28
jun
A animação da Disney Atlantis, O Reino Perdido

Quando falamos de Disney e conexão com o mar pensamos logo na Pequena Sereia (hoje também lembramos da Moana), não só porque a Ariel é a única princesa sereia da franquia, mas também pela importância do filme, que marcou o início da era renascentista da Disney, época das maiores e mais famosas produções do estúdio.

Apesar de ser apaixonadíssima pela Úrsula (os testes do Facebook já me garantiram que somos a mesma pessoa), nunca fui muito apegada particularmente a Ariel. Eu era o Sebastião da história. O que você tá vindo fazer aqui no mundo humano, Ariel?

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Eu fui criança nos anos 90 e acompanhei a Disney lançar um clássico por ano, e lembro até de acompanhar a produção de Tarzan, o último da era renascentista e dos anos 90, que prometia mesclar o visual 2D com a técnica 3D para animar o Tarzan deslizando nos galhos, que por sinal foi inspirado no movimento dos surfistas.

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Em 2000, tivemos a Nova Onda do Imperador, que já era diferente dos filmes dos anos 90, mas também é muito bom. Até que chegou o ano de 2001 e o assunto desse post: Atlantis, O Reino Perdido.

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Atlantis lembra um certo nome: Atlântida. Essa misteriosa localização foi mencionada por Platão, como um continente que afundou no Oceano Atlântico. É sempre mencionado nas literaturas como o reino de sereias ou um reino submerso – que é o caso da Pequena Sereia e Aquaman.

Atlântida de Aquaman (DC Comics)

Atlântida de Aquaman (DC Comics)

Atlântida de Pequena Sereia (Disney)

Atlântida de Pequena Sereia (Disney)

Os produtores resolveram investir em uma produção um pouco diferente das produções comuns da Disney. O longa seria produzido sem música e, para manter o ritmo, eles apostaram nas cenas de ação. Eles se inspiraram no romance “Viagem ao Centro da Terra” para traçar a linha exploradora do filme, visitaram trilhas subterrâneas e museus, tudo para dar a Atlantis o visual de “todas as arquiteturas unidas em uma arquitetura mais primitiva”. A concepção da cidade circular de Platão foi mantida. Além dessas pesquisas, os produtores pesquisaram a concepção do clarividente Edgar Cayce, de onde surgiu a ideia da longevidade fornecida aos cidadãos de Atlantis através de um cristal.

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Visualmente, Atlantis foi o filme que mais usou recursos de computador até a época. O formato de tela em que foi produzido também é diferente, sendo um formato mais panorâmico para valorizar a vista da cidade perdida.

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O estilo visual é de Mike Mignola, criador do quadrinho Hellboy. Até mesmo um linguista foi chamado para produzir um idioma nativo; Marc Okrand, criador do Klingon de Star Trerk, criou o alfabeto Atlante, cuja letra “A” representa o mapa da cidade e a localização do cristal.

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Um texto atlante é lido da esquerda para direita na primeira linha, da direita para esquerda na segunda, e assim sucessivamente, a fim de simular o fluxo da água. Eu lembro que, na época, a divulgação estava pesadíssima e o McDonalds oferecia na caixinha do Mc Lanche Feliz esse alfabeto (eu me sentia muito atlante escrevendo coisas secretas).

Inicialmente, o protagonista Milo Thatch seria descendente de Edward Teach, o pirata Barba Negra. Os produtores preferiram que o filme tivesse um caráter mais explorador e aboliram essa ideia, mas mantiveram o sobrenome de Thatch.

Sinopse

O filme inicia-se em meio a uma confusão na qual Atlântis está afundando. A rainha é atraída para um mágico cristal poderoso, deixando para trás a pequena princesa Kida e o rei Kashekim, e a cidade afunda.

Milênios depois, em 1914, Milo Thatch é um cartógrafo que acredita ter encontrado a localização correta de Atlantis. Dada as suas falhas tentativas, Milo é motivo de piada no instituto onde trabalha. Após mais uma recusa, Milo é surpreendido por uma atraente mulhe que se chama Helga Sinclair, representando o milionário Whitmore. Whitmore trabalhou em uma expedição com o avô de Milo, que encontrou o diário de Atlântis no local onde Milo acreditava ser o correto. Milo então parte para Atlântis a bordo do submarino Ulysses comandado por Lyle Rourke. O submarino é destruído pelo Leviatã, monstro robótico que guardava a entrada da cidade. A expedição segue por uma caverna igual a mencionada no diário.

