9
jan
Bastidores da novela global “A Força do Querer”

A próxima novela das 21h da Globo, A Força do Querer, terá Isis Valverde no papel de Ritinha, uma jovem que acredita ser filha do boto cor-de-rosa e sonha em ser uma sereia. A personagem é inspirada em Mirella Ferraz, a paulista que trabalha como sereia profissional em aquários e eventos há 10 anos, pioneira no ramo aqui no Brasil. Mirella passou o último mês de setembro com a Isis no Rio de Janeiro, a treinando para viver Ritinha e a ensinando tudo sobre o movimento Sereismo (contamos mais detalhes nesse post aqui). O folhetim tem estreia prevista para o dia 3 de abril e, como as filmagens já começaram, vou contar tudo que já sabemos – por enquanto – sobre essa história escrita por Gloria Perez que promete encantar o país inteiro!

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A primeira foto de Isis caracterizada como Rita foi publicada pela própria Gloria em seu Instagram. Logo a compararam com a personagem Marimar, de Thalía. O registro foi feito em São Paulo, onde parte das gravações acontecerão – afinal Rita trabalhará como sereia no aquário da capital, nadando e entretendo visitantes. A imagem mostra Isis com uma cauda feita com um material que lembra lantejoulas azuis, brancas e pretas. Especula-se que essa seja a primeira cauda da personagem. A ideia seria mostrar Rita começando sua carreira como sereia usando uma cauda simples customizada por ela própria, assim como aconteceu com a Mirella na vida real.

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No último fim de semana Isis e Marcos Pigossi, que fará Zeca, o par romântico de Rita, foram flagrados gravando cenas da novela em Belém do Pará. As fotos tiradas por pessoas que acompanharam a gravação mostram Isis usando uma cauda laranja de silicone. Provavelmente, a essa altura, a personagem já terá certa experiência como sereia profissional (aliás, só eu acho que a Globo se inspirou na Madison, do filme Splash, para compor essa cauda? rs).

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Marcos aparece carregando Isis nas costas, confirmando que Rita deverá dar bastante trabalho ao noivo. Para muitos, a personagem deve ser vista como vilã, mas não significa que ela será má pessoa. Na verdade, Rita irá agir como uma sereia é retratada nas lendas: uma mulher livre, excêntrica, que não liga para o julgamento dos outros e gosta de seduzir. Ela formará um quadrado romântico com Zeca, Jeiza (Paolla Oliveira) e Ruy (Fiuk).

CURIOSIDADES – O QUE ERA PRA SER…

  • O primeiro título da novela era A Flor da Pele, mas por questões de direitos autorais, a autora Gloria Perez foi obrigada a trocar para A Força do Querer;
  • A ideia inicial da Globo era comprar ou alugar caudas internacionais, a própria Isis ficou encantada com o trabalho do Mertailor. Porém, resolveram abandonar essa proposta (provavelmente para economizar) e as caudas acabaram sendo feitas pela equipe de caracterização de efeitos junto aos figurinistas da Rede Globo. A Julianna Prado, do canal ShiuJulianna, foi contratada para fazer parte do staff e ela ensina como fazer uma cauda de silicone nesse vídeo aqui.
  • Gloria Perez pensou em ter mais de uma sereia profissional na novela. Originalmente teríamos Ísis e mais uma loira e uma negra. Depois, tentaram chamar Thati Lopes, do Porta dos Fundos, para ser uma sereia do núcleo cômico – ela seria uma sereia desengonçada amiga de Rita. Como Thati não conseguiu conciliar sua agenda, as outras sereias foram descartadas e teremos somente a Rita mesmo.

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Continuem ligados aqui no blog que traremos mais informações a medida que forem divulgadas!!! Enquanto isso, já podemos começar a contagem regressiva para ver #AForçaDoSereismo com tudo no Brasil *-*





Camila Gomes





28
dez
Sereias Famosas – Annette Kellerman, a primeira Sereia dos Cinemas

Olá pessoal do Mar!!!

As Sereias encantam o imaginário de todos nós a bastante tempo não é mesmo? Nas regiões litorâneas sempre tem alguém que fala sobre elas (ou seriam nós?) de forma encantadora. Nas praias, é bem comum encontrarmos pinturas e estátuas imponentes mostrando quem é a nativa do lugar. Na literatura, são as belas que nos apresentam o seu universo marinho, despertando em nós um fascínio pelo mundo subaquático. E, finalmente, nas obras cinematográficas, temos a chance de ver e imaginar como seria a vida em seu Reino.

