30
jun
As dubladoras da Ariel

Ontem foi o Dia do Dublador e esses profissionais merecem todas as homenagens do mundo, afinal suas vozes marcam a nossa infância! No nosso caso, a que temos mais carinho são as donas das vozes da Ariel, de A Pequena Sereia da Disney – sim, é mais de uma voz. Vamos enaltece-las? Vem conhecer essas mulheres maravilhosas e saber mais curiosidades <3

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VERSÃO INTERNACIONAL

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Jodi Benson, com seus 23 anos na época (A Pequena Sereia foi lançado em 1989), foi considerada a voz perfeita para os diálogos e as canções da sereia. Ela é a Ariel em todas as mídias que a ruiva aparece: filme original, sequências e na série televisiva da Disney Channel (1992-1994).

Assista abaixo Jodi durante as gravações da música tema de Ariel para o primeiro longa:

A cantora soprano, nascida nos Estados Unidos, é muito querida pela Disney, já que é sempre convidada para diversos eventos que a empresa promove, e na maioria deles se apresentando com Part Of Your World.

VERSÃO NACIONAL

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No Brasil escolheram duas vozes diferentes para Ariel: Marisa Leal ficou com os diálogos, e as canções ficaram por conta da cantora Gabriela Ferreira. A moça ficou famosa quando criança por cantar ao lado de Roberto Carlos e Xuxa nos anos 80.

Porém, quase 10 anos depois do lançamento do filme, resolveram redublar as músicas. Em 1998, A Pequena Sereia foi relançado no Brasil com uma nova voz nas canções da sereia – e isso não era a única novidade, já que as letras também possuíam mudanças. O motivo divulgado para as alterações seria porque queriam uma voz mais madura para Ariel, mas há quem acredite que as fitas originais se perderam ou foram danificadas e, na hora de remasterizar a animação, tiveram que gravar novamente. A verdade é que isso nunca foi totalmente esclarecido. A redublagem, então, passou ser a mando de Kiara Sasso.

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Essa troca gerou uma divisão de opiniões entre os fãs Disney. Há quem prefira Kiara, há quem prefira Gabriela. E isso não vai só na questão da voz, já que a letra também foi modificada e uma geração cresceu cantando a mais antiga, enquanto os mais novos cantam a mais recente.

Quando uma pessoa que foi criança nos anos 90 encontra uma que foi criança nos anos 2000. huahua

Já na série A Pequena Sereia da Disney Channel, que foi ao ar de 1992 a 1994, a voz de Ariel nas músicas é de Kika Tristão. Sua voz pode ser identificada em vários filmes da Disney dos anos 90 e isso faz com que ela seja muito admirada pelos Disneymaníacos!

Vídeo: Kika foi abordada por um fã e cantou algumas músicas que dublou para a Disney – tente não se emocionar! Ela cantando as músicas da série da Pequena Sereia começa aos 1:27.

Sobre as cantoras… Gabriela Ferreira acabou não seguindo a vida artística, mas Kiara e Kika são renomadas e talentosas cantoras em atividade até hoje. No caso de Kiara, ela também é atriz de musical e em seus shows solo sempre inclui a música Parte Do Seu Mundo no repertório. Além de estar presente na redublagem do filme original, Kiara também dubla as canções de A Pequena Sereia II.

Mas se tem uma voz que mexe com a gente e que nunca foi alterada é a de Marisa Leal. A carioca atualmente tem 58 anos e, além de dubladora, é também atriz, cantora, diretora de dublagem e locutora. Assim como Jodi na versão internacional, Marisa é a Ariel nos diálogos em todos os filmes e no seriado, sendo que no filme A Pequena Sereia III é ela quem dubla as canções também.

Nosso parabéns pelo dia de hoje vai não só para essas heroínas da nossa infância, como também para todos os outros profissionais desse elenco que segue nos encantando! Conta pra gente qual dessas vozes mais te traz nostalgia <3





Camila Gomes





28
jun
A animação da Disney Atlantis, O Reino Perdido

Quando falamos de Disney e conexão com o mar pensamos logo na Pequena Sereia (hoje também lembramos da Moana), não só porque a Ariel é a única princesa sereia da franquia, mas também pela importância do filme, que marcou o início da era renascentista da Disney, época das maiores e mais famosas produções do estúdio.

Apesar de ser apaixonadíssima pela Úrsula (os testes do Facebook já me garantiram que somos a mesma pessoa), nunca fui muito apegada particularmente a Ariel. Eu era o Sebastião da história. O que você tá vindo fazer aqui no mundo humano, Ariel?

