11
dez
Como fazer uma guirlanda de conchas para o Natal

Dezembro é marcado pelas festas de fim de ano. Com a chegada do Natal, vem aquela vontade de decorar a casa. Assim como cada elemento de nossa morada tem um significado pessoal, que tal fazer um enfeite natalino que tem tudo a ver com nós, Sereias!?!

As guirlandas são usadas nas portas das casas a milhares de anos (muito antes do nascimento de Cristo). No hemisfério Norte, a chegada do inverno acontece em 20 ou 21 de dezembro, e a sua tradição nas antigas civilizações trazia o significado de proteção. Uma guirlanda na porta era um sinal de que os deuses pudessem entra e proteger o ambiente familiar em uma época do ano em que o frio era muito intenso, e também um período quando o plantio e a caça passava pela fase de escassez. Acreditava-que os deuses trariam serenidade, conforto, paz, tranquilidade, esperança e sabedoria para enfrentar as dificuldades. Com o passar dos anos, a guirlanda foi incorporada as tradições Natalinas pela época coincidir com o inverno e o sentido inicial continuar sendo o mesmo: receber o espírito do Natal e a bênção de Cristo.

Não se sabe quando surgiu a guirlanda de conchas, rsrsrs! Mas ano passado eu decidi fazer uma com a temática mar! Segui a seguinte teoria: moramos no Hemisfério sul e dias antes do Natal, por aqui chega o verão. Portanto, vou fazer uma guirlanda para saudar e receber os deuses do mar!!!

Pelo que eu sei da existência do Redentor, Jesus viveu perto do mar, tendo muito de seus milagres acontecido junto as águas: caminhar na superfície, ajudar na pesca, na multiplicação dos peixes, e o único “escrito” que Jesus fez foi o desenho de um peixe com traços simples na areia. Tudo está interligado! Sem contar que a maioria dos apóstolos eram pescadores. Há uma passagem bíblica muito interessante que mostra um pouco disso:

“E levantou-se grande temporal de vento , e subiam as ondas por cima do Barco , de maneira que já se enchia. E ele estava na popa, dormindo sobre uma almofada, e despertaram- no dizendo lhe: ‘Mestre, não se te dá que pereçamos?’. E, ele despertando, repreendeu o vento e disse ao mar: ‘Cala-te , aquieta-te’. E o vento se aquietou, e ouve grande bonança. E disse -lhes: ‘Por que sois tão tímidos? Ainda não tendes fé?’. E sentiram um grande temor, e diziam uns aos outros: ‘Quem é este, que até o vento e o mar lhe obedecem?’.” (Marcos 4: 37-41)

  • Isso não é uma evangelização; respeitamos todas as crenças e religiões!

A citação do versículo é apenas uma demonstração que a existência de Jesus e suas histórias coincidem com o nosso respeito e admiração pelo mar.

cristo-na-beira-mar

Voltando para a Guirlanda de conchas e o intuito deste post… Irei ensinar o passo a passo de como fazer o enfeite natalino de Sereia! Para a guirlanda de 2016 eu usei folhas artificiais, pérolas, cristais, conchinhas e peixinhos de biscuit feitos com forminhas (já falamos sobre isso nesse post aqui). Quando eu pendurei o meu enfeite na porta, mentalizei positividades. Convidei os deuses do mar para entrar em meu lar e trazer “boas ondas “, e confesso que deu super certo!

Este ano resolvi fazer uma diferente! Primeiro escolhi o que seria a minha base da guirlanda. Optei por cipós, mas vocês podem usar arame trançado em círculo ou aros de MDF.

Cipo praia sereismo diy naturaltati

Em seguida escolhi os elementos a serem usados: conchas e algas naturais.

Materias guirlanda concha diy sereismo naturaltati

Existe um receio em colher estes elementos na praia. Cada litoral tem a sua biodiversidade e rotina, todos os dias as marés sobem e descem. Com isto, conchas e algas de diversas espécies chegam na areia. Em uma observação, podemos ver que a maioria deles já chega sem vida.

