17
fev
Resenha de livro – A Sereia por Kiera Cass
em: Cultura

“A Sereia” é um livro da escritora Kiera Cass, famosa pela sua série “A Seleção”, publicado esse ano no Brasil. Apesar de ser atual, a autora confessa que a obra, na verdade, foi a primeira de sua carreira. Na época, ele foi publicado independentemente, sendo, agora, relançado e reescrito com sua nova editora.

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A história gira em torno de Kahlen (pausa dramática: o nome se lê ‘Kellen’ e a única coisa que lembrei durante toda leitura foi do vídeo do Porta dos Fundos! kkkk), uma garota de 19 anos que vivia na década de 30 e se envolve em um naufrágio com sua família. Por causa de sua vontade de viver, a Água resolve poupá-la, e a transforma em uma de suas sereias. As garotas que trabalham para a Água são sempre escolhidas em um momento de vida ou morte, e como forma de pagamento, elas devem viver como suas servas por 100 anos. Sua única função é alimentar a Água atraindo pessoas para a morte através de suas vozes. Depois do período de um século, elas podem ter a sua vida de volta. Kahlen foi a sereia mais obediente que já existiu, e faltando apenas 20 anos de sua pena, ela conhece um rapaz chamado Akinli, por quem se apaixona perdidamente. Sua voz mortal a impede de manter diálogos com o seu amado e sereias são proibidas de se apaixonarem. A trama se desenvolve a partir desse impasse, entre Kahlen manter sua obediência ou seguir o seu coração, arriscando até mesmo a própria vida.

A tal Água – sim, em letra maiúscula mesmo – não se limita a apenas um elemento. Ela é uma personagem que pensa, algo como um espírito ou deusa. As sereias a veem como uma espécie de mãe, mas sua personalidade autoritária e possessiva a afasta de suas escolhidas. Ela também sofre com as mortes que tem que causar, mas é a única maneira para manter-se existente no mundo.

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Vendo esse resumo, a gente pode até esperar um romance previsível e água com açúcar. Para muitos, ele até pode ser isso mesmo, mas Kiera faz jus ao seu sucesso. Sua escrita prende o leitor, é um livro muito gostoso de ler e ela dá destaque a todos os personagens, então não fica uma história totalmente centrada em apenas um casal. Minha única ressalva é na falta de detalhes, mas nada que tire o prazer da leitura.

Apesar do título nacional ser “A Sereia”, no original, na verdade, ele se chama “The Siren”, que traduzindo corretamente fica “A Sirena”. Pode parecer uma mudança boba, mas faz a diferença, afinal sirenas e sereias são seres míticos diferentes. Ambas são conhecidas por sua beleza e canto, mas enquanto a sereia é metade humana e metade peixe, as sirenas são metade humana e metade pássaro. No livro de Kiera, as sirenas/sereias são chamadas assim, mas são inteiramente humanas e vivem normalmente na civilização. O que as difere das pessoas normais é que elas passam 100 anos sem envelhecer, suas vozes são venenosas e conseguem respirar embaixo d’água. Aliás, ao entrarem na água, a única mudança que ocorre em seus corpos é um vestido de areia que surge e as envolve. Ou seja, a capa do livro faz bastante sentido!

Essa falta de cauda pode afastar os fãs mais radicais de sereias. Isso aconteceu comigo na série “Sereia”, de Tricia Rayburn (resenha aqui!). A propósito, no início foi impossível não remeter uma história a outra, pois nas duas as protagonistas são humanas que respiram embaixo d’água, chamadas, originalmente em inglês, de sirenas (apesar de no Brasil ser traduzido também para sereias). Outra semelhança é que elas são seres mortais, mas enquanto no romance de Kiera a morte serve para sustentar a Água, no de Tricia é para manter a saúde e beleza das próprias sirenas/sereias. E isso nos leva a outra série, “Watersong”, de Amanda Hocking (resenha aqui!). Uma das minhas preferidas! Nela, as personagens são conhecidas como sereias, mas se autointitulam sirenas e podem ter tanto cauda como asa de pássaro! Minha conclusão nessa confusão toda é que norte-americanos veem sirenas como humanas belas e mortais e editoras brasileiras não sabem distinguir “siren” de “mermaids”! hauhuahua

Para finalizar, é um livro que recomendo para qualquer público! Jovens, adultos, amantes de sereias e mitologia ou não. Mesmo porque dá para aprender algumas coisas com ele. Em certo momento, é citado um famoso conto de Franz Kafka, que diz:

“As sereias entretanto têm uma arma ainda mais terrível que o canto: o seu silêncio.”