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Eu fui criança nos anos 90 e acompanhei a Disney lançar um clássico por ano, e lembro até de acompanhar a produção de Tarzan, o último da era renascentista e dos anos 90, que prometia mesclar o visual 2D com a técnica 3D para animar o Tarzan deslizando nos galhos, que por sinal foi inspirado no movimento dos surfistas.

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Em 2000, tivemos a Nova Onda do Imperador, que já era diferente dos filmes dos anos 90, mas também é muito bom. Até que chegou o ano de 2001 e o assunto desse post: Atlantis, O Reino Perdido.

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Atlantis lembra um certo nome: Atlântida. Essa misteriosa localização foi mencionada por Platão, como um continente que afundou no Oceano Atlântico. É sempre mencionado nas literaturas como o reino de sereias ou um reino submerso – que é o caso da Pequena Sereia e Aquaman.

Atlântida de Aquaman (DC Comics)

Atlântida de Aquaman (DC Comics)

Atlântida de Pequena Sereia (Disney)

Atlântida de Pequena Sereia (Disney)

Os produtores resolveram investir em uma produção um pouco diferente das produções comuns da Disney. O longa seria produzido sem música e, para manter o ritmo, eles apostaram nas cenas de ação. Eles se inspiraram no romance “Viagem ao Centro da Terra” para traçar a linha exploradora do filme, visitaram trilhas subterrâneas e museus, tudo para dar a Atlantis o visual de “todas as arquiteturas unidas em uma arquitetura mais primitiva”. A concepção da cidade circular de Platão foi mantida. Além dessas pesquisas, os produtores pesquisaram a concepção do clarividente Edgar Cayce, de onde surgiu a ideia da longevidade fornecida aos cidadãos de Atlantis através de um cristal.

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Visualmente, Atlantis foi o filme que mais usou recursos de computador até a época. O formato de tela em que foi produzido também é diferente, sendo um formato mais panorâmico para valorizar a vista da cidade perdida.

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O estilo visual é de Mike Mignola, criador do quadrinho Hellboy. Até mesmo um linguista foi chamado para produzir um idioma nativo; Marc Okrand, criador do Klingon de Star Trerk, criou o alfabeto Atlante, cuja letra “A” representa o mapa da cidade e a localização do cristal.

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Um texto atlante é lido da esquerda para direita na primeira linha, da direita para esquerda na segunda, e assim sucessivamente, a fim de simular o fluxo da água. Eu lembro que, na época, a divulgação estava pesadíssima e o McDonalds oferecia na caixinha do Mc Lanche Feliz esse alfabeto (eu me sentia muito atlante escrevendo coisas secretas).

Inicialmente, o protagonista Milo Thatch seria descendente de Edward Teach, o pirata Barba Negra. Os produtores preferiram que o filme tivesse um caráter mais explorador e aboliram essa ideia, mas mantiveram o sobrenome de Thatch.

Sinopse

O filme inicia-se em meio a uma confusão na qual Atlântis está afundando. A rainha é atraída para um mágico cristal poderoso, deixando para trás a pequena princesa Kida e o rei Kashekim, e a cidade afunda.

Milênios depois, em 1914, Milo Thatch é um cartógrafo que acredita ter encontrado a localização correta de Atlantis. Dada as suas falhas tentativas, Milo é motivo de piada no instituto onde trabalha. Após mais uma recusa, Milo é surpreendido por uma atraente mulhe que se chama Helga Sinclair, representando o milionário Whitmore. Whitmore trabalhou em uma expedição com o avô de Milo, que encontrou o diário de Atlântis no local onde Milo acreditava ser o correto. Milo então parte para Atlântis a bordo do submarino Ulysses comandado por Lyle Rourke. O submarino é destruído pelo Leviatã, monstro robótico que guardava a entrada da cidade. A expedição segue por uma caverna igual a mencionada no diário.

