4
set
Campanha para o livro Mermaids Of Earth

O dinamarquês Philip Jepsen, inspirado pela história vinda de sua terra natal, A Pequena Sereia, resolveu criar um livro com imagens de estátuas de sereias ao redor do mundo, mas para lança-lo, ele conta com a ajuda de amantes de sereias de todo o globo.

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Mermaids Of Earth reúne belíssimas fotos de 160 estátuas de sereia, juntamente com fatos e lendas. Todos que ajudarem com o projeto irão receber uma cópia até dezembro desse ano. Faltam 14 dias para a campanha terminar, então se você quiser um exemplar, é só acessar a página do livro na plataforma Kick Starter e colaborar com qualquer quantia a partir de 5 dólares.

Acapulco, Mexico

Acapulco, Mexico

Anfitrite em Grand Cayman Island

Anfitrite em Grand Cayman Island

Escocia (Foto por Astra Bryson)

Escocia (Foto por Astra Bryson)

Lituania (Foto por Gareth Parkes)

Lituania (Foto por Gareth Parkes)

Yemanja em Barra Velha (Foto por Elaine Schug)

Yemanja em Barra Velha (Foto por Elaine Schug)

O livro já conta, também, com um site oficial montado pelo autor, onde ele reúne várias outras informações sobre sereias, como uma lista de lugares onde podemos encontrar estátuas de sereias, loja de caudas e acessórios, poemas e arte.

Jeju Island, Coreia do Sul (Foto por Cheryl Chan)

Jeju Island, Coreia do Sul (Foto por Cheryl Chan)

Praia da Sereia, Vila Velha (Foto por Walter Rozindo Jr)

Praia da Sereia, Vila Velha (Foto por Walter Rozindo Jr)

Songkhla, Tailândia

Songkhla, Tailândia

Réplica da estátua A Pequena Sereia da Dinamarca em Brasília (Foto por Eric Royer Stoner)

Réplica da estátua A Pequena Sereia da Dinamarca em Brasília (Foto por Eric Royer Stoner)

Achei interessantíssima essa iniciativa que borbulha cultura, e tô torcendo para que o autor consiga lançar a obra – que, por sinal, já arrecadou mais de 10 mil dólares; restam, então, 15 mil para alcançar a meta. Vamos ajudar? 😀

Aproveitando, relembre os posts que já fizemos sobre lugares com monumentos de sereia:





Camila Gomes





10
jul
A Conchologia de Marina Alexandrovna

Para quem não sabe, a minha xará aqui do Sereismo e conterrânea Camila Gomes é muito fã da família Imperial Russa (eu achava que eu era, mas ela é muito mesmo) e, como uma sereia, ela logo deu um jeito de encontrar uma referência marítima no país que é sempre lembrado pela neve. É que Hans Christian Andersen, autor de A Pequena Sereia, e a imperatriz viúva Maria Feodorovna eram muito próximos quando ela ainda era conhecida como Dagmar da Dinamarca. Quando ela se mudou para a Rússia para se casar com o então czarevich Alexandre Alexandrovich, Andersen a escreveu:

Ontem, nas docas, enquanto estava a passar por mim, ela parou e segurou-me na mão. Os meus olhos encheram-se de lágrimas. Pobre criança! Oh, Senhor, sede gentil e piedoso com ela! Dizem que existe uma corte brilhante em São Petersburgo e que a família do czar é simpática, mas mesmo assim ela vai a caminho de um país desconhecido onde as pessoas são diferentes e a religião é diferente e onde não vai ter nenhum dos seus conhecidos a seu lado.

Então, quando eu me deparei com esse mosaico de sereia abaixo assinado por um nome russo, já logo lembrei dessa história que ela me contou e fui fuçar para saber se havia mais registros dessa relação.

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É uma obra da artista russa Marina Alexandrovna. Pesquisar sobre ela foi um pouco difícil, porque a maioria das coisas está em russo e também há uma atriz famosa com esse nome. O que descobri é que Marina Alexandrova mora em Moscou e é um membro da prestigiada Russian Artist Union. Ela faz seu trabalho com conchas há 10 anos. Apesar de seu forte ser mosaicos, ela trabalha com objetos de decoração, o que inspirou a escrever o livro Seashells and Coastal Decor.

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Marina já era artista profissional quando passava as férias em uma costa e se encantou pelas formas, cores e texturas das conchas marinhas. Ela prefere usar o seu material com a cor natural. As conchas usadas em seu trabalho são em grande parte adquiridas de comerciantes, mas ela também viaja em busca de novas cores e formas. Marina expõe seus mosaicos normalmente no Salão de Arte em Moscou e, como também trabalha com móveis, em feiras comerciais de móveis.

