só usar o dinheiro para o próprio interesse. Como o acompanhava de longe, a Kianda ficou entristecida com a situação e resolveu dar uma lição no homem, deixando-o com menos ainda do que ele tinha antes de encontrá-la. Ela também prometeu jamais ajudar outro homem, e usava seu canto para atrair os que se aproximavam de suas águas sagradas e aprisioná-los no fundo do mar. A Kianda não se alegra com a ganância dos homens e há angolanos que garantem que ela já aprisionou vilarejos inteiros em suas águas.

fortedesaomiguel

Forte de São Miguel

Por essa lenda, os pescadores acreditam que a sereia pode trazer tanto o bem quanto o mal, podendo representar perigo e medo, mas também inspirar o amor. A Kianda também fomenta o imaginário popular nas artes locais. Uma das mais conhecidas é a pintura de Adamario Costa Lima “A felicidade de Kianda” e a estátua de uma sereia no porto de Lobito.

afelicidadedekianda_adamariocostalima

A Felicidade de Kianda

sereia_lobito

Porto de Lobito

Em 1997, um escritor angolano também venceu o prêmio Camões com uma narrativa sobre Kiandas. No romance de Pepetela, os prédios de uma cidade estão desmoronando, deixando a cidade perplexa, pois ninguém se machucava nesses desmoronamentos. Os cientistas, então, descobrem que a água dos cimentos foi retirada, rompendo a estrutura dos prédios. Apesar de saber o motivo, ninguém entende como isso foi acontecer. Então, uma jovem chamada Cassandra escuta vozes vinda do poço e a Kianda se revela como a responsável pela destruição dos prédios, e explica que fez isso porque a cidade foi construída em cima da lagoa que ela habitava e ela deseja recuperar seu bem. O livro se chama “O desejo de Kianda”.

odesejodekianda_pepetela

Por Camila Piccini