27
jan
The Lure, o musical polonês sobre sereias assassinas
em: Cultura

The Lure é um filme musical de terror polonês dirigido por Agnieszka Smoczynska, inicialmente divulgado em um festival em 2015, mas só agora ele irá de fato ao público. Sua estreia está marcada para 1° de fevereiro nos Estados Unidos – e já está causando, sendo considerado o filme mais excêntrico do ano.

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Sinopse

Neste violento mashup de horror e musical, a estréia lúdica e confiante da diretora polonesa Agnieszka Smoczynska, um par de irmãs carnívoras sereias são levadas para terra em uma Polônia dos anos 80 para explorar as maravilhas e tentações da vida em terra. Suas canções de sereias tentadoras e aura de outro mundo as tornaram sensações durante a noite como cantoras de casas noturnas no mundo de fantasia meio-glam, meio decrépito de Smoczynska imaginar. Em uma reviravolta visceral, como no conto original de Pequena Sereia de Hans Christian Andersen, uma irmã se apaixona por um ser humano e, à medida que os laços de irmandade são testados, as linhas entre amor e sobrevivência ficam desfocadas. Um conto de fadas selvagem com uma trilha sonora pegajosa, conjuntos prodigiosamente sombrios e números musicais ultrajantes, The Lure explora seus temas de sexualidade, exploração e os compromissos da idade adulta com energia e originalidade.

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As sereias irmãs são interpretadas por Marta Mazurka e Michelin Olszanska. Críticos avaliam a obra como hilariante e ao mesmo tempo horrível, e oferece ao telespectador algo que ele jamais imaginaria assistir e, convenhamos, acho que nunca ninguém pensou mesmo em fazer um filme de terror musical de ópera/rock sobre sereias, huahua!

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Assista ao trailer e teaser abaixo (contém cenas fortes!):

Só de ver a cauda delas já dá medo!

Infelizmente não há previsão de estreia no Brasil, então vamos torcer para que seja disponibilizado logo em alguma plataforma online!





Camila Gomes





19
jan
As sereias do mundo de Harry Potter

J.K. Rowling criou um universo mágico inteiro, cheio de criaturas fascinantes, mitológicas, lendárias, e as sereias não poderiam ficar fora. Recentemente, para alegria de todos os Potterheads (incluindo eu mesma), foi lançado nos cinemas a narrativa de Newt Scamander.

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Newt Scamander é o autor de “Animais Fantásticos e Onde Habitam” na saga principal. Ou seja, o personagem é o responsável por algumas informações dos sereianos pertencentes ao mundo mágico mais famoso da Terra. Vamos conhecer? Coloca a sua capa, pega a sua varinha e vem comigo!

ANIMAIS FANTÁSTICOS

Em seu livro, Newt dividiu os sereianos em três subespécies:

  • Sirens – As nossas belas sereias famosas em nossa literatura, originadas na Grécia.
  • Selkies – São os sereianos da Escócia e também a espécie que habita o Lago Negro de Hogwarts.
  • Merrows – São considerados os menos belos com uma aparência mais próxima dos peixes. Eles são comuns na Irlanda.
Merrows no mundo de Harry Potter

Merrows no mundo de Harry Potter

O primeiro grande dilema do mundo bruxo em relação aos animais era dividir o que era “ser” e o que era, de fato, um animal. A primeira tentativa foi no século XIV, quando o Conselho Bruxo definiu como “ser” todo membro da comunidade mágica que caminhasse em duas pernas. Isso deu uma tremenda confusão, pois o salão de encontro lotou de criaturas bípedes que não estavam tão interessadas nas regras do governo bruxo.

A segunda tentativa foi a declaração de Madame Elfrida, que definiu como ser todo membro capaz de falar a língua humana. Os centauros, que outrora foram considerados animais, agora eram seres, mas se recusaram a comparecer ao conselho como protesto, pois como os sereianos tinham uma linguagem própria, o serêiaco, ainda se encontravam na categoria de animais.

Somente em 1811 que o Ministro da Magia definiu como ser toda criatura dotada de inteligência. Contudo, os sereianos rejeitaram essa condição e decidiram que administrariam seus negócios independentemente dos bruxos.  Por esse motivo, seus hábitos e costumes são um mistério, embora eles saibam que existam comunidades organizadas.

ONDE HABITAM?

