25
fev
Haenyeo, as sereias da Ilha Jeju

A Ilha Jeju faz parte da Coreia do Sul e entre seus habitantes estão as Haenyeo, que significa “mulheres do mar”. Atualmente elas são apenas senhoras (porque as mais jovens preferem seguir outras profissões) que enfrentam o mar usando apenas pés de pato e óculos de proteção em busca de moluscos, búzios e polvos. Essa inversão de papeis, com mulheres indo à caça, é o que diferencia a ilha da sociedade coreana.

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As mergulhadoras começam cedo – aos 11 anos já praticam em águas rasas e, quando chegam a maioridade, conseguem chegar a 20 metros de profundidade. Elas ficam por volta de um minuto submersas, com intervalos de 30 segundos na superfície. Durante o inverno, a permanência no mar dura 20 minutos, e no verão 90.

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Seus instrumentos são as próprias mãos, uma faca, uma bóia (pra determinar sua localização) e uma rede pra guardar o que foi coletado. O que conseguem são exportados ou vendidos para restaurantes locais. Por ser uma profissão perigosa, a função está a cada ano sumindo mais e mais. Desde 2009, 40 mergulhadoras morreram em acidentes de trabalho. A prática vem desde o século 17 e hoje em dia existem apenas cerca de 4.500 Haenyeo ativas. Para ajudar a manter a tradição viva, o governo paga pelas roupas de mergulho e seguro médico.

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Super valorizadas, na Ilha Jeju há até um museu dedicado à elas, chamado Museu Haenyeo. Além disso, alguns filmes e séries inspirados nelas já foram produzidos: “My Mother, the Mermaid”, “Tamra, the Island”, “Swallow the Sun” e “Haenyeo: Women of the Sea”.

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As Haenyeo foram as primeiras mães coreanas a trabalharem fora de casa e eram discriminadas por saírem de suas casas com parte do corpo à mostra. Por causa disso, elas viraram símbolo da independência e força feminina na Coreia do Sul, e eram tratadas com respeito em comparação a outras mulheres da ilha. Atualmente, as mergulhadoras são vistas como guardiãs do mar e do meio ambiente aquático, como verdadeiras sereias.

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Fonte: FolhaSarangInGayo e Catraca Livre





Camila Gomes





26
jan
A novela coreana The Idle Mermaid

“Surplus Princess” é uma série de comédia romântica coreana que estreou em agosto do ano passado. Em inglês o título fica “The Idle Mermaid”, algo como “A Sereia Desocupada” – sim, a comédia já começa desde o nome! hauahua

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Baseado livremente no conto original “A Pequena Sereia”, do escritor dinamarquês Hans Christian Andersen, “Surplus Princess” conta a história de Kim Hai-ni, interpretada por Jo Bo-ah. Ela é uma sereia de 18 anos que encontra um smartphone no oceano e começa a se encantar pelo mundo dos humanos após dar uma ~navegada~ pela internet do dispositivo. Mais tarde, Hai-ni decide trocar sua cauda por pernas para ir atrás de um chef de cozinha super narcisista pelo qual se apaixonou após salvá-lo de um afogamento. Entretanto, ela tem apenas 100 dias para fazer com que ele se apaixone por ela, caso contrário ela se torna espuma do mar.

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Quando Hai-ni está entre os humanos ela vai parar numa república de estudantes, onde todos estão em busca de seu primeiro emprego. Entre seus colegas de quarto estão uma moça que faz vídeos sobre comidas online e um garoto viciado em videogame que acaba tendo uma queda pela sereia. 

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Com essa sinopse toda maluca, é fato de render boas risadas, né?! A primeira temporada contou com 10 episódios e terminou em setembro, já a segunda temporada está confirmada, mas ainda sem previsão de lançamento.

Veja abaixo um vídeo com a introdução, melhores momentos e cenas dos bastidores:

Fiquei curiosa e afim de assistir, e vocês? 😀





Camila Gomes





19
jan
Resenha de livro – Sereia Negra por Vinícius Grossos
em: Cultura

“Sereia Negra” é um livro nacional escrito por Vinícius Grossos e lançado pela editora Selo Jovem. Nele nós conhecemos a história de Inês através de sua própria visão, contada em primeira pessoa.

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Inês é uma garota brasileira de 15 anos, negra e órfã, que vive com o avô e sofre diariamente com o racismo e a falta que uma família faz a uma adolescente.

Por causa da sua revolta com a vida, Inês se vê completamente diferente das pessoas ao seu redor. Odeia a tudo e a todos e prefere se esconder em seu quarto, sempre solitária, atrás de seus fones de ouvido que só tocam rock e heavy metal. No dia de seu aniversário, a jovem resolve tomar atitudes que, de acordo com ela, mudariam sua vida, entretanto mal sabe Inês que o destino a reservava mudanças muito maiores do que ela poderia imaginar.

Depois de ser engolida por uma onda gigante, Inês se torna uma sereia e começa a descobrir segredos de sua família e seu passado. Ela continua sofrendo com o fato de se sentir diferente perante os outros, afinal é a única sereia negra da história, mas agora carrega nas costas o fato de uma lenda que a aponta como sendo a salvadora de todo o reino aquático.

Durante toda a leitura logo se é percebido que Inês esconde sua depressão profunda tentando se mostrar como uma garota durona. E por sempre tentar disfarçar esse sentimento, ele acaba se tornando maior e mais forte. Quando terminei o livro eu tinha lágrimas nos olhos, pois apesar do final feliz e da batalha épica e sobrenatural que Inês se submeteu, o sofrimento que ela passa é igual a de milhões de brasileiros.

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“Sereia Negra” é o primeiro livro do autor Vinícius Grossos e, na minha opinião, ele já começou com o pé direito. Há muita ação da primeira página até a última, e ele soube equilibrar realidade de ficção, nos fazendo mergulhar em forma de metáforas por dentro dos preconceitos que muitas pessoas enfrentam.

A mensagem final é fantástica, e me permito finalizar a resenha com uma passagem da obra:

“A perfeição não é algo moldado ou único. A perfeição tem vários tons e sua variável é infinita. O que é perfeito para alguém não é perfeito o outro, e assim continua esse ciclo eterno.”





Camila Gomes