4
maio
As sereias de Lucas Werneck

Chegamos em maio, mês do já tradicional #MerMay! Se você não sabe o que é isso, clica aqui que a gente explica melhor. Basicamente, é quando os ilustradores desenham sereias e postam nas redes sociais com a hashtag #MerMay. Como já falamos disso mais detalhadamente no ano passado, esse ano resolvi focar em apenas um ilustrador de sereias, participante assíduo do #MerMay e um dos meus preferidos: Lucas Werneck.

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O Lucas é de São Paulo e desenha desde que se conhece por gente. Sua mãe jura que as sereias sempre estiveram presentes em seus rabiscos. A cultura pop é o que mais o inspira na hora de botar o lápis em ação.

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Para essa sereia acima, em específico, ele se baseou no rosto da atriz Megan Fox, e o cenário tem referências do quadro The Birth of Venus.

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Como superar essa Iara maravilhosa?

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Conheci o Lucas pelo Instagram porque, assim como eu, ele também é fã da Ariel e tem a sereia da Disney como uma de suas modelos preferidas. Já eu amo ficar caçando fan arts dela por aí, até que me deparei com uma feita por ele que amei tanto que fiz até “cosplay”!

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Vejam outras Arieis feitas por ele, uma mais linda que a outra:

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Se vocês gostaram, não deixem de acompanhar o Lucas pelas redes sociais (FacebookInstagram e Tumblr)! E também fiquem de olho na hashtag #MerMay, porque vale a pena, só tem obra de arte!!! *-*





Camila Gomes





27
fev
Projeto Folclore BR – A Pequena Yara por Awvas Art

O projeto Folclore BR é movimento em prol da releitura do folclore brasileiro, provando que nossas lendas e mitos nacionais podem ser tão ricos quanto qualquer outro. A ideia principal é inspirar e regar a plantinha do pensamento para, quem sabe, fazer florescer alguma vontade de criar obras inspiradas em nossa rica cultura. A arte e as histórias são criadas pelo artista Anderson Awvas.

No projeto, a sereia Iara se transforma na protagonista de uma adaptação do conto “A Pequena Sereia” de Hans Christian Andersen. Misturando questões atuais sobre sexualidade e unindo duas figuras que acompanharam a infância de muitos dos nossos leitores, eu tenho certeza que vocês vão amar! Vem comigo!

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SINOPSE

Yawara é um menino que seria o próximo na linha de sucessão como líder da sua grande família. Eles descendem da tribo indígena Araúna e procuram manter suas tradições, mas também tentam se atualizar aos novos paradigmas sociais.

Em seus sonhos, Yawara consegue conversar com a entidade Naiá, também conhecida como a estrela das águas (Vitória-régia), e confessa a ela que se sente como uma menina presa em um corpo de menino e por isso não poderia liderar sua família tradicionalista. Naiá lhe diz que isso não deveria impedi-la de ser quem ela é e que o melhor seria assumir o seu grandioso destino.

Ao contar a sua mãe sobre suas vontades, seu pai ouve e surge dizendo: “Você é uma abominação! Saia daqui! Você não merece estar nesta família e muito menos me suceder!” e ameaça ataca-la. A menina corre e no caminho se acidenta caindo no rio e é levada por uma forte correnteza.

Ela acorda no fundo do rio podendo respirar e se percebe diferente. Acolhida por seres místicos que vivem no fundo do rio, foi levada para um grande palácio que fica em um lençol freático no subterrâneo da cidade onde vive.

Neste lugar, Yara, como prefere ser chamada agora, foi recebida como uma princesa e permanece por lá por algum tempo. Ao saber que seu pai abriu uma empresa que está poluindo os rios, resolve retornar para sua cidade decidida a tomar o seu lugar, destruir a empresa e levar novos paradigmas para sua família.

Junto do emotivo Piraya, um peixe piranha vegetariano, Yara parte na mais importante jornada da sua vida em busca de reconhecimento, defesa da natureza e, paralelo a isso, tentará entender o mistério que envolve sua transformação neste ser místico cheio de habilidades.”

O autor incrementou a estória com outros elementos poucos convencionais, já que, de acordo com ele, a lenda original é muito confusa por ser uma mistura das lendas das sereias europeias com algumas histórias regionais, comuns na maior parte dos Estados cortados por grandes rios.

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Essas informações foram o suficiente para que Anderson pensasse em trazer um personagem trans e abrilhantar o projeto Folclore BR com um pouco mais de representatividade para crianças, sem querer tratá-las como e vivessem em uma bolha. Além de contar, de forma lúdica, toda uma trajetória das mudanças que uma mulher trans passa durante a vida, o conto traz questões como inclusão das tribos indígenas na sociedade atual e relação com a natureza.

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O peixe piranha inspirado na espécie Piraya é o mascote. Já na Yara, o artista adicionou esponjas e musgos ao que seria o cabelo da sereia para dar uma ideia afro, e a cauda seria como a barbatana de um peixe beta. Entretanto, o modo como ela estaria batendo as pernas daria a impressão de que seria uma cauda só, pois elas estão indo em lados opostos. O nome Yawara significa “cachorro” e Araúna (a tribo fictícia) significa “ave preta” em Tupi Guarani.