Em uma noite acampando, a princesa Kida desiste de atacar os navegantes por acreditar que Milo poderia ajudar a resolver o problema da cidade. Ela conduz toda a expedição a cidade perdida, que surpreendentemente ainda tinha habitantes. Kida confessa que eles estão cada vez mais sem energia e pede a ajuda de Milo, pois ela já esqueceu como lê o idioma nativo. Ao retornarem são surpreendidos pelos integrantes da expedição os aprendendo, que não contava com atlantes vivos e só queriam dinheiro. Ao achar a fonte da energia da cidade o cristal, kida também é atraída como sua mãe em forma de sacrifício. Rourke decide levar a princesa Kida como cristal para provar a existência da cidade, mas os outros tripulantes desistem de seguir esse caminho, pois resultaria na morte dos nativos. É quando se inicia as cenas de ações com Rourke e Helga tentando fugir (primeiro juntos, depois cada um por si), mas felizmente, os tripulantes aliados aos nativos atlantes conseguem recuperar a princesa Kida e o cristal.  Milo decide ficar em Atlantis, ao lado da agora rainha Kida, enquanto os sobreviventes da expedição enriquecem apenas provando que o local era real.

A expedição contava também com:

  • Vinny Santorini, um italiano especialista em demolição;
  • Joshua Sweet, um oficial médico;
  • Wilhelmina Packard, uma operadora de rádio extremamente cínica e sarcástica, que não para de fumar;  
  • Audrey Ramirez, a mecânica (ela conta uma história genial de como seu pai queria dois filhos, um para ser mecânico e outro campeão de luta, mas ela e a irmã conseguiram isso);
  • Cookie Farnsworth, um cozinheiro.
  • Molière, um escavador francês que age como uma toupeira.

Ao ser questionada de sua idade, Kida menciona ter mais de 8000 anos. Estima-se que a vida de um Atlante equivale a 300 anos humanos, então Kida teria aproximadamente 28 anos. A aparência dela se assemelha a Tempestade e a Princesa Yue (das terras da água) de Avatar.

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Infelizmente, todo esse ar de ficção científica, junto com a novidade 3D entrando no mercado com tudo no longa Shrek, fez com que o filme da Disney não tivesse o desempenho esperado. O retorno abaixo das expectativas começou nas bilheterias, e a série animada virou uma compilação de episódios reunidos em um filme. No entanto, minha maior frustração é que a Disneyland planejava uma atração subaquática com a temática do filme no parque, que também foi cancelada.

A crítica ficou bem dividida, e chegaram a salientar que um dos maiores problemas era não parecer um filme infanto-juvenil, e considerou o problema como sendo o público alvo indefinido. De qualquer forma, esse filme é considerado como o longa cult das animações da Disney, e pra mim, a repercussão mais injustiçada do estúdio.

Tô aqui torcendo para que essa onda de live action arraste Atlantis e o filme tenha o reconhecimento merecido!

Por Camila Piccini










26
jun
As Ninfas da Mitologia Greco-Romana
em: Cultura

Uma das mais famosas mitologias é a greco-romana, conhecida por seus deuses luxuriosos, seus heróis épicos e por seus mitos que recontam a origem Terra. Além dos deuses e semideuses, existem outras figuras da mitologia que são amplamente difundidas, como é o caso das sereias, mas hoje eu vou falar das Ninfas. As ninfas são espíritos femininos ligados a um aspecto específico da natureza e muitas compõem a genealogia dos deuses. Embora não fossem imortais, possuíam a vida muito longa e não envelheciam. Desta maneira, também eram cultuadas e temidas pelos mortais.

Por Paul François

Por Paul François

Como espíritos da natureza, existiam grupo de ninfas das colinas, campos cultivados, cavernas, flores, bosques e diversas outros, incluindo as ninfas das águas. As ninfas que representam as águas são:

  • Oceânides: das águas do oceano;
  • Nereidas: das águas dos mares;
  • iades: das águas das fontes.

Na mitologia grega, essas três figuras representavam a juventude eterna e protegiam quem se banhasse nas suas águas, além de conceder fertilidade quem bebesse das suas fontes.

AS OCEÂNIDES

Na mitologia greco-romana, as ninfas Oceânides são filhas do titã Oceano com a titânide Tétis. Eles eram irmãos e deuses primitivos da mitologia grega. Enquanto Oceano personificava os oceanos, Tétis era a deusa dos aquíferos subterrâneos, ela quem deu origem a todas as fontes, nascentes e rios presentes no mundo. Suas filhas oceânides são coroadas com flores e acompanham o seu cortejo. Tétis se locomovia em uma concha de marfim.

