15
jul
A Sereia de Varsóvia

Uma amiga minha está na Polônia e me mandou uma foto da estátua da Sereia de Varsóvia, o maior símbolo da capital do país. Até então eu desconhecia essa história, por isso pesquisei e agora vim contar pra vocês sobre essa lenda :)

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Tudo começa na Idade Média, quando uma sereia chamada Sawa é salva por um pescador chamado Wars. Como forma de agradecimento, Sawa promete proteger o homem e sua cidade para sempre. E é daí que vem o nome Warsaw – Varsóvia, em polonês. A sereia é conhecida por ser a protetora de Varsóvia e aparece em muitos logos comerciais. Dizem que ela podia ser vista nadando pelos rios da Polônia até o século 19, mas sumiu misteriosamente durante a Segunda Guerra Mundial, provavelmente procurando um lugar mais pacífico.

Os poloneses são tão crentes na sereia protetora que ela está presente até no brasão de armas de Varsóvia, onde aparece segurando uma espada e um escudo, assim como a estátua.

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Também há outras várias estátuas da sereia espalhadas pelos bairros de Varsóvia, todas com a mesma pose de guerreira.

À esquerda: Estátua do Rio Vistula || À direita: Estátua do Viaduto Stanisław Markiewicz

À esquerda: Estátua do Rio Vistula || À direita: Estátua do Viaduto Stanisław Markiewicz

Há quem diga que Sawa é irmã da Pequena Sereia do conto dinamarquês de Hans Christian Andersen (o que originou a Pequena Sereia da Disney). A história é tão famosa na região que sempre remetem sereias a ela (lembrando que no original ela não tem nome, é conhecida apenas por “pequena sereia” mesmo). As supostas irmãs teriam cada uma seguido seu caminho pelo Mar Báltico.

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À esquerda: Estátua da Pequena Sereia em Copenhagen, Dinamarca || À direita: Estátua da Sereia de Varsóvia em Varsóvia, Polônia

Outros acreditam que Sawa, na verdade, era Melusina, o espírito feminino de água doce (contamos sua lenda aqui).

A nossa conclusão é que a Europa é o destino perfeito para quem quer mergulhar de cabeça nessas lendas! <3





Camila Gomes





12
jul
Melusina e a lenda dos Nixes

Melusina é uma personagem do folclore europeu representada por um ser metade mulher, metade peixe ou serpente. Em alguns contos é retratada tendo até duas caudas, asas e coroa, muitas vezes sendo mencionada como uma nixe – espírito de forma humana que vive em rios, lagos e cachoeiras, e que pode se apresentar de várias maneiras, como figura de sereias, animais e até objetos inanimados. Quando lhes convém, esses seres podem até se casar com meros mortais e gerar filhos híbridos, mas geralmente não costumam ser bondosos, afogando os humanos que passam por eles. Segundo o mito, para perceber se um homem é um nixe, basta notar se ele usa chapéu vermelho e jaqueta úmida. No caso de mulher, ela estará usando meias vermelhas e a bainha de sua saia estará molhada. E quando alguém é morto por um nixe, a vítima fica com manchas azuis pelo corpo.

A lenda mais conhecida sobre a Melusina vem da França. Há muitas variações da história, mas é mais ou menos assim:

“Certo dia Elynas, o Rei de Albany, saiu para caçar e conheceu uma fada na floresta chamada Presina. Encantado com sua beleza, Elynas a pede em casamento, mas Presina só aceita sob uma condição: a de que ele não deveria vê-la dando a luz e nem banhando a sua cria. Quando o casal teve suas trigêmeas, Elynas violou a promessa e, então, Presina fugiu com suas três filhas – Melusina, Melior e Palatina – para Avalon. Ao completar 15 anos, Melusina, a mais velha delas, descobriu a traição do pai e resolveu se vingar. Ela e suas irmãs sequestraram Elynas e o trancaram numa montanha. A mãe das garotas fica irada ao saber o que elas tinham feito e, como punição, dá a Melusina a forma de uma serpente da cintura para baixo, todos os sábados.

Mais tarde, Melusina conhece um rapaz chamado Raymond e, assim como aconteceu com seus pais, Raymond a pede em casamento e Melusina diz que aceita, contanto que ele não a veja aos sábados. O casal dá a luz há algumas crianças deformadas e, em uma noite de sábado, Raymond quebra sua promessa e espia sua esposa no banho. Ele, então, vê que ela possui uma cauda de serpente e a culpa por ter difamado sua família e sua linhagem. Melusina, irada, o abandona e seu espírito começa a voar anunciando morte e chorando quando uma tragédia está para acontecer.”

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Ilustração da obra de Jean d’Arras, Le livre de Mélusine (O Livro de Melusina), 1478.

Por causa de sua essência guerreira, Melusina é vista em alguns brasões da Escandinávia e do Sacro Império Romano-Germânico.

Outro “brasão” famoso que provavelmente contém uma Melusina é dos tempos modernos mesmo. Todo mundo já reparou que a “mascote” de uma das maiores franquias de café do mundo, a Starbucks, é uma sereia de duas caudas. Seu desenho já mudou duas vezes com o passar do tempo, até ser como o que conhecemos hoje em dia. O primeiro deles é baseado numa ilustração do século 15. Olha só:

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Por ter duas caudas e usar uma coroa, seria a sereia do Starbucks a Melusina? As semelhanças visuais entre as duas são óbvias, não dá pra negar. De acordo com o site oficial da marca, a sereia foi escolhida para compor o logotipo porque o cheiro do café encanta as pessoas como o canto de uma sereia.