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Como artesã, Marina também afirma que prefere trabalhar com as conchas menores. É o que acaba enriquecendo o trabalho, deixando ele bem cheio detalhes. Em uma entrevista, ela disse que também trabalha em várias peças simultaneamente. Especialistas definem o trabalho dela como elegante, original e exclusivo, pois não há conchas iguais na natureza. Essa direção da arte também é chamada de Conchologia. Nos mosaicos, os seus trabalhos mais conhecidos são os flamingos, cisnes, patos e, claro, sereias.

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Por Camila Piccini










5
jul
Curiosidades sobre mergulho e apneia

Na novela A Força do Querer, a personagem Ritinha (Ísis Valverde) finalmente começou a trabalhar como sereia profissional, e ainda estamos comemorando essa notícia.

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Sabemos o quanto a atriz se esforçou para viver a personagem, tendo aulas de mergulho e apneia com a sereia profissional Mirella Ferraz.

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E hoje eu vou falar um pouco sobre a história do mergulho e as modalidades desse esporte.

Primeiro, o que é apneia?

Apneia é a suspensão momentânea da respiração, usada para praticar mergulho livre. É importante conhecer a capacidade do pulmão, o uso do diafragma e, quando for aplicar isso no mergulho, treinar estaticamente (sem nadar) para conhecer o seu tempo. Também é importante a presença de um profissional, pois ele poderá instruir como evoluir nessa prática sem causar riscos à saúde.

Existem três tipos de mergulho:

  • Autônomo – O mergulhador leva os aparelhos para respiração consigo;
  • Dependente ou semi autônomo – O suprimento de ar não é levado pelo mergulhador e é feito através da superfície com compressor de ar e uma mangueira chamada de umbilical;
  • Livre – É o mergulho em apneia. O mergulhador não usa qualquer tipo de aparelho para respiração e conta somente com a capacidade do pulmão.

O mergulho livre em apneia é o mergulho praticado pelas sereias profissionais.

A Associação Internacional para o Desenvolvimento da Apneia (Aida) define 9 modalidades esportivas dessa categoria. A maior recordista do Brasil é a atleta Karol Meyer. Ela também é conhecida como Karol “Peixe” e coleciona recordes: 8 mundiais, 2 continentais, 30 sul-americanos e 6 nacionais. Além de ter sido a primeira mergulhadora brasileira a realizar recordes mundiais para o país, se tornou também recordista absoluta (masculino e feminino) em número de recordes mundiais alcançados. Em 2010 ela se tornou a pessoa com o maior tempo de apneia do mundo e ficou 18 minutos e 32 segundos submersa, entrando para o Guiness Book.

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Como já mencionado, essa prática requer muito treino e ajuda profissional. Mas não é de hoje que o ser humano tenta descobrir os mistérios do mar. Ao longo dos anos, trajes e aparatos para ajudar o mergulhador a chegar às profundezas vem sendo aprimorados.

Como tudo começou?

O primeiro grande nome que se menciona na história do mergulho é de Alexandre, O Grande. Aristóteles menciona que o exército de Alexandre usava uma espécie de barril com a abertura para baixo, aprisionando o ar e permitindo que os soldados respirassem embaixo d’água o ar dos barris. Essa técnica é chamada de O Sino da Antiguidade, e foi usada para invasão da costa do Mediterrâneo, por volta de 332 a.C. 

No período do renascimento artístico, muitos conhecem o famoso quadro Monalisa, de Leonardo da Vinci, mas poucos sabem da contribuição do pintor (e inventor) para a história do mergulho. Ele muitas vezes não é mencionado porque os seus projetos nunca saíram do papel. Em 2014, eu fui a uma exposição em São Paulo “Leonardo da Vinci, a Natureza da Invenção”, e lá estava exposto um escafandro. O traje do mergulhador lembrava muito o de um aviador, e era feito de couro com jaqueta e um snorkel (respirador) rudimentar. A respiração acontecia através do snorkel, com longos tubos flexíveis que iriam acima da superfície terminando em flutuadores de cortiça que ficavam boiando e permitiam que a ponta desses tubos ficassem em contato com o ar. Da Vinci também levou em consideração outras necessidades de seus escafandristas teóricos, como a estabilidade dentro d’água (ele chegou a pensar em um sistema de pesos que os mantivesse eretos no solo marinho), a possibilidade de subir ou descer com a ajuda de balões cheios de ar e até uma bolsa de couro separada para guardar o xixi dos mergulhadores caso eles ficassem apertados durante suas missões.

