21
abr
Reportagem do Fantástico: Como ser sereia profissional por Mirella Ferraz

No último domingo, dia 16, o programa Fantástico da Rede Globo transmitiu uma reportagem sobre os treinamentos de uma sereia profissional. A matéria contou com Mirella Ferraz, a primeira sereia profissional brasileira que também foi a treinadora de Ísis Valverde para a novela A Força do Querer, onde a atriz interpreta uma personagem que nada com uma cauda. Eu e a Ellen Sato (a sereia Iara da vida real) tivemos a honra de participar também e nesse post vou contar tudo como foi 😀

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A gravação aconteceu numa quarta-feira chuvosa, dia 12, no Hotel Hilton em São Paulo. Primeiro nós três demos uma pequena entrevista: a Mi contou um pouco sobre o treinamento com a Ísis e também deu dicas para quem quer seguir a profissão de sereia; já eu e a Ellen falamos sobre a nossa relação com as sereias. Como a matéria tinha foco total na Mirella e em suas aulas com a Ísis, não tive oportunidade de falar sobre o blog. Ali eu era apenas uma aluna!

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Essa foi a minha primeira entrevista para a TV e, apesar de curta, já foi suficiente pra eu surtar kkkkkk. Fico naturalmente nervosa diante de câmeras, consequentemente rindo muito e falando qualquer coisa que viesse na minha mente. O resultado foi esse:

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QUERO SAIR DAQUI SEREIONA HUAHAUHAUHAUHAUA

Em seguida fizemos algumas imagens com a cauda sentadas nas cadeiras da piscina. Depois disso o jornalista Maurício Kubrusly chegou para gravar com a gente. Ele conversou com a Mi e eles relembraram da primeira vez que ela esteve no programa, há 5 anos. Foi a partir dali, em 2012, que a carreira como sereia da Mirella deslanchou.

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E então surgiu o grande momento: a hora de entrar na piscina! A ideia era mostrar a Mirella dando aulas de como nadar como uma sereia para mim e para a Ellen. Na edição final, as nossas cenas se intercalaram com as aulas que a Mi deu para a Ísis quando esteve no Rio de Janeiro, no ano passado, para a preparação da novela (contamos mais detalhes sobre nesse post aqui, lembram?).

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Apesar de eu já ser um tiquinho familiarizada com nado com cauda, eu não domino técnica alguma e, como eu disse na entrevista, o que eu sei qualquer um faz, me jogo na água e me viro nos 30, huahuaha. Aliás, meu nervosismo era tanto que eu mal consegui fazer as acrobacias que a Mi ensinou. De qualquer forma, e mesmo com o tempo curto, deu para pegar várias dicas valiosas, principalmente a ondulação do quadril.

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Fiquei super feliz de ter tido essa oportunidade de aprender com a sereia mais profissional de todas. Saí de lá não querendo sair (quer dizer, nenhuma de nós queríamos sair daquela piscina quentinha!) e querendo muito mais aulas! Agradeço imensamente a Elaine Camilo, produtora do Fantástico, que fez essa matéria linda acontecer, à toda equipe de gravação (todos muito gente boas!) e, em especial, a minha irmã das águas Mirella que me indicou e me proporcionou um dia divertidíssimo e inesquecível <3

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É muito legal ver como o Sereismo e seus adeptos estão se destacando e ganhando respeito e admiração cada vez mais. Isso vem acontecendo antes mesmo da novela acontecer, porque nossa ligação com esses seres e com a água é genuíno. Nosso encantamento virou interesse público e encantou outros também. Quando essa mania de sereias passar, sabemos que o interesse por nós irá embora junto, mas o importante é que o cardume que montamos permanecerá. Afinal, a novela ajudou a reforçar a moda que já estava bombando, mas a conquista é toda do nosso cardume! <3

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Camila Gomes





20
abr
Canal norte-americano Freeform lançará seriado sobre sereias em 2018

Siren é o título do novo seriado do canal norte-americano Freeform e tem estreia prevista para o verão de 2018 no hemisfério norte, ou seja, entre junho e setembro.

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A notícia do seu lançamento é fresquíssima: a página oficial no Facebook, juntamente com o trailer, foram criados/divulgados ontem. Na trama, uma cidade litorânea chamada Bristol Cove é conhecida por uma lenda que diz que o local já havia sido o lar de muitas sereias. O surgimento de uma garota misteriosa começa a provar a todos os cidadãos que a lenda é real, então uma batalha entre homens e o mar toma um rumo vicioso onde esses seres místicos voltam a exigir seus direitos sobre o oceano.

A série traz Alex Roe como Ben, um biólogo marinho que se encontra fascinado por uma garota misteriosa recém-chegada a cidade, Ryn, interpretada por Eline Powell, que guarda um segredo sombrio. A atriz Fola Evans-Akingbola faz o papel de Maddie, colega de profissão de Ben que mantém uma grande desconfiança de Ryn. O elenco também conta com Ian Verdun como Xander, um pescador determinado a saber a verdade sobre a lenda; e Rena Owen como Helen, uma mulher conhecida na cidade por ser excêntrica e que parece saber muito mais sobre sereias do que ela mesma diz.

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A narrativa é assinada por Eric Wald e Dean White, também produtores executivos da série. O canal Freeform já encomendou 10 episódios (que terão uma hora de duração cada) então vamos torcer para que seja sucesso e venham muito mais!