Com a caça às bruxas que se deu na Idade Média, os bruxos decidiram se reunir para decidir quais criaturas mágicas deveriam ser escondidas dos trouxas (os humanos comuns). Os sereianos foram persuadidos a participar e fazem parte das 27 espécies que foram ocultadas (isso explica muita coisa). Há milhares de lagos com sereianos lotados com feitiços anti-trouxas, além das áreas impermeáveis que não podem ser traçadas em mapas.

“Onde ouvir da nossa voz o tom

Na superfície não há som.

Durante uma hora deve buscar,

E o que quer vai encontrar”

Canção serêiaca – Filme Cálice de Fogo – 2005

Na saga principal, onde Harry Potter é o protagonista, os sereianos aparecem no livro Cálice de Fogo, na segunda tarefa do torneio tribruxo. Após abrir o ovo conquistado na primeira tarefa embaixo d’água, Harry Potter conseguiu desvendar a pista ao olhar para a sereia no vitral do banheiro dos monitores.

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Preocupado em respirar embaixo d’água, Harry encontrou sereias (Selkies), muito diferente das que estava habituado a encontrar.

“Os sereianos tinham peles cinzentas e longos cabelos desgrenhados e verdes. Seus olhos eram amarelos, como seus dentes quebrados, e eles usavam grossas cordas de seixos no pescoço. Lançaram olhares desconfiados quando Harry passou. Um ou dois saíram das tocas para examiná-lo melhor, seus fortes rabos de peixe prateados golpeando a água, as lanças nas mãos.”

Na versão cinematográfica, os produtores do filme usaram aspecto de peixe por todo o corpo dos sereianos. A expetativa era criar uma criatura ameaçadora, então houve a mescla da figura humana com esturjão, priorizando os olhos esbugalhados e a boca protuberante. O rabo dos sereianos apresentam uma nadadeira dorsal e outra pélvica. A movimentação, ao contrário de sereias convencionais, não é de cima para baixo e sim de um lado para o outro, fazendo que com os sereianos permaneçam em uma posição vertical. O resultado é assim:

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A flutuação dos cabelos foi pensada usando o comportamento de anêmonas-do-mar transparentes.

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Harry descreveu a líder dos sereianos como uma fêmea de aspecto feroz e selvagem, quando ele a observou conversando com Dumbledore a beira do lago. Dumbledore era um dos bruxos que sabia falar serêiaco e aparentemente era muito respeitado pela comunidade dos sereianos.

Dentre as adptações para os filmes, o corte de cena que mais gerou protesto foi quando os fãs souberam da ausência do velório do diretor de Hogwarts no sexto filme da saga. Era um dos momentos que mostrava o luto do mundo bruxo e esse luto também se estendeu para os habitantes do lago do castelo.

“Então ele os viu nas águas verdes banhadas de sol, a centímetros da superfície, lembrando-o aflitivamente dos Inferi; um coro de sereianos cantava em uma língua que ele não entendia, seus rostos pálidos ondeando, seus cabelos arroxeados boiando à volta. A música deixou arrepiados os cabelos na nuca de Harry, embora não fosse desagradável. Falava muito claramente de perda e desespero. Ao olhar os rostos ferozes dos cantores, o garoto teve a sensação de que os sereianos, pelo menos, lamentavam a morte de Dumbledore.”

Sabemos que a saga de Harry Potter já teve seu fim, mas sabemos também que há muito no mundo bruxo ainda a ser explorado por J.K. Rowling. Será que em sagas futuras saberemos mais sobre as sereias do universo Harry Potter?

Observações: Em lendas do nosso mundo real, os termos Selkies, Merrows e Sirens também são conhecidos, denominados para espécies semelhantes a sereias. Saiba mais clicando aqui e aqui.

Por Camila Piccini










17
jan
Moana: A sereia com pernas da Disney
em: Cultura

Hoje é a estreia da nossa nova colaboradora! Deem as boas-vindas a minha xará e conterrânea Camila Piccini (e sósia da Moana nas horas vagas – por isso, nada mais justo do que começar fazendo resenha desse filme!) <3

Olá, meu nome é Camila e eu sou a mais nova colaboradora do blog Sereismo. Eu nasci em Santos, tenho um pai surfista e uma mãe fissurada em praia. O que me fez crescer no meio de muitos campeonatos de surf com a minha mãe me arrancando do mar.

