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fev
Pontos de mergulho no Brasil e minha primeira vez na atividade, por Camila Piccini

Nós já fizemos um post aqui sobre mergulho, onde falando um pouco sobre evolução de trajes, apnéia e tudo que envolve um passeio no fundo do mar. Entretanto, eu de fato nunca havia mergulhado antes, mas isso mudou no final do ano passado e foi uma experiência INCRÍVEL. Fui a Porto Seguro em outubro e, no hotel, a agência de viagens ofereceu como passeio o mergulho (e eu estava muito triste de não ter feito em Arraial do Cabo, onde fui anteriormente, pois o dia não estava claro e isso interfere na visibilidade da água). Quando vi os dias de sol que estavam por vir, já tinha decidido minha resposta antes deles terminarem de falar. Como meu passeio era pela manhã, eles me indicaram tomar um café da manhã com muitas frutas e proteínas, pois era importante eu estar bem alimentada, mas que também evitasse coisas pesadas para não passar mal.

Uma van nos levava ao ponto de mergulho, e neste tempo deu para eu conhecer quem estava me acompanhando. Ao chegar no barco, tinha muitas outras pessoas que também não sabiam nadar, como eu, porque na verdade isso não é uma exigência para o mergulho recreativo acompanhado por instrutores. Durante a viagem de barco que nos deixaria no local de mergulho, eles nos explicaram a dinâmica da atividade, a comunicação e os “truques”. A começar que o mergulho é realizado com um mergulhador certificado pela PADI levando, no máximo, duas pessoas. A cada metro que você desce, o instrutor te faz um sinal para baixo e você responde com um OK com as mãos, se estiver tudo bem. Caso não se sinta à vontade, você aponta para cima, se preferir subir. Essa foi a parte mais difícil, porque meu cérebro entende que ok é joinha, então eu falava “vamos subir” ao invés de “tudo bem”, e o melhor é que não fui a única, rs.

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Como a pressão da água é diferente, você acaba sentido uma pressão no ouvido, e a todo momento do mergulho você pode fazer a Manobra de Valsalva, que nada mais é que apertar o nariz e tentar soltar o ar por ele (eu faço isso sempre que vou de Santos para São Paulo, a subida da serra também faz pressão).

Se entrar água na sua máscara, você segura a máscara na testa e respira pelo nariz, dessa forma o ar expulsará a água. Caso sinta dificuldade em realizar qualquer um desses procedimentos, você avisa o instrutor apontando para o local do problema; se for na máscara para o rosto, se for no ouvido aponta para o ouvido e assim por diante, e faz aquele sinal com a mão de “mais ou menos”, que em “mergulhês” significa problema.

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Então o instrutor começa a explicar como é usar o respirador. Você respira fundo, deixa o ar ir para o seu pulmão e solta. Ele inclusive conta que as pessoas ficam muito desesperadas quando solta o ar, por causa das bolhas. E eu pensei: “quem vai ficar desesperado com isso?”. Adivinha qual foi minha reação quando vi o tanto de bolha que solta?

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Assim que chegamos ao destino, todo mundo já coloca a roupa de neoprene e você deve ficar no barco esperando sua vez. Eles disponibilizam snorkel com respirador para quem quiser pular na água, e também rola ficar no barco aproveitando a bela vista de estar no meio do oceano ou tirar mais dúvidas com a tripulação.

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Eis que chegou a minha vez. Basicamente você senta e eles te equipam, é como ser um nobre do reino das águas claras, porque você não mexe em nada. Um dos mergulhadores fica na sua frente no seu primeiro contato com um respirador ligado a um cilindro. É oxigênio, então faz barulho, e quando você está prestes a mergulhar, você se sente assim:

Depois que você pega o jeito, é só dar um passo e cair na água. O mergulhador fica lá até você sentir segurança de descer. No começo, eu respirava muito rápido e não sentia o ar, e ele me disse que eu só precisava respirar mais devagar. Assim que você afunda, tudo fica mais leve. O profissional vai te conduzindo e se você quiser, nem bater a perna precisa. O braço também fica junto ao corpo, para não afastar os peixes. Conforme você vai descendo, você começa ver uma variedade de corais imensa, todo aquele roxo vivo cercado de uma imensidão azul. Foi neste momento que entrou água na minha máscara, porque eu chorei.

As fotos são pagas à parte, ou quem tem máquinas à prova d’água pode levar também. 

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Depois dessa experiência, sempre planejarei férias em locais que são pontos de mergulho, porque foi uma sensação maravilhosa e muito emocionante. O litoral brasileiro é bem extenso e cheio de pontos incríveis, com as mais variadas espécies de corais e animais. Vocês podem entrar em contato direto com profissionais certificados para terem essa experiência. Confiram abaixo uma lista dos pontos de mergulho mais procurados:

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  • Santos (SP) Ir até Porto Seguro para descobrir que a minha cidade natal possui um dos pontos mais famosos do Brasil foi, no mínimo, engraçado. Os mergulhos acontecem no  Parque Estadual Marinho da Laje de Santos e possuem uma diversidade de vida marinha fascinante.
  • Arraial do Cabo (RJ) Arraial é o local do litoral do Rio de janeiro que mais se destaca na hora de se pensar em mergulho. Em suas 35 ilhas de descida não é necessário longos períodos de navegação (vantagem para quem enjoa). Arraial do Cabo também possui náufragos, além de uma fauna diversa.
  • Guarapari (ES) Além das mais rica biodiversidades do Brasil, com 220 espécies identificadas, outros pontos muito procurados para mergulho nas águas capixabas são os náufragos Bellucia (em 1903) e Victory 8B (em 2003).
  • Abrolhos (BA) O arquipélago de Abrolhos fica à duas horas de distância da cidade Caravelas e apresenta uma rica formação de corais. O mergulho também pode ficar mais interessante, pois baleias jubartes costumam nadar por perto.
  • Fernando de Noronha (PE) Quem nunca ficou viu uma matéria sexta à noite sobre Golfinhos e se imaginou em Fernando de Noronha? A ilha é considerada o melhor lugar do Brasil para se fazer mergulho, não só pela diversidade de vida marinha, mas pela visibilidade e temperatura da água.
  • Bonito (MS) Nem só quem está perto do mar que pode praticar mergulho. Os mergulhos em Bonito unem a prática a rapel, proporcionando um roteiro de aventuras. O mergulho em cavernas da cidade é considerado o maior roteiro de mergulho fluvial do país.
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Guarapari (ES)

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Bonito (MS)

Só de ler sobre esses lugares já me desperta a vontade de conhecer o país que temos debaixo d’água. Vocês já mergulharam ou tem vontade de realizar essa prática?

FALANDO NISSO…

No início do mês a Folha de S.Paulo publicou uma matéria sobre a suposta proibição de monofins por parte do Inmetro. Fomos procuradas para entrevista por causa do nosso post que desmistifica o perigo do acessório (na verdade, o perigoso é usa-lo sem responsabilidade, sem treino e sem supervisão). Também estão na matéria a sereia profissional Mirella Ferraz e o Tritão Ph (em destaque na foto). Clique aqui para ler a reportagem na íntegra.

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Minha primeira vez com a monofin – Flutuando plena!

Por Camila Piccini