Desde a infância guardamos na memória uma lista com os filmes de sereias que nos fascinaram. As personagens, os figurinos e o mais importante de tudo: as suas maravilhosas caudas. E a partir disso passamos a sonhar em nos tornar uma Sereia também.

Agora, vocês conseguem imaginar desde quando as sereias aparecem nas telas dos cinemas? A resposta é: há mais de cem anos!!!

Quem deu início a esta saga encantadora foi uma bela Sereia chamada Annette Kellerman.

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Annette nasceu na Austrália no dia 06 de julho de 1886. Na infância, a bela sofria de uma doença (conhecida na época como raquitismo) que causava fraqueza nas pernas. Como métodos de tratamento, ela precisava usar cintas de aço para dar sustentabilidade e força aos seus membros inferiores. Aos seis anos de idade, os pais de Annette decidiram colocar a filha nas aulas de natação para, assim, amenizar um pouco o sofrimento da menina. E este foi o melhor presente que ela poderia receber! A conexão e a interação com a água a curou e aos treze anos as suas pernas estavam praticamente normais.

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Na rotina subaquática, Annette despertou a Sereia que habitava dentro dela. Aos quinze anos ela já havia aprendido todos os segredos da natação. Ganhou a sua primeira prova e, na mesma época, começou a competir na modalidade de saltos ornamentais. Em  1902, aos dezesseis anos, Kellerman decidiu levar a natação a sério e venceu a prova de 100 jardas e a milha, conquistando o tempo recorde (1’22”/33’49”) em Nova Gales do Sul, seu Estado de nascença na Austrália.

Em 1905 deixou o seu nome na história como a primeira mulher a tentar atravessar o Canal da Mancha a nado. O Canal da Mancha é  uma parte do Oceano Atlântico que divide a Inglaterra da França. Geralmente as travessias a nado ocorrem na parte mais estreita do canal, que possui 33km de extensão e 120m de profundidade. Com três tentativas sem sucesso, Annette kellerman declarou: “Eu tinha a resistência, mas não a força bruta“.

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Além disso, a Sereia fazia diversas apresentações, encantando a todos com as suas habilidades aquáticas. O nado sincronizado era conhecido na época como balé das águas e ela executava movimentos impressionantes. Foi uma das primeiras mulheres a fazer performances em público nadando em um aquário.

Em 1907, no auge de sua popularidade, quando se preparava para fazer uma apresentação em uma praia de Massachusetts, nos EUA, Annette foi presa por atentado ao pudor por estar vestindo um maiô de uma peça. Para reverter a situação, a Sereia dos anos 10 costurou uma meia calça preta ao seu mâio, cobrindo assim as suas pernas. Este improviso deu origem às primeiras peça de roupas de banho femininas. Decidiu, então, lançar roupas de banho com o seu nome.

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Se hoje usamos biquínis e maiôs que mostram a bela silhueta feminina, é graças a Annette Kellerman, uma sereia que conhecia o mar e sabia que combinações pesadas de calças e vestidos não eram opções favoráveis para um delicioso dia na praia.

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Com o seu maravilhoso talento, começou a atuar no cinema em 1909. A maioria  dos filmes que participava tinha como tema o fundo do mar. Annette realizava cenas perigosas nadando em uma profundidade de 28 metros no mar, e chegou a mergulhar com crocodilos em uma piscina de 18 metros de profundidade. Ela também fez parte do grupo de pessoas que se apresentaram no movimento teatral de arte de variedades conhecido como Arte Vaudeville. Este movimento ocorreu entre os anos de 1880 e 1930.

Em 1911 a sua forma de Sereia começou a ser revelada. Foi a primeira atriz a usar uma cauda  de sereia “nadável”, confeccionada por ela mesma. A sua estreia como sereia no cinema foi com o filme Sirens of the Sea.

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O curioso é que a sua cauda não tinha barbatanas como vemos nos dias atuais. A sereia usava somente o corpo e as pernas juntas para nadar, e acreditem, ela interpretava uma sereia nadando magicamente bem!

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Annette atuou no filme The Mermaid, também de 1911, e mais tarde foi lançado Neptune’s Daughter, em 1914.

