23
ago
A Mermaid Gift Shop da Florida

Em cidades turísticas dos Estados Unidos é comum ter muitas lojas de souvenirs, e muitas delas não economizam na fachada. São lojas gigantescas, com estátuas e pinturas chamativas. No distrito de Kissimee, em Orlando, no Estado da Florida (EUA), existe uma dessas chamadas gift shops que, para nós, amantes de sereias, é a mais linda e já começa pelo nome: Mermaid Gift Shop. O nome, aliás, não é a toa, pois até de longe você consegue identifica-la:

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Ela possui 2 andares e toda sua parede externa é simulando o fundo do mar, com essa sereia enorme te dando as boas-vindas. Essa foto acima foi tirada no ano passado pela Bru, atualmente ela está com a cauda preta:

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Entretanto, apesar do tema sereia gritar por todos os lados, quando você entra não há muitos produtos relacionados. Quando fui para Orlando no início desse mês, fiz questão de dar uma paradinha na Mermaid Gift Shop e conferir, e encontrei algumas pelúcias de sereias e enfeites de figuras marinhas. Mas, na verdade, a maioria dos souvenirs vendidos no local são da Disney – o que faz sentido, afinal o turismo da região depende exclusivamente da Walt Disney World mesmo, mas isso não estraga a visita, porque se tem Disney, tem Ariel, que é sereia e nossa preferida, kkkk.

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Se você for viajar para Orlando, vale a pena ir até a loja para, pelo menos, tirar umas fotos na fachada ou até mesmo comprar lembrancinhas. Ela fica há uns 15 minutos de distância do complexo Disney e é facinho de chegar usando qualquer aplicativo de GPS do celular. O endereço certinho é: 7511 W Irlo Bronson Memorial Hwy 34747 Kissimmee.





Camila Gomes





21
jul
Dinglehopper – O pente garfo

Todo mundo que assistiu ao clássico Disney A Pequena Sereia não esquece o exato momento no qual a Ariel começa a passar um dinglehopper (em português “bruguzumba”) nos cabelos na hora de comer – impossível também esquecer principalmente a cara do Eric e do Sr. Grimsby.

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A cena ficou tão eternizada que já foi imitada por famosas como Lady Gaga e também por todo fã da Ariel.

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Camila Gomes, nossa Ariel do Sereismo (Foto por Fernanda Messas)

Camila Gomes, nossa Ariel do Sereismo (Foto por Fernanda Messas)

Enquanto a Ariel encontrou um objeto humano para pentear os cabelos, os humanos encontraram no mar o primeiro “pente” da história. Aliás, o nome “pente” vem de um molusco marinho conhecido como pecten. O formato da sua concha se assemelhava aos dentes de um pente. Com o passar dos anos, o objeto foi aperfeiçoado e feito em materiais como madeira e ossos, até chegarmos no nosso pente de plástico.

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Antigamente, essa concha era usada para alisar os cabelos. Como a ideia é desembaraçar, os cabelos naturalmente ficavam mais lisos. Mas e os cabelos cacheados? Eu, como cacheada, ainda tenho essa dúvida que semeia o imaginário popular: como se penteia um cabelo cacheado?

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A resposta está com o Sabidão: Pente Garfo.

Quem tem cabelo cacheado sabe que, para desembaraçar o cabelo, só estando com os fios molhados para não estragar os cachos, e na hora de fazer aquele volume, o pente garfo é essencial. Ou seja, entre as pessoas cacheadas a Ariel faria muito sucesso e receberia muitas dicas.

Mirella Ferraz adorou as dicas para os seus cachos! haha

Mirella Ferraz adorou as dicas para os seus cachos! haha

Os filmes da Disney possuem sempre muito anacronismo, ou seja, inserção de elementos atuais mesmo em um contexto de um desenho de ambientação mais antiga. No caso da Pequena Sereia, um filme lançado em 1989, os elementos atuais são dos anos 80. Isso parece muito óbvio quando a Ariel consegue pernas. A moda dos anos 80 ficou marcada pelo exagero, pelo volume e pelas cores, que definitivamente estão presentes no desenho. O grande laço no cabelo da Ariel no figurino de Beije a Moça, o vestido de noiva inspirado no do casamento real da Lady Diana, as mangas bufantes do vestido rosa e até o cabelo vermelho vibrante, adepto de cantoras como a Cindy Lauper, é característico da época.

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Ligando os pontos, o pente garfo, responsável por proporcionar volume aos cabelos sem destruir os cachinhos, combinado com visual dos anos 80, repleto de volume, deve ter sido o que inspirou o cabelo da personagem. Ou seja, foram as dicas do Sabidão que mantiveram essa franja flutuante mesmo fora do mar.