Em uma noite acampando, a princesa Kida desiste de atacar os navegantes por acreditar que Milo poderia ajudar a resolver o problema da cidade. Ela conduz toda a expedição a cidade perdida, que surpreendentemente ainda tinha habitantes. Kida confessa que eles estão cada vez mais sem energia e pede a ajuda de Milo, pois ela já esqueceu como lê o idioma nativo. Ao retornarem são surpreendidos pelos integrantes da expedição os aprendendo, que não contava com atlantes vivos e só queriam dinheiro. Ao achar a fonte da energia da cidade o cristal, kida também é atraída como sua mãe em forma de sacrifício. Rourke decide levar a princesa Kida como cristal para provar a existência da cidade, mas os outros tripulantes desistem de seguir esse caminho, pois resultaria na morte dos nativos. É quando se inicia as cenas de ações com Rourke e Helga tentando fugir (primeiro juntos, depois cada um por si), mas felizmente, os tripulantes aliados aos nativos atlantes conseguem recuperar a princesa Kida e o cristal.  Milo decide ficar em Atlantis, ao lado da agora rainha Kida, enquanto os sobreviventes da expedição enriquecem apenas provando que o local era real.

A expedição contava também com:

  • Vinny Santorini, um italiano especialista em demolição;
  • Joshua Sweet, um oficial médico;
  • Wilhelmina Packard, uma operadora de rádio extremamente cínica e sarcástica, que não para de fumar;  
  • Audrey Ramirez, a mecânica (ela conta uma história genial de como seu pai queria dois filhos, um para ser mecânico e outro campeão de luta, mas ela e a irmã conseguiram isso);
  • Cookie Farnsworth, um cozinheiro.
  • Molière, um escavador francês que age como uma toupeira.

Ao ser questionada de sua idade, Kida menciona ter mais de 8000 anos. Estima-se que a vida de um Atlante equivale a 300 anos humanos, então Kida teria aproximadamente 28 anos. A aparência dela se assemelha a Tempestade e a Princesa Yue (das terras da água) de Avatar.

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Infelizmente, todo esse ar de ficção científica, junto com a novidade 3D entrando no mercado com tudo no longa Shrek, fez com que o filme da Disney não tivesse o desempenho esperado. O retorno abaixo das expectativas começou nas bilheterias, e a série animada virou uma compilação de episódios reunidos em um filme. No entanto, minha maior frustração é que a Disneyland planejava uma atração subaquática com a temática do filme no parque, que também foi cancelada.

A crítica ficou bem dividida, e chegaram a salientar que um dos maiores problemas era não parecer um filme infanto-juvenil, e considerou o problema como sendo o público alvo indefinido. De qualquer forma, esse filme é considerado como o longa cult das animações da Disney, e pra mim, a repercussão mais injustiçada do estúdio.

Tô aqui torcendo para que essa onda de live action arraste Atlantis e o filme tenha o reconhecimento merecido!

Por Camila Piccini










19
jun
O filme Miranda
em: Cultura

Muitas vezes já falamos por aqui que as sereias povoam o imaginário das pessoas há muito tempo. Na literatura e no cinema a presença desses seres do mar já ultrapassa os 100 anos. Uma das provas deste antigo fascínio é o belo filme vintage Miranda lançado em 1948.

Miranda film poster

Esta obra em preto e branco está caminhando para o 70 anos de existência. Tenho a certeza que a maioria das sereias que acompanham o Sereismo já devem ter visto em algum lugar a imagem da sereia deste filme.

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A atriz se chama Glynis Johns e atualmente está com 93 anos.

Glynis Johns miranda sereismo naturaltati

Ao assistir ao filme não tem como se perguntar como esses efeitos *sereísticos* foram feitos em uma época com pouquíssima tecnologia. A cauda é linda e, quando a sereia Miranda nada, é bastante convincente. É possível acreditar que a personagem principal é uma sereia real.

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O filme está disponível no YouTube, porém na versão original, em inglês. Mas nada impede de mergulhar e compreender a história:

Em um breve resumo, o filme é uma comédia romântica britânica que se passa em Londres. Mr. Paul decide sair para pescar no feriado e convida sua esposa Claire, uma mulher bonita e refinada. Porém ela recusa o passeio dizendo que prefere ficar em casa. Em alto mar, no momento em que a linha e o anzol estão nas águas, Paul sente um puxão forte e, acreditando ser um peixe grande, luta com toda a força, mas acaba perdendo e caindo do barco. Nessa cena logo vemos que o que estava puxando a linha não era um peixe, e sim uma sereia. Durante o mergulho, Paul fica desacordado e, quando acorda em uma gruta, a primeira coisa que vê é o belo rosto da sereia.