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Em 1916 a Sereia entrou para a história do cinema como a primeira estrela a aparecer completamente nua em uma cena. O filme se chamava A Daughter Of The Gods. Na cena os seu longos cabelos cobriam parte do seu corpo.

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Este filme também entrou para a história por ser a primeira obra do cinema a gastar milhões de dólares durante a sua produção. E além de sereias, a obra também trazia a presença de fadas, gnomos e bruxas.

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Devido a sua vida bastante ativa, ela se tornou uma “musa fitness” da época. Fazia palestras sobre como manter um estilo de vida saudável através da boa alimentação e da prática de esportes, e inaugurou uma loja de produtos para alimentação natural na Califórnia. A australiana ainda lançou dois livros, sendo que em um deles a Sereia ensinava como nadar.

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O último filme que atuou foi Venus Of The South Seas, de 1924.

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Annette Kellerman era casada desde 1912 com o seu empresário James Raymond Louis Sullivan. Eles não tiveram filhos e ela continuou praticando esportes até avançada idade. Em 1970, a Sereia voltou a morar na Austrália. Deixou este planeta com 88 anos, seu corpo foi cremado e as cinzas foram lançadas na Grande Barreira de Corais, no seu país natal. Os seus figurinos usados nos filme em que atuou hoje pertencem ao acervo do Powerhouse Museum, em Sydney.

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Em 1952 foi lançado o filme Million Dollar Mermaid (por aqui o titúlo é A Rainha do Mar). O longa conta a trajetória de vida de Annette, interpretada pela atriz Esther Williams (1921-2013). A obra rendeu a Esther o título de Sereia de Hollywood.

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Annette Kellerman foi a maior influência de sereias no universo cinematográfico e seu nome está eternizado na Calçada da Fama em Hollywood.

Post por Tati Bello

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8
dez
Sereias Famosas – Dora Vivacqua

Hoje apresento a vocês o primeiro post escrito pela nossa mais nova colaboradora, a sereia Tatiane Bello <3 Ela nos contará a história de uma brasileira com alma de sereia, que teve um final trágico por proteger a natureza que tanto amava…

Primeiramente, eu gostaria de agradecer a grande oportunidade de expor a minha admiração pelas Sereias aqui neste pioneiro espaço chamado Sereismo. Encontrar semelhantes, e poder conversar de coração aberto sobre o que nos inspira, sabendo que tudo o que for dito a respeito do que amamos (no caso, as Sereias) será bem recebido, se torna um maravilhoso incentivo para continuar acreditando nos mais loucos sonhos que motivam a nossa alma. Gratidão Imensa! Espero que possamos mergulhar de mãos dadas neste Universo que a cada dia que passa, se mostra cada vez mais real do que fantasia. Então, vamos lá!

Luz del Fuego é o nome artístico de Dora Vivacqua, uma bela Sereia que morava em uma Ilha localizada na Baía de Guanabara no estado do Rio de Janeiro.

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Dora iniciou a sua carreira no circo em 1944, com o nome artístico de Luz Divina. Mais tarde mudou o seu “pseudônimo” para Luz del Fuego, tirando inspiração do nome de um batom argentino recém lançado no Brasil nesta época.

Bailarina, Luz dançava ritmos brasileiros vestida com pequenos trajes, que eram considerados bastante ousados para uma época onde ainda não se vestia roupas de banhos femininas de duas peças em público. Porém o grande diferencial de suas apresentações era a parceria de dança com um casal de cobras Jiboias.

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As suas apresentações atraiam grande público. Todos queriam ver a encantadora moça que dançava com cobras enrolada em seu corpo quase desnudo.

Em 1945 se apresentou na Argentina e no Panamá, em 1947 viajou para Nova York e se apresentou em casas noturnas durante três meses nos Estados Unidos. Em 1949 excursionou pelo Norte e Nordeste do Brasil. Porém, devido a sua ousadia artística chegou a ser impedida de se apresentar em diversas cidades do país, tendo como motivo alegado pelas autoridades locais, que a sua presença se encaixava em atentado ao pudor e ao desrespeito aos “bons costumes”.

Assistam um pouco de sua dança neste vídeo raro de 1949:

Luz del Fuego alcançou o auge da fama em 1950, se apresentando também como atriz em espetáculos do “Teatro de Revista” e atuando no cinema, sempre tendo as usas cobras como companheiros de cena.