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As referências não param por aí, o Dinglehopper/Pente/Garfo também tem sua história. Antigamente, as pessoas comiam com as mãos e os garfos possuíam apenas dois dentes, para servir a comida. Com o tempo, o uso do garfo foi individualizado e passou a ter 3 dentes para pegar melhor a comida. A difusão do talher pela Europa se deu com 3 dentes, para só então na metade do século XVII o Rei Fernando de Bourbon acrescentar o quarto dente no objeto. A morte do Rei Fernando ocorreu no ano de 1859, porém a história da Pequena Sereia da Disney é ambientada por volta de 1890. Entretanto, se a gente olhar o garfo do desenho, os três dentes continuam.

Além disso, também podemos observar uma grande relação do objeto com o tridente de Tritão.

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O tridente é o símbolo do deus Poseidon, rei dos mares na mitologia grega e também pai de Tritão, o fazendo avô da Ariel. Na peça teatral da Broadway de A Pequena Sereia, Tritão herda o tridente de seu pai e é o motivo da briga com Úrsula, que na peça é sua irmã.

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O tridente é uma arma de guerra que representa a força e o domínio sobre o mar. Na simbologia, quando fincado na terra, possuía o poder de instituir mares calmos ou agitados e, nesse caso, o tridente simbolizava também a inconstância. Quando eu coloquei a Ariel como geminiana no post sobre os signos das sereias da cultura pop, eu falei um pouco da inconstância dela, que também é uma característica da água. Toda essa simbologia é, de fato, real, mas não sei mencionar até que ponto os criadores se inspiraram para criar isso e onde começam as coincidências. O fato é que, mesmo inconscientemente, propagamos a imagem da princesa com um objeto semelhante ao que representa todo o poder do seu pai, e que ainda pode ser o responsável por toda aquela franja que faz com que as cosplayers da sereia quebrem a cabeça para manter.

Camila Gomes e Babi Sparrow - Serenidade no olhar de quem fica 3 horas para arrumar uma franja

Camila Gomes e Babi Sparrow – Serenidade no olhar de quem fica 3 horas para arrumar uma franja

Na série Once Upon A Time, quando somos apresentados a personagem Ariel, interpretada por Joanna Garcia, Snow a leva a uma festa e começa a ensina-la sobre coisas humanas. A princesa pega um garfo e pergunta a Ariel se ela sabe o que é aquilo. Todos esperam que ela responda que é um dinglehopper, mas a sereia diz que é um mini-tridente. Isso acontece no episódio 6 da terceira temporada.

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Quem diria que um simples garfo poderia contar tantas histórias? No final das contas, Sabidão realmente nunca se engana.

Por Camila Piccini










28
jun
A animação da Disney Atlantis, O Reino Perdido

Quando falamos de Disney e conexão com o mar pensamos logo na Pequena Sereia (hoje também lembramos da Moana), não só porque a Ariel é a única princesa sereia da franquia, mas também pela importância do filme, que marcou o início da era renascentista da Disney, época das maiores e mais famosas produções do estúdio.

Apesar de ser apaixonadíssima pela Úrsula (os testes do Facebook já me garantiram que somos a mesma pessoa), nunca fui muito apegada particularmente a Ariel. Eu era o Sebastião da história. O que você tá vindo fazer aqui no mundo humano, Ariel?

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Eu fui criança nos anos 90 e acompanhei a Disney lançar um clássico por ano, e lembro até de acompanhar a produção de Tarzan, o último da era renascentista e dos anos 90, que prometia mesclar o visual 2D com a técnica 3D para animar o Tarzan deslizando nos galhos, que por sinal foi inspirado no movimento dos surfistas.

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Em 2000, tivemos a Nova Onda do Imperador, que já era diferente dos filmes dos anos 90, mas também é muito bom. Até que chegou o ano de 2001 e o assunto desse post: Atlantis, O Reino Perdido.

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Atlantis lembra um certo nome: Atlântida. Essa misteriosa localização foi mencionada por Platão, como um continente que afundou no Oceano Atlântico. É sempre mencionado nas literaturas como o reino de sereias ou um reino submerso – que é o caso da Pequena Sereia e Aquaman.

Atlântida de Aquaman (DC Comics)

Atlântida de Aquaman (DC Comics)

Atlântida de Pequena Sereia (Disney)

Atlântida de Pequena Sereia (Disney)

Os produtores resolveram investir em uma produção um pouco diferente das produções comuns da Disney. O longa seria produzido sem música e, para manter o ritmo, eles apostaram nas cenas de ação. Eles se inspiraram no romance “Viagem ao Centro da Terra” para traçar a linha exploradora do filme, visitaram trilhas subterrâneas e museus, tudo para dar a Atlantis o visual de “todas as arquiteturas unidas em uma arquitetura mais primitiva”. A concepção da cidade circular de Platão foi mantida. Além dessas pesquisas, os produtores pesquisaram a concepção do clarividente Edgar Cayce, de onde surgiu a ideia da longevidade fornecida aos cidadãos de Atlantis através de um cristal.

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Visualmente, Atlantis foi o filme que mais usou recursos de computador até a época. O formato de tela em que foi produzido também é diferente, sendo um formato mais panorâmico para valorizar a vista da cidade perdida.