Filme miranda 1948 sereismo naturaltati sereia

Então, Miranda começa a mostrar a sua personalidade. Além da beleza, ela mostra ser bastante auto-confiante e não tem medo de revelar que é uma sereia. A bela também é simpática e carinhosa, gosta de tocar, acariciar e é decidida. Quando o homem resolve fugir nadando e procurar uma saída, Miranda começa a cantar a sua música favorita: ópera. E tranquilamente espera Paul perceber que está preso. Em um momento em que o homem diz estar com fome, rapidamente a sereia se prontifica a buscar comida. Quando volta, ela traz um peixe recém pescado. Aliás peixe é o principal alimento de Miranda. A sereia fala de seus anseios e da sua vontade de conhecer a cidade do homem, e claro, ela consegue o convencer a ser levada por ele. Decididos a voltar juntos para a cidade depois de planejar muito bem a ida dos dois, ele leva alimento (peixe) e também liga para o estilista de sua esposa e encomenda alguns vestidos longos arrastando no chão na intenção de cobrir a cauda de Miranda.

Miranda 1948 paul mermaid sereismo naturaltati

A partir daí, a trama começa a se desenrolar e, na história, entra a esposa Claire, o motorista, a empregada, uma cuidadora de animais (sendo esta a única da casa que sabe que Miranda é uma sereia) e um casal de amigos.

Miranda mermaid 1948

A bela espalha o seu encanto entre os homens durante os passeios na cidade, no zoológico e nas apresentações de ópera. E se eu falar mais que isso acabo dando spoiler, rs. Apenas assistam e sintam a arte que esta obra de outra época transmite. A interpretação dos atores, as cenas, a magia da sereia e o seu olhar… A protagonista, em meio de suas confusões, tem um propósito bem fofinho que aparece no finalzinho do filme 😉

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Por Tati Bello

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9
jun
A lua e o mar…

Todo mundo que foi criança nos anos 90 sabe pelo menos uma música da dupla Sandy e Júnior. Entre as mais famosas, o grande sucesso da virada do milênio foi A Lenda. A música foi um sucesso (e ainda é até hoje), ganhou prêmios de Melhor Videoclipe e ainda ficou no topo das paradas. Ela narra a história de amor entre a Lua e o Mar:

Bem lá no céu uma lua existe

Vivendo só no seu mundo triste

O seu olhar sobre a Terra lançou

E veio procurando por amor

Então o mar frio e sem carinho

Também cansou de ficar sozinho

Sentiu na pele aquele brilho tocar

E pela lua foi se apaixonar

Mas qual a relação entre a Lua e o Mar? A música não é a primeira história de amor sobre os dois. Existem algumas histórias envolvendo a lua, o mar e até mesmo sereias. Uma delas é uma lenda indígena que narra o surgimento do firmamento, oriundo do amor entre a Lua e o Mar.

“Contam os antigos que há muitos e muitos anos atrás, mais ou menos pela época do surgimento do universo, ainda naquele tempo de transformações e criação, existiam dois índios completamente apaixonados um pelo outro: o Mar e a Lua. Mar e Lua tinham um amor tão intenso que era reconhecido nos quatro cantos do universo, por onde os homens andavam ouvia-se falar no amor de Mar e Lua.

Certa vez, o Mar, embriagado de amor por Lua, desafiou Tupã ao proferir que Lua, sua amada, gostava muito mais dele do que do próprio Tupã. Deus, ao saber das bravatas de Mar, resolveu lhe dar uma lição transformando-se num moço de infinita beleza denominado Sol, vindo a terra provocar o Mar em seu amor por Lua.

O Sol chegou vestido de luz e ao se aproximar de Lua, foi vítima do seu próprio veneno: ao se defrontar com a Índia apaixonou-se loucamente por ela, que possuía uma rara beleza. Desta forma, Tupã começou a deixar várias vezes o céu e descer à terra vestido de sol para cortejar Lua, que também sentiu-se atraída pelo jovem Sol, que transmitia uma luz tão intensa que iluminava e aquecia o seu coração.

Com o passar do tempo, o triângulo amoroso vivido pela Lua, Sol e Mar ficou incontrolável. As amigas de lua começaram a assuntar sobre quem era o formoso rapaz que cortejava Lua vestido de luz e qual a reação de Mar pela presença de tão garboso oponente.