Concha alga mar sereismo naturaltati

O agitar das ondas desprende as algas das rochas e também trazem conchinhas vazias do fundo do mar até a areia.

Mix de conchas sereismo naturaltati

E por falar em areia, já pararam para observar de que os seus grãos são feitos? Conchas e pedras trituradas pela força das ondas ao longo dos anos!

Bolacha do mar sereismo naturaltati

Tudo é questão de consciência. Um exemplo: jogar lixo na praia é muito mais prejudicial ao oceano do que retirar uma concha que já não serve mais como “casinha” para outros seres.

Continuando o DIY… Enrolei uma linha grossa, tipo barbante, no aro de cipó para ajudar na fixação da cola.

Cipo sereismo diy guirlanda de concha naturaltati

Usei três bastões de cola quente para colar os elementos. A função da cola quente é apenas posicionar as conchas, pois as peças são lisas e pesadas e soltam com muita facilidade. Mais adiante iremos usar outra cola de maior aderência. Esta etapa exige bastante atenção! Além de lidar com um material que fica quente, a cola seca bem rápido, por isto não consegui fotografar detalhadamente a colagem. As conchas são concavas, então somente as extremidades irão tocar no aro. Capriche na quantidade de cola para fixá-las. Depois de preencher toda a volta, a sua guirlanda estará quase pronta. Tenha cuidado para nenhuma peça cair! Depois disso usaremos uma cola mais forte.

Colainstantanea diy guirlanda sereismo naturaltati

Ela é líquida e adere muito bem, quase permanente. Eu super indico o seu uso também para a produção de coroa de conchas. Já testei diversas: cola quente, cola universal, cola de silicone e ela ganhou disparado! Um ótimo investimento! Só tome cuidado para não colar os dedos!

Vá girando a guirlanda e aplicando a cola entre as conchas e o aro, sempre por cima. Depois que terminar este processo, apoie a guirlanda “em pé” para a cola deslizar e fixar totalmente os elementos. Quase pronto!!!

Eu optei por prender algas para preencher os espaços vazios. Usei uma linha de costura para prende-las. É bem simples, basta você dar voltas com a linha na alga e no aro.

Alga gurlanda conha sereismo diy naturaltati

Lembrando que você pode usar o material que quiser, desperte a sua criatividade de Sereia! Busque o que tiver a sua disposição e crie um portal de positividade do seu jeitinho!

Guirlanda conchas sereismo naturaltati

O passo a passo será sempre o mesmo: aro, colas e elementos. A guirlanda pronta é só pendurar e deixar a positividade do mar iluminar o seu lar!

Guirlanda conchas sereismo naturaltati sea

Vejam abaixo mais inspirações que retirei do Pinterest:

guirlandasinspiracao

Boas festas!!!

Por Tati Bello

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20
nov
Kianda, a sereia angolana

Desde 2003 foi instituído no Brasil que o dia 20 de novembro seria celebrado o Dia da Consciência Negra. No calendário escolar, o mês de novembro inteiro é voltado para atividades que celebram a cultura negra. Como eu  sempre gosto de falar um pouco de mitologia, resolvi trazer um pouco das sereias cultuadas em algum país africano: a Kianda, a sereia Angolana.

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Os angolanos acreditam muito em sereias. Para eles, em todo rio, lago, poço ou até reservatório d’água possui uma Kianda. Desta forma, a Kianda seria também a própria encarnação do meio aquático. No entanto, é no mar que se encontra a rainha das Kiandas, a mais poderosa delas a qual o povo leva suas oferendas, a Kianda do mar.