Camila Gomes





19
abr
A lenda de Ipupiara

Hoje é o Dia do Índio, primeiros habitantes da nossa terra e responsáveis por enriquecer nosso riquíssimo Folclore. A lenda local mais famosa é da nossa sereia Iara. Já falamos da Iara nesse post aqui e re-contamos uma releitura super atual que faz parte de um projeto com várias lendas antigas. Mas a Iara não é a única “sereia” da nossa cultura indígena. Além dela, temos o Uiara, conhecido pela lenda do boto cor-de-rosa (que eu prometo falar mais em breve) e o Ipupiara ou Hipupiara, considerado a origem da Iara.

Para quem não sabe, eu nasci em São Vicente, cidade vizinha de Santos e também a primeira vila do Brasil. Sempre gostei muito do Folclore brasileiro e, quando era criança, minha madrinha costumava me levar para andar de patinete no parque do Ipupiara. Eu era apaixonada pela lenda: chegava na praça, lia novamente a lenda, jogava moedas na fonte e fazia pedidos.

Ipupiara na interpretação do artista Mello Witkowski Pinto, Jardim Botânico Plantarum (Nova Odessa-SP)

Ipupiara na interpretação do artista Mello Witkowski Pinto, Jardim Botânico Plantarum (Nova Odessa-SP)

Assim como toda lenda, o mito tem várias versões. Mas eu conheci assim:

“No ano de 1564, a jovem índia, subordinada de Baltasar Ferreira, Irecê, estava apaixonada por um índio chamado Andirá e ambos se encontravam à noite às escondidas, na praia de São Vicente. Um dia Irecê foi à praia esperar pela canoa de Andirá, que costumava vir de Santos. O encontro não aconteceu: Irecê achou a canoa vazia e Andirá havia sumido. Ao lado do barco surgiu o gigante marinho Ipupiara. Irecê saiu correndo em busca de ajuda e foi acordar o capitão Baltasar.

Baltasar levantou-se rapidamente, pegando em uma espada que tinha próximo da cama. Vestindo apenas a roupa com a qual dormia, saiu porta afora, certo de que talvez fosse apenas alguma onça ou outro animal da terra, certo de que a índia tinha se equivocado.

Olhando para o lugar que a índia lhe apontava, viu pouco nítido o vulto do monstro ao longo da praia, mas sem ter certeza do que realmente era, pois estava muito escuro. O animal que avistava era muito diferente dos que conhecia. Aproximando-se para vê-lo melhor acabou sendo visto pelo monstro que levantou a cabeça e, assim que o viu, começou a caminhar em direção ao mar do qual viera. Foi quando Baltasar percebeu que era um animal marinho.
Antes que o monstro conseguisse voltar ao mar, Baltasar colocou-se diante dele. O monstro vendo que ele bloqueava seu caminho levantou-se, ficando de pé como um homem, apoiado nas barbatanas de seu rabo. Baltasar acerta-lhe com a espada na barriga e desvia-se rapidamente, escapando de ficar por debaixo do monstro, que caía no lugar onde encontrava-se o rapaz. Escapou de ser esmagado, mas não do grande jorro de sangue que saiu da ferida e acertou-lhe no rosto, quase cegando-o. O monstro, ferido e gritando, arrastou-se com a boca aberta, pronto a cravar unhas e dentes em seu atacante. Baltasar dá-lhe outro golpe profundo na cabeça, ficando o monstro já muito débil. Tenta novamente chegar ao mar. É então que aparecem alguns escravos alarmados pelos gritos da índia, que estava a ver tudo. Aproximando-se do monstro o encontraram já quase morto, levando-o à povoação onde, no dia seguinte, ficou exposto aos olhos de toda a gente da terra. Baltasar mostrou-se um bravo homem neste combate – era considerado por todos da terra como um rapaz muito esforçado. Saiu muito perturbado e desorientado desta batalha, sem alento com a visão deste animal medonho. Quando o pai perguntou-lhe o que aconteceu, não soube responder. Ficou assustado, sem falar coisa alguma por muito tempo.”

Adaptação livre do original “Do monstro marinho que se matou na Capitania de Sam Vicente, anno 1564”, do livro História da Província de Santa Cruz, de Pero de Magalhães Gândavo (1575).

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Ipupiara sendo morto por Baltasar Ferreira, em ilustração do livro História da Província de Santa Cruz, de Pero de Magalhães Gândavo.

O Ipupiara, do Tupi, significa demônio d’água. Diz-se que o monstro marinho tinha três metros de altura e matava as pessoas abraçando-as até sufocar. Como toda lenda tem um fundo de verdade, os historiadores e biólogos locais acreditam que o Ipupiara seja, na verdade, um leão marinho vindo da patagônia que se perdeu pelo litoral paulista. 

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Acredita-se que no século XIX houve uma romantização da lenda, misturando com histórias de origens europeias como as nixes, loreleis e as Janas, resultando na nossa Iara.

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O local que teria acontecido toda essa história seria na Praça 22 de janeiro (onde eu andava de patinete) ao lado da Biquinha. Em 1999 foi erguido uma estátua com uma fonte (onde eu fazia pedidos) e carpas. Apesar de ter ficado muito tempo abandonado, houve uma campanha chamada “Salve o Ipupiara” que buscava a revitalização do ponto turístico. 

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Estátua do Ipupiara na Praça 22 de janeiro.

Por Camila Piccini