Lua, ao pressentir o perigo, começou a ignorar Sol, sem saber que ele era o próprio Deus Tupã. Quanto mais a Lua ignorava o Sol, mais ele se apaixonava por ela.

Até que um dia, Tupã insatisfeito com o amor de Lua por Sol pensou: “Como pode ela amar tanto um simples mortal e desprezar eu, o mais belo dos homens, o reflexo humano de um Deus?”. Contrariado ele usou de seu poder para induzir as amigas de Lua a contarem ao Mar o que estava se sucedendo. O desgosto foi tão grande que o mesmo resolveu enfrentar o forasteiro e sua amada frente a frente. Naquele instante entre a criação e o firmamento estava frente a frente Sol, Lua e Mar. Lua declarou seu amor a Mar na frente de Sol.

Ao ver nos olhos da amada o desprezo, o Sol enfurecido usou mais uma vez, o seu poder transformando sua rainha amada em um dos mais belos astros do sistema solar, entretanto a bela necessitaria eternamente da luz do sol para brilhar e se aquecer. Para que Lua não ficasse sozinha Tupã transformou todas as suas amigas em estrelas.

Desta forma o Sol (Deus Tupã), a Lua (Sua Amada) e as Estrelas (Amigas da Lua) subiram aos céus, deixando Mar para traz. Sobre a terra, ficou o mais triste dos homens, que acabava de perder o seu amor para o próprio Deus Tupã. Em um relance de pensamento o mesmo lembrou de suas palavras desafiando o Deus em outrora, o mesmo arrependeu-se de ter posto o amor de Lua em desafio.

Por dias, semanas, meses e talvez anos, Mar gritou aos céus a volta do seu amor presa ao firmamento, mas era tarde, a Lua tinha partido para nunca mais voltar. Em uma última tentativa de lucidez, o Mar pediu a Tupã que o perdoasse e devolvesse sua amada aos seus braços ou o tirasse daquela situação, daquela forma humana e chorou, chorou como ninguém jamais havia chorado na face da terra, se transformando em um mar de água salgada. Tupã ao ver a súplica o transformou no próprio pranto, dando origem aos oceanos.

Foi assim que entre o crepúsculo e o amanhecer, para todo o sempre estava criado os astros do céu, o Sol (o próprio Deus Tupã) com todo o seu esplendor, vestido de luz. Apaixonado pela Lua presa ao firmamento. A Lua com seu coração frio e vazio, presa ao firmamento por Tupã, longe do seu amor o Mar, só permitiu ser cortejada pelo Sol (seu dominador) de épocas em épocas, nós eclipses sololunar.

A Lua passou a ser reflexo da solidão. Entretanto todos sob a face da terra sabem que a Lua continua a atrair o Mar (chamá-lo), durante a ausência do sol. Certas noites a lua chega a provocar catástrofes na terra de tanto chamar o Mar para próximo de sí. Já o mar se transformou em um infinito de água salgada, oriunda do pranto da desilusão de seu amor desfeito por Tupã.

Dizem que os apaixonados em noite de lua cheia conseguem ver a Lua descer e tocar o mar (seu amado) que se enche todo por alguns instantes, sendo interrompida com a volta do Sol pela manhã. Foi assim que desde os tempos ancestrais, antes da existência do próprio firmamento, que o Sol (Deus Tupã) apaixonou-se pela jovem Lua. E mesmo vestido como o mais poderoso dos astros, cheio de luz e calor, não teve seu amor correspondido. Essa é a história do surgimento do firmamento, a história do Sol, da Lua e do Mar.”

Texto: Cássio Marques

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Existe uma diversidade de mitologias indígenas narrando a origem do firmamento. Na mitologia Tupi-guarani, Tupã é o deus dos trovões e cria Jaci (Lua), rainha da noite, para embelezar a escuridão. Tupã acaba sucumbindo aos encantos da própria criação e toma Jaci como sua esposa. Nesta lenda, Jaci é irmã da nossa conhecida sereia Iara. Nesta versão, Iara, além de sereia, é também a deusa protetora das águas, que vive nas profundezas dos lagos.