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A lenda que envolve a Kianda narra que ela vivia nos rochedos do Forte de São Miguel, perto de Luanda. A Kianda que vivia na praia estava sozinha quando encontrou um homem que estava triste e desiludido com a vida. Com pena, a sereia angolana concedeu ao pescador o seu tesouro secreto e o homem enriqueceu da noite pro dia. No entanto, ele se tornou ganancioso, mesquinho e avarento, além de só usar o dinheiro para o próprio interesse. Como o acompanhava de longe, a Kianda ficou entristecida com a situação e resolveu dar uma lição no homem, deixando-o com menos ainda do que ele tinha antes de encontrá-la. Ela também prometeu jamais ajudar outro homem, e usava seu canto para atrair os que se aproximavam de suas águas sagradas e aprisioná-los no fundo do mar. A Kianda não se alegra com a ganância dos homens e há angolanos que garantem que ela já aprisionou vilarejos inteiros em suas águas.

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Forte de São Miguel

Por essa lenda, os pescadores acreditam que a sereia pode trazer tanto o bem quanto o mal, podendo representar perigo e medo, mas também inspirar o amor. A Kianda também fomenta o imaginário popular nas artes locais. Uma das mais conhecidas é a pintura de Adamario Costa Lima “A felicidade de Kianda” e a estátua de uma sereia no porto de Lobito.

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A Felicidade de Kianda

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Porto de Lobito

Em 1997, um escritor angolano também venceu o prêmio Camões com uma narrativa sobre Kiandas. No romance de Pepetela, os prédios de uma cidade estão desmoronando, deixando a cidade perplexa, pois ninguém se machucava nesses desmoronamentos. Os cientistas, então, descobrem que a água dos cimentos foi retirada, rompendo a estrutura dos prédios. Apesar de saber o motivo, ninguém entende como isso foi acontecer. Então, uma jovem chamada Cassandra escuta vozes vinda do poço e a Kianda se revela como a responsável pela destruição dos prédios, e explica que fez isso porque a cidade foi construída em cima da lagoa que ela habitava e ela deseja recuperar seu bem. O livro se chama “O desejo de Kianda”.

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Por Camila Piccini










29
set
A lenda das Rusalkas
em: Cultura

Além de fã de carteirinha de folclores e mitologias, eu também gosto muito de histórias russas (muito porque Anastásia foi um dos desenhos da minha infância). Então imaginem a minha felicidade ao descobrir mais sobre as ninfas das águas da mitologia Eslava. Em russo moderno, Rusalka significa sereia, mas a denominação de demônios d’água acaba sendo mais adequada.

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Normalmente, nas mitologias, as entidades das águas estão associadas à fertilidade, e o folclorista russo Vladimir Propp afirma que o termo Rusalka era usado na mitologia pagã com esse significado. As Rusalkas vinham na primavera ajudar nas plantações.

Já o linguista germano-russo Max Vasmer diz que o termo se referia originalmente às danças de roda das jovens na festa de Pentecostes (festa cristã ao Espirito Santo), ou como definido pelos romanos, festa das rosas. No verão, as Rusalkas saíam das águas para dançar nas fazendas. Os russos falam que é possível saber onde as Rusalkas dançaram, pois a grama fica mais espessa e a plantação de trigo é mais abundante, confirmando a sua ligação com a fertilidade da terra.

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O mito das Rusalkas é um pouquinho mais “macabro”. Elas são espíritos de mulheres, principalmente as jovens, que se afogaram nos rios e lagos. São como se fossem mulheres mortas-vivas que foram amaldiçoadas por seus pais por conta de uma gravidez indesejada, perseguidas e assassinadas pelo maridos ou se mataram na beira do lago por causa de um casamento infeliz.

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As Rusalkas também podem ser crianças que não foram batizadas. Neste caso, essas crianças ficam vagando na beira do lago implorando para que sejam batizadas e possam descansar em paz, mas elas não são necessariamente inocentes e podem atacar os humanos que passarem distraídos por ali.

Assim como as sereias, as Rusalkas jovens e adultas atraem os homens com canções para hipnotizá-los e depois afoga-los no fundo do rio. No inverno, as Rusalkas vivem no fundo dos lagos embaixo do gelo, enquanto no verão elas saem das águas para dançarem nas clareiras e treparem em galhos de salgueiro. De acordo com o mito, para saírem das águas, precisam de um pente que as permite conjurar água e manter o corpo delas molhados. Diz a lenda que se você secar o cabelo de uma Rusalka, ela morrerá.

