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jul
Resenha de livro – A Sereia e o Monge por Sue Monk Kidd
em: Cultura

“A Sereia e o Monge” é um livro de romance/ficção publicado em 2005 da autora Sue Monk Kidd. A obra conta a história de Jessie Sullivan, uma mulher de 40 anos que vive uma vida normal e acomodada de esposa e mãe, até que se apaixona por um monge.

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Tudo começa quando Nelle, a mãe de Jessie, corta propositalmente o seu dedo indicador fora. Então, Jessie volta à sua cidade natal, uma pequena ilha na qual ela evitou desde sua formatura na faculdade por causa da tristeza que lhe causava ao lembrar a morte de seu pai, que ocorreu no local quando Jessie tinha apenas 9 anos. O plano era ficar apenas alguns dias para cuidar de sua mãe, mas ao conhecer o monge Irmão Tomás e se deparar com mistérios que acercam o a atitude de Nelle e o falecimento de seu pai, Jessie decide mudar a sua vida pacata por completo e descobrir mais sobre si mesma.

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Ok, e onde tem sereia nessa história? Na verdade, o livro não fala sobre sereias, mas o enredo gira em torno de uma. Quer dizer, várias. A ilha na qual Jessie nasceu tem como “padroeira” a Santa Senara, que assim como a Santa Murgen, foi uma sereia antes de ser santificada. Na abadia em que Irmão Tomás mora existe uma cadeira dessa santa, em que a população e turistas acreditam ter poderes milagrosos. Ou seja, os cidadãos da pequena cidade – e também quem passa por ela – acabam ficando bem de perto com lendas de sereias e suas figuras.

Além dessas referências (tem muitas outras, as sereias fazem parte da vida de todos os personagens, mas não posso me prolongar senão vira spoiler, rs), a protagonista Jessie acaba se identificando como uma sereia também, mais precisamente a própria Santa Senara. Segundo a lenda, que se difunde um pouco com a dos selkies, a sereia deixava sua cauda escondida para virar humana e ajudar os necessitados. Até que um monge se apaixona por ela e esconde a sua cauda, obrigando-a a ser humana para sempre e viver ao seu lado.

Ou seja, se você quer ler livros sobre sereias em si, procure outro, hehe (temos resenhas de vários aqui!). Independentemente, a leitura é interessante porque aborda o tema sereia – muitas vezes visto como infantil – ao mesmo tempo em que estamos falando sobre o amor entre pessoas com mais de 40 anos, e a busca insaciável pelo eu interior. Pois é, apesar de ter encontrado o livro numa prateleira de livros para crianças (que feio, hein, Saraiva!), é um dos mais maduros que já li.

Minha pequena representação de "A Sereia e o Monge" kkkk

Minha pequena representação de “A Sereia e o Monge” kkkk

E já que mencionamos santas sereias, uma curiosidade: apesar das histórias serem semelhantes e até mesmo originárias do mesmo local, a Santa Murgen e a Santa Senara não tem nada a ver uma com a outra. Enquanto a primeira realmente já foi considerada santa nos Anais Irlandeses, mas posteriormente renegada, a segunda é apenas uma lenda mesmo. A tal cadeira citada em “A Sereia e o Monge” existe de verdade, mas não fica nos Estados Unidos, e sim em Cornwall, na Inglaterra. E se você ficou curioso para ler mais sobre a Santa Murgen, indico fortemente o livro “Quando as Sereias Choram”, de Mirella Ferraz (já resenhamos aqui).

Cadeira da Santa Senara em Cornwall – Pela foto e descrição, não é nada parecida com a do livro de Sue Monk Kidd.

Cadeira da Santa Senara em Cornwall – Pela foto e descrição, não é nada parecida com a do livro de Sue Monk Kidd.

Falando em descrições… Apesar da autora de “A Sereia e o Monge” ser premiada e estar de parabéns pela sua extensa pesquisa para concluir sua obra (ela demorou quatro anos para escrever o livro!), achei que sua narrativa pecou. Demorou alguns capítulos para eu me prender, mas valeu a pena ter dado uma chance. Em se tratando de detalhamentos também deixou a desejar. E olha que sou uma pessoa que detesta aqueles tipos de livros que usam uma página inteira para descrever uma janela, por exemplo. Mas achei que faltaram detalhes sobre os personagens, detalhes que ajudam na imaginação, sabe? Para a minha alegria (e para quem já leu e sentiu o mesmo), existe um filme baseado na obra que nos ajuda nesse quesito!