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Em 1690, Edmundo Halley, o conhecido astrônomo do cometa Halley, começou a estudar o sino da antiguidade e “resolveu” o problema da falta de renovação do ar. Oxigênio em tonéis eram levados junto com o sino para renovar o ar e havia oxigênio até para 90 minutos.

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Em 1715, o inglês John Lethbridge inventou o que a história chama de máquina de mergulho. Era um barril de carvalho hermético com espaço para colocar os braços e permitir que o mergulhador recolhesse objetos de valores de naufrágios.

John Lethbridge

Os irmãos Charles e e John Deane inventaram o capacete de mergulho por volta de 1820. Eles realizavam operações no naufrágio da Mary Rose. Os irmãos Deane foram atrás de Augustus Siebe para que ele fizesse uma variação do capacete de mergulho. Considerado o pai do mergulho, o engenheiro construiu o primeiro escafandro (fora do papel). O escafandro era uma roupa de borracha selada por um capacete vedado que recebia ar bombeado por um umbilical, e contava com válvulas para liberar o oxigênio “usado”. Como esse sistema ficava na parte inferior do traje, era necessário mergulhar na posição vertical, pois nadar na horizontal encharcava o traje.

No início do século XX, Benoit Rouquayrol e Augustus Denayrouze criaram o Aerophore, traje que acompanhava um tanque de ar comprimido nas costas, também alimentado pelo umbilical. Essa roupa de mergulho permitia caminhadas ao fundo do mar.

aerophore

Durante a Primeira Guerra, o comandante Le Prier criou um escafandro autônomo de ar comprimido. A guerra possibilitou outras evoluções no quesito mergulho – enquanto Louis Corlieu patenteava o pé de pato, Guy Gilpatrick adaptou os óculos da aviação para mergulho.

A última grande “invenção” foram os cilindros de ar autônomos, que surgiram em 1943 com os oceanógrafos Jacques Cousteau e Émile Gagnan. Ele permite nadar sem contato com a superfície e a pressão era controlada por regulagem, adequando a pressão dos pulmões a pressão dos cilindros. Essa invenção recebeu o nome de Aqualung.

aqualung

Atualmente, os trajes de mergulho são feitos normalmente de neoprene – neoprene borracha expandida revestida com tecido de poliéster, resistente, altamente elástico, flexível e que proporciona proteção térmica. Começou a ser utilizado na confecção de roupas de mergulho por volta 1950 por causa da característica isolante. Além de mergulho, o neoprene também é  usado por surfistas no inverno e por atletas profissionais. Meu sonho da vida sempre foi ter o discreto traje de mergulho da Sabrina, do filme Sabrina na Austrália – aliás, a atriz que interpretou a sereia no longa também teve que ter aulas de mergulho para viver a personagem.

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Neoprene também é a matéria prima das caudas do ateliê da Mirella Ferraz, MS-Fins.

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Em um mergulho, é a movimentação dos pés que auxilia no impulso e na velocidade. Por isso, é muito comum o uso do pé de pato, pois sua ampla superfície permite que mais água seja movimentada e, consequentemente, o impulso seja maior. A vantagem do pé de pato é que ele permite que o movimento dos pés seja independente, então ele só amplifica o movimento de quem já sabe nadar. Já a monofin, o pé-de-pato de sereia que é uma coisa só, proporciona um impulso maior por ter uma superfície mais ampla, mas seu uso deve ser realizado com cautela. Como os seus pés estão presos e juntos, o movimento que a gente aprende (e costumamos fazer por reflexo) de bater os pés fica impossibilitado e é preciso coordenar o nado com a ondulação do seu corpo, movimentando o quadril e o braço em um movimento orquestrado. Como ondulação é fundamental para um nado borboleta, o uso da monofin por atletas para potencializar a performance é altamente difundido.

monofin

Logo quando a venda de caudas de sereia ficou popular, muitas matérias televisivas foram ao ar nos Estados Unidos e Austrália, alertando adultos que estavam comprando caudas para crianças os perigos que a brincadeira poderia causar. Como dito no parágrafo anterior, como a monofin e a própria cauda deixam as nossas pernas e pés presos e unidos, independente se for maior ou não de 18 anos, a atividade pode ser bem perigosa se não for praticada com cautela por quem não sabe nadar. Por isso, se uma criança for brincar de ser sereia, seja na praia ou piscina, um adulto sempre deve estar por perto monitorando. Há algumas lojas de caudas, como a FinFun, que não recomenda a peça para menores de 5 anos.

finfunkids

Para quem ficou com vontade de mergulhar, não deixe de procurar a ajuda de um profissional para realizar mergulhos recreativos. Vale lembrar, também, que a Mirella vai dar um curso de sereia nas férias e nós contamos mais aqui 😉

Por Camila Piccini