Quando saíram as primeira artes gráficas de Moana, eu fiquei tão feliz de ver uma personagem com um narizinho de batata, cabelo cacheado e que ama o mar, mas eu não sabia que esse filme seria tão especial para mim. A minha relação com a minha avó é algo que eu não consigo nem descrever de tão completa e intensa que era. Eu me sinto a pessoa mais feliz de lembrar tudo de bom que nós vivemos juntas. Pelos trailers eu já sabia que eu não seria capaz de assistir o filme com a dignidade intacta.

No terceiro dia depois da estréia, eu já tinha assitido ao filme duas vezes. Uma delas com a minha mãe, que reafirmou a minha lembrança de não sair do mar quando criança. Conversando com a Camila Gomes sobre o quanto o filme já tinha cativado um lugar especial para mim, ela me chamou para escrever sobre o ele e trazer algumas curiosidades, e eu não pude deixar de aceitar.

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Moana mal estreou e já quebrou recordes de bilheterias tanto nos EUA, quanto aqui no Brasil. Nós aqui do blog Sereismo já temos a licença poética de chama- la de sereia com pernas, já que como a própria personagem diz: “Sempre volto pra água, não consigo evitar“.

See the line where the sky meets the sea? It calls me.

A história da Moana se passa nas ilhas Polinésias. Elas ficam em uma área triangular compreendida entre o Havaí, Nova Zelândia e as ilhas de Páscoa. Isso explica uma certa semelhança com outra personagem conhecida nossa.

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Fan art Moana & Lilo por Judy Lavernehopps

Quando criança, o oceano escolheu Moana para encontrar o semi-deus Maui e restaurar o coração da deusa Te Fiti, evitando que a escuridão fosse espalhada pelo Pacífico. Moana cresceu, divida entre o chamado do oceano e suas responsabilidades como filha do chefe da tribo. Ao perceber que a escassez de peixes havia atingindo a costa da ilha de Motu Nui, ela sentiu que a resposta estava naquele chamado do oceano. Incentivada pelos conselhos de sua avó, Moana descobriu que seus antepassados eram navegadores e, em seguida, partiu em busca de Maui para salvar o seu povo. A jovem, então, consegue restaurar os costumes antigos de seus antepassados, retornando ao mar para descobrir novas ilhas.

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Saindo do desenho e trazendo para nossa história, a linha do tempo dessas navegações ainda não é cientificamente conclusiva. Thor Heyerdahl, um pesquisador, acreditava pela semelhança física, costumes agrícolas, que a Polinésia foi colonizada por sul americanos. Patrick Kirch, outro pesquisador, defende o oposto: os polinésios que foram de encontro aos ameríndios. Apesar da cronologia não definida, essa ligação entre os continentes existe e foi comprovada, no filme, através de um bichinho que arrancou muitas gargalhadas: Hei Hei. Em 2007, acharam em um sítio arqueológico no Chile com ossos de galinhas de DNA compatível com os galináceos da Polinésia. Como as galinhas atravessaram o Oceano Pacífico antes da colonização européia? Os arqueólogos e pesquisadores acreditam que elas eram levadas nas embarcações.

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A Disney sempre tem uma referência em suas histórias e, por isso, a nossa sereia com pernas não apenas resgatou o costume do seu povo, resgatando o costume de navegadores, mas ela também garantiu que um galo atravessasse o oceano, como na época das grandes navegações Polinésias!

E sendo uma personagem escolhida pelo mar, existem várias referências a Pequena Sereia em Moana também. Lin-Manuel Miranda, um dos compositores da trilha sonora, afirmou em seu Twitter que a música de Tamatoa, o caranguejo gigante, fala sobre caranguejos que comem humanos como uma forma de vingar Sebastião. E tem mais: quando Maui canta “You’re Welcome”, podemos ver o Linguado e, na cena pós-crédito, Tamatoa aparece de barriga para cima dizendo que, se tivesse sotaque jamaicano e se chamasse Sebastião, todos iriam ajuda-lo. Como não amar?

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Antes mesmo de estrear vários artistas criaram fan arts mostrando Moana interagindo com a Ariel. Por essas e outras, e principalmente por ter tantos elementos *sereísticos*, o novo filme da Disney mereceu ser citado por aqui, com o selo Disney de qualidade e emoção!