Veja a sua aparição no filme americano “Curucu, Beast of the Amazon” de 1954:

Apesar de Dora Vivacqua ter conquistado a fama se apresentando de forma sensual, esta Sereia era bastante literata. Amava os livros e se preocupava em adquirir conhecimento. Ao conhecer obras de filósofos existencialistas e naturalistas como Friedrich Nietzsche e Jean Jacques Rousseu, tomou conhecimento da prática do Naturismo. Luz passou a defender a ideia de que interagir e respeitar o meio ambiente, os animais, a Natureza e a si mesmo, era a melhor forma de viver uma vida positiva e saudável.

Descobriu também o nudismo e tomou conhecimento de que já existia praticantes na Europa. Com isto, decidiu que iria trazer este movimento ousado e libertador para o Brasil. Em seus momentos de lazer, visitava as praias mais desertas do Rio de Janeiro, junto com amigas (e amigos também) e tomava banho de mar completamente nua. Assim, Luz del Fuego estava começando a formar o primeiro grupo de Nudistas do Brasil.

Com essas atitudes, chegou a ser surpreendida por policiais, detida e levada a delegacia por diversas vezes.

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Mas com todas as dificuldades, Dora não desistiu de seus sonhos e conseguiu um feito incrível. Em 1950 obteve a autorização da Marinha do Brasil para viver em uma ilha localizada na Baía de Guanabara. A ilha se chamava Itapuama de Dentro, mas logo foi rebatizada por “Ilha do Sol”.

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Na Ilha do Sol , Luz del Fuego fundou o primeiro Clube de Nudismo/Naturismo da America Latina, atraindo diversos visitantes, incluindo atores e atrizes do cinema de Hollywood. Em 1955 o clube foi oficializado e reconhecido pela Federação Internacional de Naturismo, tornando um de seus afiliados.

Apesar da nudez ser “obrigatória” na ilha, existia uma série de normas que deveriam ser cumpridas. Não eram permitidos atos libidinosos nem o consumo de bebidas alcoólicas. O ambiente deveria permanecer o mais familiar possível, pois o clube era destinado a interação de forma plena com a Natureza. Estes comportamentos seguem um padrão de conduta respeitado até os dias atuais nas colônias de Naturismo/Nudismo espalhados pelo Brasil e pelo mundo. O ato de ficar nu é uma forma de sentir a natureza de corpo inteiro , despidos de vaidades e preconceitos, adquirindo auto confiança, respeito a si mesmo e aos demais, praticando o desapego da vaidade e do egocentrismo, fortalecendo assim a saúde da alma. A descrição vai muito de encontro a essência das sereias, que são protetoras das águas e retratadas na maioria das vezes com os seios a mostra, demonstrando liberdade e emponderamento.

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Em 2013 o documentário “A Nativa Solitária” produzido em 1954 foi remasterizado. Nesta obra é possível ver essa encantadora Sereia falando sobre o seu estilo de vida e praticando o Nudismo em sua morada, a Ilha do sol. Para a nossa felicidade o vídeo está disponível no YouTube:

Devido a sua dedicação ao Clube Naturista, Luz del Fuego se apresentava cada vez menos nos palcos. Suas últimas aparições em espetáculos foram em 1964. Os anos foram passando, a idade avançando, a visita de sócios em seu clube diminuindo, porém o seu amor pela Natureza continuava o mesmo. A Ilha do Sol era a sua morada oficial. Acordava todos e dias com a chance de poder contemplar a vista de sua encantadora casa de Sereia. Uma ilha de formação rochosa cercada pela água da Baía de Guanabara que nesta época era límpida. Guanabara significa Rio-Mar, uma mistura de água do Mar com o desembocar de trinta e cinco rios distintos.

Do seu lar era possível ver o Sol nascer, os pássaros de diversas espécies entoar as suas divinas melodias, observar outras ilhas que formavam um pequeno arquipélago na região, cada qual com o seu charme e particularidade. Também era possível ver no horizonte as montanhas da região serrana do Rio de Janeiro que mais parecem uma ancestral muralha inertes, hora nebulosa e misteriosa, hora límpida imponente e inspiradora. Sem contar com a mudança das marés, do vento, das Luas. Ainda tinha o mais belo espetáculo que se repete todas as tardes a bilhões de anos: o magnífico por-do-sol.