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Há versões nas quais Jaci é irmã e amante de Guaraci (Sol) e os dois se encontravam na alvorada com a ajuda de Rudá, o deus do amor. Em uma das versões que contam essa relação, Guaraci era um belo guerreiro com a pele dourada e olhos de fogo, enquanto Jaci era uma jovem tímida. Quando declaravam seu amor, Guaraci queimava de tanta paixão, colocando a Terra em perigo enquanto Jaci chorava de felicidade, causando inundações. O amor deles era perigoso, então decidiram que não mais se encontrariam. Jaci ficou inconsolável e chorou o Rio Amazonas.

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O envolvimento da Lua com mais uma entidade aquática também está na lenda de Vitória Régia. A jovem índia Naiá era devota de Jaci, e cresceu ouvindo histórias de como a Lua descia vinha buscar as mais belas jovens e a levava com ela para fazer companhia no céu. Naiá aguardava o dia em que seu Jaci a viria buscar e adormeceu na beira de um rio. Ao acordar, viu o reflexo da Lua no rio e acreditou que ela havia vindo se banhar no rio, permitindo que Naiá a tocasse. Naiá mergulhou nas águas fundas e acabou se afogando. Jaci reconheceu os esforços da jovens e decidiu transformá-la em uma estrela incomum: uma Vitória Régia, pois seu destino não estava nos céus, mas sim nas águas. Em noites de lua cheia, Naiá abre suas flores brancas para banhar-se com a luz de Jaci.

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Essa lenda indígena também está inclusa em no projeto Folclore BR, que busca recontar alguns folclores brasileiros provando que possuímos lendas muito ricas. O artista Anderson Awvas ilustrou essas figuras nacionais com filmes da Disney. E se a nossa Iara teve como base a história da Pequena Sereia, Vitória Régia teve como inspiração Moana. A história também ganha uma pequena mudança e Jaci revive a jovem Naia com a missão de descobrir quem foi a criatura que a ludibriou, levando ao seu afogamento. Para isso, ela contará com a ajuda de Jurubeba, uma fêmea de Mico-Leão-Dourado.

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Toda essas história da influência da lua nas águas tem um fundo de verdade. Muito se deve pelo comportamento das águas em época de lua cheia e existe uma explicação científica para isso. O fenômeno das marés é causado pela alteração da lua e do sol no nível das águas. Assim como a Terra atrai a Lua para realizar os seus movimentos, a Lua também atrai a Terra. Isso ocorre através da força gravitacional, que tem pouca influência nos continentes, mas tem muita influência sobre os oceanos, devido a fluidez das águas. Basicamente a Lua puxa as marés para si, causando protuberância nos oceanos. Por isso todas essas lendas giram em torno da lua “chamar” o mar.

O Sol, embora de menor influência, também ajuda ajuda nesse fenômeno. Desta maneira, quando a lua, a Terra e o sol estão alinhados, as marés ficam cheias. E quando a lua e o sol estão em 90 graus (lua crescente e minguante), as marés ficam baixas.

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No filme As Sereias (2003), o fenômeno das marés é mencionado e, nas noites de maré baixa, as irmãs se transformam mesmo que elas não se molhem. Outra obra televisiva envolvendo sereias que mostra a influência da lua é a mais famosa série de sereias: H2O Meninas Sereias. Os poderes de sereias foram adquiridos por Cleo, Drica e Nanda na piscina da lua das Ilhas Mako, em uma noite de lua cheia. O mesmo fenômeno ocorre na série spin-off, Mako Mermaids. Em ambas as séries, qualquer pessoa que esteja na piscina da lua no momento em que a lua cheia passa por cima, será transformado em sereia/tritão, pois é o momento em que a magia da piscina exerce poderes.

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Outros fenômenos astronômicos são mencionados na série:

  • Alinhamento planetário especial: Um raro alinhamento planetário, no qual a lua aumenta os poderes sereianos;
  • A Lua de 50 anos: A cada 50 anos ocorre um outro alinhamento planetário e, caso a sereia/tritão esteja na piscina da lua, ela perderá todos os poderes de sereia;
  • Eclipse Lunar: A sereia/tritão que estiver na piscina perde os poderes por 12h.

As sereias também são afetadas em noites de lua cheia se observarem a lua no céu. Nanda se transformou em uma sereia “selvagem”, Cleo adquiriu poderes de canto e Drica perdeu o controle do seu poder, sobrecarregando o calor ao seu redor. Além de ficarem mais sedutoras, normalmente elas também não lembram de nada, como se estivessem enfeitiçadas pelo poder da lua.

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Como amante da noite e da lua (e de Sandy e Junior), não posso deixar de adorar toda essa interação com o mar.

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Por Camila Piccini