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Adaptações assim enriquecem ainda mais a nossa cultura, não é mesmo?! <3





Camila Gomes





17
jan
Moana: A sereia com pernas da Disney
em: Cultura

Hoje é a estreia da nossa nova colaboradora! Deem as boas-vindas a minha xará e conterrânea Camila Piccini (e sósia da Moana nas horas vagas – por isso, nada mais justo do que começar fazendo resenha desse filme!) <3

Olá, meu nome é Camila e eu sou a mais nova colaboradora do blog Sereismo. Eu nasci em Santos, tenho um pai surfista e uma mãe fissurada em praia. O que me fez crescer no meio de muitos campeonatos de surf com a minha mãe me arrancando do mar.

Quando saíram as primeira artes gráficas de Moana, eu fiquei tão feliz de ver uma personagem com um narizinho de batata, cabelo cacheado e que ama o mar, mas eu não sabia que esse filme seria tão especial para mim. A minha relação com a minha avó é algo que eu não consigo nem descrever de tão completa e intensa que era. Eu me sinto a pessoa mais feliz de lembrar tudo de bom que nós vivemos juntas. Pelos trailers eu já sabia que eu não seria capaz de assistir o filme com a dignidade intacta.

No terceiro dia depois da estréia, eu já tinha assitido ao filme duas vezes. Uma delas com a minha mãe, que reafirmou a minha lembrança de não sair do mar quando criança. Conversando com a Camila Gomes sobre o quanto o filme já tinha cativado um lugar especial para mim, ela me chamou para escrever sobre o ele e trazer algumas curiosidades, e eu não pude deixar de aceitar.

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Moana mal estreou e já quebrou recordes de bilheterias tanto nos EUA, quanto aqui no Brasil. Nós aqui do blog Sereismo já temos a licença poética de chama- la de sereia com pernas, já que como a própria personagem diz: “Sempre volto pra água, não consigo evitar“.

See the line where the sky meets the sea? It calls me.

A história da Moana se passa nas ilhas Polinésias. Elas ficam em uma área triangular compreendida entre o Havaí, Nova Zelândia e as ilhas de Páscoa. Isso explica uma certa semelhança com outra personagem conhecida nossa.

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Fan art Moana & Lilo por Judy Lavernehopps

Quando criança, o oceano escolheu Moana para encontrar o semi-deus Maui e restaurar o coração da deusa Te Fiti, evitando que a escuridão fosse espalhada pelo Pacífico. Moana cresceu, divida entre o chamado do oceano e suas responsabilidades como filha do chefe da tribo. Ao perceber que a escassez de peixes havia atingindo a costa da ilha de Motu Nui, ela sentiu que a resposta estava naquele chamado do oceano. Incentivada pelos conselhos de sua avó, Moana descobriu que seus antepassados eram navegadores e, em seguida, partiu em busca de Maui para salvar o seu povo. A jovem, então, consegue restaurar os costumes antigos de seus antepassados, retornando ao mar para descobrir novas ilhas.

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Saindo do desenho e trazendo para nossa história, a linha do tempo dessas navegações ainda não é cientificamente conclusiva. Thor Heyerdahl, um pesquisador, acreditava pela semelhança física, costumes agrícolas, que a Polinésia foi colonizada por sul americanos. Patrick Kirch, outro pesquisador, defende o oposto: os polinésios que foram de encontro aos ameríndios. Apesar da cronologia não definida, essa ligação entre os continentes existe e foi comprovada, no filme, através de um bichinho que arrancou muitas gargalhadas: Hei Hei. Em 2007, acharam em um sítio arqueológico no Chile com ossos de galinhas de DNA compatível com os galináceos da Polinésia. Como as galinhas atravessaram o Oceano Pacífico antes da colonização européia? Os arqueólogos e pesquisadores acreditam que elas eram levadas nas embarcações.

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A Disney sempre tem uma referência em suas histórias e, por isso, a nossa sereia com pernas não apenas resgatou o costume do seu povo, resgatando o costume de navegadores, mas ela também garantiu que um galo atravessasse o oceano, como na época das grandes navegações Polinésias!

E sendo uma personagem escolhida pelo mar, existem várias referências a Pequena Sereia em Moana também. Lin-Manuel Miranda, um dos compositores da trilha sonora, afirmou em seu Twitter que a música de Tamatoa, o caranguejo gigante, fala sobre caranguejos que comem humanos como uma forma de vingar Sebastião. E tem mais: quando Maui canta “You’re Welcome”, podemos ver o Linguado e, na cena pós-crédito, Tamatoa aparece de barriga para cima dizendo que, se tivesse sotaque jamaicano e se chamasse Sebastião, todos iriam ajuda-lo. Como não amar?

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Antes mesmo de estrear vários artistas criaram fan arts mostrando Moana interagindo com a Ariel. Por essas e outras, e principalmente por ter tantos elementos *sereísticos*, o novo filme da Disney mereceu ser citado por aqui, com o selo Disney de qualidade e emoção!