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Porém, esta tranquilidade não durou para sempre. Luz amava e protegia a natureza e os animais da região, estava sempre atenta a tudo que acontecia ao seu redor. Eis que um dia percebeu que “pescadores” (ou piratas malvados) praticavam pesca criminosa atirando bombas nos cardumes, matando assim uma grande quantidade de peixes, agilizando o que poderia ser uma pesca demorada. Com isto, a bela Sereia decidiu denunciar os mal-feitores a polícia. Dora Luz não imaginava que com esta atitude estava praticamente assinando a sua sentença de morte.

Os pescadores, na verdade, eram de fato criminosos, um deles sendo até foragido da polícia. Movidos pela raiva, tramaram um plano escabroso: matar a bela Sereia. Em uma noite premeditada, partiram rumo a Ilha do Sol. O plano era esconder o barco de Luz del Fuego , chamar a artista e contar uma história dizendo que o seu veículo aquático havia desaparecido e eles estavam ali para ajuda-la a procurar. Luz, desconfiada, apareceu junto com o seu caseiro Edgar. Ela trouxe consigo uma arma em punho, mas os homens conseguiram convencer-la que estavam ali em missão de paz. Ledo engano!

Ao entrar no barco, Luz ficou de costas para um dos homens, e este desferiu golpes com um pedaço de madeira em sua cabeça, fazendo Luz cair desacordada no fundo do barco. Em seguida levaram o seu corpo para uma ilha vizinha e abriram o seu corpo na região do abdômen usando uma faca. Retornaram a Ilha do Sol e chamaram o caseiro, e cometeram a mesma barbaridade.

É muito difícil contar esta história… Como pode acontecer uma tragédia dessas com uma pessoa que amava a natureza e tinha como único desejo viver em paz na sua morada?

O assassinato aconteceu no dia 19 de julho de 1967. Luz del Fuego estava com cinquenta anos. Os criminosos afundaram o corpo das vítima no próprio barco da atriz e naufragaram a embarcação cerca de duzentos metros da Ilha do Sol. Os corpos só foram encontrados no dia 03 de agosto de 1967.

Passados quase cinquenta anos desta tragédia, a Ilha do Sol e a casa da Sereia Nua permanecem tristes e silenciosos no horizonte.

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No ano passado eu fiz um rápido vídeo mostrando como a Ilha do Sol se encontra nos dias atuais, confira:

Eu moro bem próximo a Baia de Guanabara, e conheci esta maravilhosa história quando tive uma grande chance de visitar a Ilha do Sol pela primeira vez em 2003. Eu conto sobre este mágico momento em uma postagem que fiz em 2013 neste link.

Em 2017 completa 100 anos do nascimento de Dora. Em homenagem, criei um perfil no Instagram para compartilhar o seu legado histórico.

Hoje em dia é possível encontrar diversas obras que contam a trajetória de Luz del Fuego. Os Naturistas e Nudistas a consideram Mãe destas práticas no Brasil, tanto que o dia 21 de fevereiro, seu aniversário, é comemorado dia do Naturista.

Em vida, Luz del Fuego escreveu dois Livros: O Trágico Blackout, em 1947, e A Verdade Nua, em 1948. Ambos livros raríssimos de ser encontrados.

Em 1975, a cantora Rita Lee lançou o álbum Fruto Proibido, no qual contém a música Luz del Fuego, com a letra inspirada na vida da artista revolucionária. Mais tarde a canção também foi interpretada por Cássia Eller.

Em 1982, foi lançado o filme “Luz del Fuego” de David Neves, tendo como papel principal a atriz Lucélia Santos. Com este ousado trabalho, Lucélia ganhou o prêmio de Melhor Atriz. Veja o seu depoimento sobre a sua atuação no longa:

O filme traz um ponto de vista um pouco ousado da artista e não conta exatamente a história de acordo com a veracidade dos fatos ocorridos na vida de Luz del Fuego. A classificação indicativa é para maiores de 18 anos.

Em 1991 foi lançado o livro A Bailarina do Povo, uma biografia escrita por Cristina Agostinho, Branca de Paula e Maria do Carmo Brandão, publicado pela editora Best Seller. É uma obra completa, onde é possível encontrar informações sobre toda a trajetória de Dora.

Espero que tenham gostado da história desta Sereia corajosa e sonhadora que revolucionou a sua época pondo em pratica os seus sonhos mais loucos!!!

Até mais :)

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