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Durante as primeiras semanas de junho, as Rusalkas podem ficar mais perigosas. Especialmente na quinta-feira conhecida como velykde, todos trabalham para não irritar esses espíritos, que podem mandar chuvas torrenciais e estragar toda a colheita. Até o final dos anos 30, no final das festividades russas Rusal’naia, era comum um ritual com banimento ou enterro das Rusalkas. Elas podem se libertar de serem esses espíritos, caso tenham a morte vingada.

A aparência das Rusalkas variam de acordo com o local. No norte acreditam que elas tenham aparência de mulheres nuas cadavéricas com cabelos verde musgo. Ficam a espera de viajantes descuidados e os aterrorizam e torturam antes de afogá-los. Os viajantes espalham folhas de losnas ou absinto em objetos que as Rusalkas podem querer roubar ou destruir para garantir a viagem segura perto de um lago.

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Já as Rusalkas do Sul são belas jovens com olhos sem pupila. Possuem a pele pálida e os cabelos longos. Atraem suas vítimas com um doce canto enquanto trançam o cabelo. Quando eles se aproximam, elas os afogam com uma risada fatal.

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Existe uma ópera de Antonín Dvořák, inspirada pela lenda e baseada no conto de fadas de Karel Jaromír Erben e Božena NěmcováA peça foi produzida pela primeira vez em Praga, em 1901. Em Viena, o espetáculo foi produzido em 1910. Já na Alemanha, ocorreu em 1935, enquanto a reprodução no Reino Unido aconteceu por volta de 1959. Nos Estados Unidos, a primeira reprodução foi no San Diego Opera, no ano de 1975. A história é muito parecida com a já nossa conhecida Pequena Sereia de Hans Christian Andersen. A Rusalka também se apaixona por um humano e troca a sua voz e a imortalidade na esperança de conquistar o amor do príncipe, que acaba se casando com outra.

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Rusalka pede conselhos para o Gnomo d’água, que também é seu pai, e a aconselha a ir encontrar a bruxa Ježibaba, apesar de adverti-la do perigo. Um conselheiro do príncipe suspeita de bruxaria e o afasta da Rusalka, fazendo o príncipe se aproximar da princesa estrangeira. Após recusar matar o príncipe, Rusalka se torna um espírito de morte das profundezas que só vai a superfície atrair humanos para seu destino fatal. O casamento do príncipe é infeliz e ele retorna ao lago para caçar. Ao sentir a presença de Rusalka, ele a chama para ganhar um beijo, mesmo sabendo que o levaria a morte. Rusalka agradece a alma do príncipe por permitir conhecer o amor humano e retorna às profundezas como um demônio d’água. Toda essa parte poética após a morte do príncipe é quebrada por uma frase vinda do Gnomo d’água: “Todos os sacrifícios são inúteis”.

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A canção mais famosa da ópera é “Song to the Moon”, que é uma música bem curtinha que a Rusalka canta antes de ir ao encontro de Ježibaba.

Ò lua bem alto no profundo céu,

A tua luz avista regiões distantes,

Viajas através do vasto,

Vasto mundo perscrutando os lares.

Ah, lua, queda-te por momentos,

Diz-me, ah, diz-me onde está o meu amado!

Diz-lhe, por favor, lua de prata no céu,

Que o abraço fortemente,

E que ele deve pelo menos momentaneamente

Lembrar-se de seus sonhos!

Ilumina esse local distante,

Diz-lhe, ah, diz-lhe quem o espera aqui!

Se ele comigo estiver a sonhar,

Que essa memória o faça acordar!

Ah, lua, não desapareças, não desapareças!

E falando em Rusalkas e A Pequena Sereia, relembre aqui o post onde contamos sobre dois filmes russos inspirados no conto de Hans Christian Andersen; um deles, inclusive, se chama Rusalka (Mermaid).

Por Camila Piccini