Ilustração de uma Melusina || Campanha publicitária do Startbucks

Ilustração de uma Melusina || Campanha publicitária do Starbucks

Se a Melusina é um espírito das águas, uma nixe, uma sereia, uma serpente? Se o símbolo do Starbucks é uma Melusina ou uma sereia? Não temos como ter certeza, mas o modo como as histórias se conectam, já é suficiente para nos hipnotizar… E é o que essas criaturas são acostumadas a fazer mesmo <3





Camila Gomes





1
jul
Resenha de livro – A Sereia e o Monge por Sue Monk Kidd
em: Cultura

“A Sereia e o Monge” é um livro de romance/ficção publicado em 2005 da autora Sue Monk Kidd. A obra conta a história de Jessie Sullivan, uma mulher de 40 anos que vive uma vida normal e acomodada de esposa e mãe, até que se apaixona por um monge.

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Tudo começa quando Nelle, a mãe de Jessie, corta propositalmente o seu dedo indicador fora. Então, Jessie volta à sua cidade natal, uma pequena ilha na qual ela evitou desde sua formatura na faculdade por causa da tristeza que lhe causava ao lembrar a morte de seu pai, que ocorreu no local quando Jessie tinha apenas 9 anos. O plano era ficar apenas alguns dias para cuidar de sua mãe, mas ao conhecer o monge Irmão Tomás e se deparar com mistérios que acercam o a atitude de Nelle e o falecimento de seu pai, Jessie decide mudar a sua vida pacata por completo e descobrir mais sobre si mesma.

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Ok, e onde tem sereia nessa história? Na verdade, o livro não fala sobre sereias, mas o enredo gira em torno de uma. Quer dizer, várias. A ilha na qual Jessie nasceu tem como “padroeira” a Santa Senara, que assim como a Santa Murgen, foi uma sereia antes de ser santificada. Na abadia em que Irmão Tomás mora existe uma cadeira dessa santa, em que a população e turistas acreditam ter poderes milagrosos. Ou seja, os cidadãos da pequena cidade – e também quem passa por ela – acabam ficando bem de perto com lendas de sereias e suas figuras.

Além dessas referências (tem muitas outras, as sereias fazem parte da vida de todos os personagens, mas não posso me prolongar senão vira spoiler, rs), a protagonista Jessie acaba se identificando como uma sereia também, mais precisamente a própria Santa Senara. Segundo a lenda, que se difunde um pouco com a dos selkies, a sereia deixava sua cauda escondida para virar humana e ajudar os necessitados. Até que um monge se apaixona por ela e esconde a sua cauda, obrigando-a a ser humana para sempre e viver ao seu lado.

Ou seja, se você quer ler livros sobre sereias em si, procure outro, hehe (temos resenhas de vários aqui!). Independentemente, a leitura é interessante porque aborda o tema sereia – muitas vezes visto como infantil – ao mesmo tempo em que estamos falando sobre o amor entre pessoas com mais de 40 anos, e a busca insaciável pelo eu interior. Pois é, apesar de ter encontrado o livro numa prateleira de livros para crianças (que feio, hein, Saraiva!), é um dos mais maduros que já li.

Minha pequena representação de "A Sereia e o Monge" kkkk

Minha pequena representação de “A Sereia e o Monge” kkkk

E já que mencionamos santas sereias, uma curiosidade: apesar das histórias serem semelhantes e até mesmo originárias do mesmo local, a Santa Murgen e a Santa Senara não tem nada a ver uma com a outra. Enquanto a primeira realmente já foi considerada santa nos Anais Irlandeses, mas posteriormente renegada, a segunda é apenas uma lenda mesmo. A tal cadeira citada em “A Sereia e o Monge” existe de verdade, mas não fica nos Estados Unidos, e sim em Cornwall, na Inglaterra. E se você ficou curioso para ler mais sobre a Santa Murgen, indico fortemente o livro “Quando as Sereias Choram”, de Mirella Ferraz (já resenhamos aqui).

Cadeira da Santa Senara em Cornwall – Pela foto e descrição, não é nada parecida com a do livro de Sue Monk Kidd.

Cadeira da Santa Senara em Cornwall – Pela foto e descrição, não é nada parecida com a do livro de Sue Monk Kidd.

Falando em descrições… Apesar da autora de “A Sereia e o Monge” ser premiada e estar de parabéns pela sua extensa pesquisa para concluir sua obra (ela demorou quatro anos para escrever o livro!), achei que sua narrativa pecou. Demorou alguns capítulos para eu me prender, mas valeu a pena ter dado uma chance. Em se tratando de detalhamentos também deixou a desejar. E olha que sou uma pessoa que detesta aqueles tipos de livros que usam uma página inteira para descrever uma janela, por exemplo. Mas achei que faltaram detalhes sobre os personagens, detalhes que ajudam na imaginação, sabe? Para a minha alegria (e para quem já leu e sentiu o mesmo), existe um filme baseado na obra que nos ajuda nesse quesito!

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O longa leva o mesmo nome do livro (que, aliás, em inglês é “The Mermaid Chair”) e foi lançado em 2006 apenas para TV (já passou no Corujão da Globo!). A atriz Kim Basinger é quem dá vida à Jessie. Assista ao trailer abaixo:

Como se trata de um telefilme, é óbvio que não é aqueeeela produção nível Hollywood, né?! Para ser sincera, até estraga um pouco o livro, kkkk. A dica é ler primeiro para depois assistir (ou, então, nem assistir!). Sem contar que algumas coisas se diferem da obra original, mas nada que mude o percurso da história. Há algumas cenas com sereias e é isso que chama atenção. Só acho que tinham que ter caprichado um pouco mais no final!

Ficou curioso? No YouTube tem o filme na íntegra, mas em inglês e sem legenda.

Onde comprar o livro:

>> Saraiva





Camila Gomes