Poseidon, Oceano e Tétis

Poseidon, Oceano e Tétis

As Oceânides são as ninfas do fundo de águas inacessíveis. Embora descritas pelo poeta Hesiodo como responsáveis por alguns fenômenos marítimos, elas também tinham algumas características individuais como Métis, que representava a astúcia. Os poetas mencionam que Tétis e Oceano geraram 3 mil Oceânides. Algumas dessas ninfas das profundezas marítimas se destacaram e estão na genealogia de nomes famosos da mitologia grega:

  • Métis: Conhecida como a mais célebre das oceânides, foi a primeira esposa de Zeus. Ao saber que ela estava destinada a gerar um filho poderoso e uma filha astuta, Zeus engoliu Métis viva. A ninfa já estava grávida e posteriormente, da cabeça de Zeus, nasceu a deusa Atena já adulta e armada para guerra.
  • Eurínome: Teve com Zeus três filhas, conhecida como as três graças. As três graças foram uma grande inspiração da arte renascentista. Elas fazem parte do cortejo da deusa Afrodite.
  • Clímene: Com o titã Jápeto, gerou a segunda geração de titãs Epimeteu (marido de Pandora), Prometeu (roubou o fogo dos deuses), Atlas (sustenta os céus nos ombros) e Menoécio.
  • Dóris: Dóris é a oceânide que dá continuidade a próxima categoria de ninfas: as Nereidas. Ela se casou com Nereu, “o idoso do mar”, e tiveram 50 filhas (Nereidas) e um único filho homem, Nérites. Nérites foi o primeiro amor de Afrodite antes dela subir ao monte Olimpo. Ela chegou a convidá-lo para ir com ela, mas ele recusou, despertando a fúria da deusa que o transformou em um molusco do mar. Juntos, Dóris, Nereu e as Nereidas compartilhavam as águas do mar Egeu.
  • Dione: Existem duas versões da história da Dione, que identificam o surgimento de Afrodite. Em uma delas, Dione é a deusa das ninfas e Zeus se apaixona por ela. Desta relação nasceu a deusa Afrodite, deusa do amor e da beleza. Quando Dione é retratada apenas como oceânide, o surgimento de Afrodite é atribuído a castração de Urano. Cronos teria cortado as genitais de seu pai e atirado ao mar. Essa ação teria fecundado Tálassa, personificação do mar, e dessa espuma originou-se Afrodite. Como as duas histórias são amplamente aceitas, os gregos solucionaram o caso oficializando as duas Afrodites. A Afrodite Urânia, que representa o amor celestial, divino e de corpo e alma. A Afrodite Pandemos é a filha de Zeus e Dione, representa o amor físico e desejos lascivos. O nascimento da Afrodite Urânia, correspondente romana de Vênus, é retratado em um dos quadros mais icônicos: O Nascimento de Vênus.
As três graças em detalhe no quadro Primavera de Botticelli

As três graças em detalhe no quadro Primavera de Botticelli

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Talassa, personificação do mar

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Nascimento de Vênus por Botticelli

AS NEREIDAS

As Nereidas eram belas ninfas do mar, conhecidas por serem gentis, ajudarem os marinheiros e por conquistar o coração dos homens. Filhas de Nereu, um deus marinho. Elas se locomoviam em golfinhos ou em cavalos marinhos e trazem a mão um tridente, uma coroa ou pedaço de coral. Existem representação de Nereidas como sereias. A única história envolvendo Nereidas na qual elas acabam prejudicando alguém é o sacrifício de Andrômeda. A mãe de Andrômeda se gabou de ter uma filha mais bela que as Nereidas. Inconformadas com a arrogância da mortal, as Nereidas pediram a Poseidon que tomasse uma providência. O deus exigiu que o rei da Etiópia, pai de Andrômeda, sacrificasse a filha a um monstro marinho. O rei acorrentou a filha em um rochedo, para o monstro do marinho Ceto, mas a jovem foi salva por Perseu, com quem se casou.

nereidas_por_gustavodore

Por Gustavo Doré

As três Nereidas mais famosas são: Galatéia, Tétis e Anfitrite.

Galatéia muitas vezes é confundida com a musa de Pigmalião, o escultor que se apaixonou pela sua estátua e pediu a Afrodite que de desse vida a sua criação. Mas a história da Nereida também é bem famosa. Galatéia se apaixonou pelo belo Ácis, filho do deus Pã com uma ninfa. Mas sua beleza também encantou o ciclope Polifemo, filho de Poseidon. Uma tarde, o ciclope encontrou o casal repousando pelo mar e perseguiu Ácis até conseguir esmagá-lo com uma pedra. Galatéia reviveu seu amado convertendo-o em um rio de águas claras e se atirou ao mar indo viver nas ondas. Galatéia costumava andar em uma carruagem de concha puxada por golfinhos e foi assim retratada em um afresco.