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O longa leva o mesmo nome do livro (que, aliás, em inglês é “The Mermaid Chair”) e foi lançado em 2006 apenas para TV (já passou no Corujão da Globo!). A atriz Kim Basinger é quem dá vida à Jessie. Assista ao trailer abaixo:

Como se trata de um telefilme, é óbvio que não é aqueeeela produção nível Hollywood, né?! Para ser sincera, até estraga um pouco o livro, kkkk. A dica é ler primeiro para depois assistir (ou, então, nem assistir!). Sem contar que algumas coisas se diferem da obra original, mas nada que mude o percurso da história. Há algumas cenas com sereias e é isso que chama atenção. Só acho que tinham que ter caprichado um pouco mais no final!

Ficou curioso? No YouTube tem o filme na íntegra, mas em inglês e sem legenda.

Onde comprar o livro:

>> Saraiva





Camila Gomes





13
abr
Cine Parque apresenta o filme “Mônica e a Sereia do Rio”
em: Cultura

A Cinemateca Brasileira, em São Paulo, iniciou um novo projeto chamado Cine Parque, no qual a proposta é ocupar o espaço público do local para que a população possa aproveitar um dia no parque. Entre as atrações estão piquenique, feira de adoção de animais e atividades para crianças. O encerramento vai contar com uma transmissão de uma animação clássica brasileira: “Mônica e a Sereia do Rio”. Tem como ser mais perfeito?

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Essa é a primeira edição do Cine Parque e não poderia começar melhor, né?! Escolha de filme perfeita! Imagina, passar uma tarde ao ar livre e, no final, ainda assistir a um filme de sereias do Maurício de Sousa. Imperdível!

Pra quem não conhece, “Mônica e a Sereia do Rio” é um filme musical de 1987 com duração de uma hora e que mistura realidade com animação. Nele, Mônica cai em um portal e encontra uma fada, interpretada pela cantora Tetê Espíndola. Então, Mônica começa a contar histórias de seus amigos para a fada, que em cada história se transforma em algo diferente, como uma onça, uma flor, um pássaro e, por fim, uma sereia. O filme completo está disponível no YouTube e foi lançado em VHS pela PubliFolha em 1999.

O Cine Parque acontece no dia 19 de abril, a partir das 15h. O endereço é Largo Senador Raul Cardoso, 207 – Vila Clementino, São Paulo. Para saber mais, acesse a página do evento no Facebook.





Camila Gomes





25
mar
A lenda dos Selkies

Ontem a Patrícia citou em seu post os selkies. Como sei que pode ter gente que não é muito familiarizado com esses seres, achei que seria interessante contar sobre essa lenda aqui :)

Selkies são como se fossem primos das sereias. Eles são criaturas mitológicas provenientes de lendas Irlandesas e Escocesas e normalmente suas histórias são tragédias românticas. Quando estão no mar, são vistos como focas, mas quando vão à terra, são capazes de se transformarem em belos e encantadores seres humanos. 

Para acontecer a transformação, eles apenas tiram a sua pele de foca e depois a colocam novamente. De acordo com o mito, o humano que se apaixonar por um selkie tenta roubar a sua pele de foca e escondê-la, pois assim é uma garantia dele nunca mais volta ao mar. Roubar a pele de um selkie é o mesmo de tê-lo em seu poder.

Os selkies sentem muita falta do seu verdadeiro lar, por isso irão fazer de tudo para encontrar a sua pele, caso alguém a roube, por mais apaixonado que esteja. E ao achá-la, irão fugir imediatamente. Quando ocorre do casamento gerar filhos humanos, os selkies podem voltar vez ou outra para a superfície exclusivamente para visitá-los.

Existem muitos contos sobre esses seres, cada um vindo de uma região diferente com uma característica única. Se quiserem ler mais a respeito, sugiro conferir esse post aqui do blog da sereia brasileira Mirella Ferraz. Além disso, como a Patrícia já havia falado, também existe um filme com o Colin Farrell baseado nessas lendas chamado “Ondine”, de 2010.

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O que acharam dos selkies? Já conheciam? Querem ver mais lendas por aqui? Deixem suas opiniões nos comentários! :)





Camila Gomes