E é a partir dessa frase que Kahlen e suas irmãs de alma conseguem desvendar muitos mistérios 😉





Camila Gomes





12
fev
Mirella Ferraz faz alerta sobre a condição dos mares

Mirella Ferraz, também conhecida como a Sereia Brasileira por ser a primeira sereia profissional do país, fez uma parceria com os fotógrafos Marcelo Piu e Daniel Dias para juntos darem um alerta sobre a condição dos mares.

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A Mi é formada em Gestão Ambiental e já trabalhou com pesquisa e conservação de cetáceos em alguns estados brasileiros. O ativismo ambiental sempre fez parte de seu dia a dia: já ajudou a criar uma ONG para a conservação da vida marinha na Bahia, possui um blog de ativismo animal, escreve livros onde essa temática está sempre presente e faz vídeos  que disponibiliza em seu canal no Youtube, onde aborda sobre meio ambiente. Para ela, ser uma sereia significa também ser uma voz para os mares!

“A sereia representa a metade humana e a metade animal e é a figura que une o elemento terra com o elemento água. Portanto, meu trabalho não é apenas mergulhar e posar com uma cauda de peixe, quero ser uma voz para os mares. A sereia atrai muita atenção, muitos olhares, principalmente das crianças, então é preciso que essa atenção e esses olhares sejam direcionados para o que é mais importante: a condição dos mares.” – Mirella Ferraz

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Marcelo Piu é fotógrafo e especialista em fotografias subaquáticas. Já Daniel Dias é um fotógrafo iniciante e também marido de Mirella. Ela conta que a ideia dos cartazes surgiu dela, e que apesar de focar para a situação dos mares, Mirella também não se esqueceu da tragédia do Rio Doce, em Mariana/MG, quando uma barragem da Samarco quebrou e despejou lama tóxica por todo o rio, chegando até o mar.

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Tudo começou quando o Marcelo a convidou para um trabalho fotográfico e cinematográfico em Arraial do Cabo, litoral do estado do Rio de Janeiro. Então Mirella resolveu que essa seria uma ótima oportunidade para engrenar essa campanha de alerta.

“Não sei por quanto tempo mais os oceanos irão sucumbir ante a pressão antrópica: pesca industrial e indiscriminada, poluição, descaso. E campanhas que alertem sobre o que os mares estão passando, são imprescindíveis” – Mirella Ferraz

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Camila Gomes





10
fev
Sereismo nos desfiles das escolas de samba Carnaval 2016
em: Cultura

Sereias estão em alta e não era de se surpreender que elas também invadiriam o carnaval. Além de ser a fantasia mais comum entre os blocos de rua, também pudemos ver sereismo nas escolas de samba, tanto em São Paulo como no Rio de Janeiro. E se você não viu porque já tava dormindo (seja por puro sono mesmo ou ressaca, kkkk), a gente mostra tudo pra ti agora 😀 Vem comigo!

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Começando pela Unidos de Vila Maria, de SP, que desfilou na madrugada de sábado e homenageou Ilhabela. O enredo era todo mágico, misturando uma lenda local sobre uma feiticeira com as invasões reais de piratas.O desfile seguiu com referências a Iemanjá, a rainha do mar, e às sereias que, segundo as lendas, habitam as cachoeiras da ilha, representadas no carro abre-alas que jorrava água e foi um dos destaques da escola. Dani Bolina, a Madrinha de Bateria, estava com a fantasia de Rainha das Águas.

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A Rosas de Ouro também desfilou na madrugada de sábado, em São Paulo. Seu tema era tatuagem e contou com a atriz Ellen Roche como sereia e Rainha da Bateria, conduzindo 220 ritmistas como marinheiros.

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A Império de Casa Verde foi a grande campeã do carnaval paulista, levando para a avenida o samba enredo sobre os mistérios das civilizações. Uma das alegorias fez homenagem a Atlântida, o continente perdido. O carro trouxe dragões e um grande Netuno para falar da lenda, e soltava bolhinhas de sabão na avenida.

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Agora, indo para o Rio de Janeiro, a Portela fez uma viagem pela história da humanidade, passando até pela obra literária Odisseia de Homero. O abre-alas narrou o retorno de Ulisses para sua casa na Ilha de Ítaca, que durou 20 anos porque o furioso Poseidon lançou sobre ele ventos e tormentos. Claudio Matos, de 23 anos, representou a divindade, onde emergia de flyboard por jatos d’água.

E aí, qual desfile vocês mais gostaram?





Camila Gomes