Triunfo de Galateia por Rafael Sanzio

Triunfo de Galatéia por Rafael Sanzio

Tétis era a mais bela das Nereidas. Na nossa língua é confundida com a sua avó Titanite, mas a escrita grega é diferente. Ela foi criada por Hera e a deusa tinha grande gratidão pela Nereida ter recolhido e cuidado do seu filho Hefesto, que foi atirado ao mar por ter nascido deficiente. Os encantos de Tétis, chamaram a atenção de Zeus e Poseidon. Tétis era muito fiel a deusa Hera, e nunca cedeu às investidas de Zeus. Uma profecia dizia que Tétis teria um filho ainda maior que seu pai. Assim, Zeus apressou-se em casar Tétis com um mortal para evitar que a Nereida desse a luz a alguém mais poderoso que os deuses. Da união de Tétis e Peleu, nasceu o herói da guerra de Tróia, Aquiles. Quando Aquiles nasceu, Tétis o mergulhou no rio Estige com a intenção de sumir com seu lado mortal. Deixou vulnerável apenas o calcanhar pelo qual o segurava, e assim surgiu a expressão calcanhar de Aquiles. Foi também no casamento de Tétis que se inicia o mito da guerra de Tróia. Éris, a deusa da discórdia, não foi convidada para o casamento da Nereida e jogou “o pomo da mais bela” na festa. As três deusas mais poderosas, Atena, Afrodite e Hera disputaram o título e para julgar, os deuses escolheram o jovem Páris, que escolheu Afrodite em troca do amor de Helena.

Tétis e Aquiles por Peter Paul

Tétis e Aquiles por Peter Paul

Já Anfitrite é a esposa de Poseidon. A princípio, recusou as investidas do deus dos mares, pois ele havia sido rude com ela. Ela se escondeu durante um ano em uma caverna e apenas a sua mãe, Dóris, sabia o seu paradeiro. Zeus procurou a oceânide para descobrir o paradeiro de Anfitrite, pois o irmão estava desolado. Anfitrite acabou se casando com Poseidon e é conhecida como a soberana dos oceanos. Foi também desta relação que surgiu o deus marinho Tritão. Atribui-se a Tritão a representação masculina de uma sereia. Ele era muito fiel aos interesses de seu pai. Na cultura popular, ele é ninguém menos que o pai de Ariel. Anfitrite, assim como Hera, sofria as mais variadas traições, mas ao contrário da deusa, ela não se importava.

Anfitrite e Poseidon por Jacob Gheynll

Anfitrite e Poseidon por Jacob Gheynll

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Triunfo de Anfitrite por Hugues Taraval

AS NÁIADES

Por fim, temos as ninfas das fontes chamadas de Náiades. Elas possuíam o dom da cura, profecia e deixavam os humanos beberem de suas águas, mas jamais poderiam se banhar. Os infratores eram penalizados com amnésia, doenças e até mesmo a morte. Também possuíam certos poderes sobre as águas. Há divergência da genealogia das Náiades, mas na Ilíada de Homero atribui como genitor Zeus. Há poetas que atribuem a origem das Náiades ao Oceano. As Náiades também são associadas às sereias por possuírem uma bela voz.

Há cinco tipos de Náiades:

  • Crineias: Habitam as fontes;
  • Limnátides (ou limneidas):  Habitam os lagos;
  • Pegeias: Habitam as nascentes;
  • Potâmides: Habitam os rios;
  • Eleionomae: Habitam os pântanos.
Por John William

Por John William

As Náiades dos rios, Potâmites, atraíram o herói Hylas para as águas durante a expedição dos argonautas. Hércules (Héracles) foi atrás de Hylas e o navio partiu sem ele. Entre as ninfas dos lagos, destacou-se Salmácis, que se apaixonou pelo Hermafrodito, filho de Hermes e Afrodite, enquanto ele se banhava em suas águas. Salmacis o agarrou e pediu aos deuses para que nunca mais se separassem. Atendendo o pedido da Náiade, os deuses uniram a ninfa ao rapaz, transformando Hermafrodito em um ser andrógino, homem e mulher.

A mitologia grega é por muitas vezes confusas e uma coisa acaba levando a outra. Eu tentei focar nas ninfas para mostrar como as protetoras das águas estão nos bastidores, e muitas vezes, no centro de grandes mitos.

Por Camila Piccini