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O estilo visual é de Mike Mignola, criador do quadrinho Hellboy. Até mesmo um linguista foi chamado para produzir um idioma nativo; Marc Okrand, criador do Klingon de Star Trerk, criou o alfabeto Atlante, cuja letra “A” representa o mapa da cidade e a localização do cristal.

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Um texto atlante é lido da esquerda para direita na primeira linha, da direita para esquerda na segunda, e assim sucessivamente, a fim de simular o fluxo da água. Eu lembro que, na época, a divulgação estava pesadíssima e o McDonalds oferecia na caixinha do Mc Lanche Feliz esse alfabeto (eu me sentia muito atlante escrevendo coisas secretas).

Inicialmente, o protagonista Milo Thatch seria descendente de Edward Teach, o pirata Barba Negra. Os produtores preferiram que o filme tivesse um caráter mais explorador e aboliram essa ideia, mas mantiveram o sobrenome de Thatch.

Sinopse

O filme inicia-se em meio a uma confusão na qual Atlântis está afundando. A rainha é atraída para um mágico cristal poderoso, deixando para trás a pequena princesa Kida e o rei Kashekim, e a cidade afunda.

Milênios depois, em 1914, Milo Thatch é um cartógrafo que acredita ter encontrado a localização correta de Atlantis. Dada as suas falhas tentativas, Milo é motivo de piada no instituto onde trabalha. Após mais uma recusa, Milo é surpreendido por uma atraente mulhe que se chama Helga Sinclair, representando o milionário Whitmore. Whitmore trabalhou em uma expedição com o avô de Milo, que encontrou o diário de Atlântis no local onde Milo acreditava ser o correto. Milo então parte para Atlântis a bordo do submarino Ulysses comandado por Lyle Rourke. O submarino é destruído pelo Leviatã, monstro robótico que guardava a entrada da cidade. A expedição segue por uma caverna igual a mencionada no diário.

Em uma noite acampando, a princesa Kida desiste de atacar os navegantes por acreditar que Milo poderia ajudar a resolver o problema da cidade. Ela conduz toda a expedição a cidade perdida, que surpreendentemente ainda tinha habitantes. Kida confessa que eles estão cada vez mais sem energia e pede a ajuda de Milo, pois ela já esqueceu como lê o idioma nativo. Ao retornarem são surpreendidos pelos integrantes da expedição os aprendendo, que não contava com atlantes vivos e só queriam dinheiro. Ao achar a fonte da energia da cidade o cristal, kida também é atraída como sua mãe em forma de sacrifício. Rourke decide levar a princesa Kida como cristal para provar a existência da cidade, mas os outros tripulantes desistem de seguir esse caminho, pois resultaria na morte dos nativos. É quando se inicia as cenas de ações com Rourke e Helga tentando fugir (primeiro juntos, depois cada um por si), mas felizmente, os tripulantes aliados aos nativos atlantes conseguem recuperar a princesa Kida e o cristal.  Milo decide ficar em Atlantis, ao lado da agora rainha Kida, enquanto os sobreviventes da expedição enriquecem apenas provando que o local era real.

A expedição contava também com:

  • Vinny Santorini, um italiano especialista em demolição;
  • Joshua Sweet, um oficial médico;
  • Wilhelmina Packard, uma operadora de rádio extremamente cínica e sarcástica, que não para de fumar;  
  • Audrey Ramirez, a mecânica (ela conta uma história genial de como seu pai queria dois filhos, um para ser mecânico e outro campeão de luta, mas ela e a irmã conseguiram isso);
  • Cookie Farnsworth, um cozinheiro.
  • Molière, um escavador francês que age como uma toupeira.

Ao ser questionada de sua idade, Kida menciona ter mais de 8000 anos. Estima-se que a vida de um Atlante equivale a 300 anos humanos, então Kida teria aproximadamente 28 anos. A aparência dela se assemelha a Tempestade e a Princesa Yue (das terras da água) de Avatar.

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Infelizmente, todo esse ar de ficção científica, junto com a novidade 3D entrando no mercado com tudo no longa Shrek, fez com que o filme da Disney não tivesse o desempenho esperado. O retorno abaixo das expectativas começou nas bilheterias, e a série animada virou uma compilação de episódios reunidos em um filme. No entanto, minha maior frustração é que a Disneyland planejava uma atração subaquática com a temática do filme no parque, que também foi cancelada.

A crítica ficou bem dividida, e chegaram a salientar que um dos maiores problemas era não parecer um filme infanto-juvenil, e considerou o problema como sendo o público alvo indefinido. De qualquer forma, esse filme é considerado como o longa cult das animações da Disney, e pra mim, a repercussão mais injustiçada do estúdio.

Tô aqui torcendo para que essa onda de live action arraste Atlantis e o filme tenha o reconhecimento merecido!

Por Camila Piccini