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Desmitificando o monofin e a cauda de sereia

Recentemente, muitos portais e até mesmo programas de TV estão publicando matérias que alertam os riscos do uso do monofin (o pé de pato unificado usado em caudas de sereia) e deixou muita gente preocupada (pra não dizer em pânico). Aqui no Sereismo nós sempre mencionamos que essa atividade deve ser supervisionada, mas é extremamente exagerado quando demonizam o uso do acessório, a ponto de quererem proibir a venda e uso. 

Minha monofin que veio junto com a minha cauda da Miami Beach Mermaids

Como as sereias povoam a mente das crianças, as reportagens focam o uso da cauda por parte do público infantil. Eles ressaltam que com os pés unidos e as pernas juntas, a criança fica impossibilitada de se movimentar e corre o risco de se afogar silenciosamente. Ainda é salientado que é necessário que um adulto esteja em um espaço de 1 braço de distância da criança no momento da atividade. O que, primeiramente, queremos levantar aqui é que a supervisão de um adulto deve ser imprescindível com ou sem o uso de monofin. A criança SEMPRE possui risco de se afogar e, mesmo que saiba nadar, ela nunca deve estar sozinha em uma piscina e, principalmente, em mar aberto, sem a supervisão de um adulto.

Foto por Seth Casteel.- Veja mais aqui

Foto por Seth Casteel.- Veja mais aqui

A segunda questão é desmitificar o uso do monofin. Falar sobre quando ele realmente deve ser usado e dar dicas de segurança é sempre bom e útil, e sim, é possível combinar segurança com diversão! monofin é um acessório que auxilia a desenvolver a ondulação do corpo, muito usado para treinar o nado borboleta e nado de costas, exercitando abdômen, glúteos e pernas. Para nós, entusiastas do Sereismo, os monofins que possuem barbatana desenhadinha são os favoritos. Para mergulhadores profissionais, o monofin reto possui uma maior superficie de contato com a água e resulta em um impulso maior.

monofin

É claro que uma criança não vai usar monofin para treinar profissionalmente, mas é importante ressaltar a funcionalidade do acessório para que não seja visto como só “mais um resultado perigoso de uma moda passageira”. O monofin existe e é vendido e usado livremente há anos! Vendo o acessório como um potencializador de performance no nado, acho que podemos retornar ao uso infantil falando da natação. A natação é um esporte que respeita nosso organismo e é indicada por todos os médicos, sem contraindicações, para todas as idades.

Foto: Divulgação (Ana Nogueira)

Foto: Divulgação (Ana Nogueira)

Muitos especialistas sugerem que a natação deva ser inserida em uma rotina infantil por proporcionar diversos benefícios. O recomendado é após os seis meses de idade, quando o ouvido do bebê já está mais desenvolvido para não entrar água. A natação melhora a respiração, pois faz com que a criança desenvolva as habilidades de respiração correta. O esporte também melhora circulação, as habilidades cognitivas e motoras, proporciona alongamento dos músculos e tonificação dos mesmos, combate o sedentarismo, proporciona autoconfiança e um sono melhor.

A natação infantil se divide em 4 fases:

  • 6 meses a 2 anos – A criança se acostuma com o meio líquido e aprende a mexer na água. Cria reflexo ao molhar o rosto.  
  • 3 a 4 anos – Fase em que a criança aprende a se deslocar de um ponto ao outro.
  • 5 a 6 anos – Estilos de nado (crawl, costas) e respiração lateral.
  • 7 a 12 anos – Aperfeiçoamento dos estilos.

O uso do monofin é permitido somente para crianças que já estão na última fase, pois além de mais velhas, elas já possuem o contato e habilidade de nadar desenvolvida. Assim como nadar no mar contém seus riscos até para os que sabem nadar – pois a criança pode ser arrastada pela correnteza ou não conseguir respirar em uma vinda contínua de ondas – utilizar o monofin requer uma prática em águas paradas, com delimitações e paciência.

Mirella Ferraz em seu workshop - Florianópolis, Dezembro 2017

Mirella Ferraz em seu workshop – Florianópolis, Dezembro 2017

O ideal é que a piscina seja rasa e dê pé para a criança levantar mesmo com o adulto supervisionando. Se possível, pode ser aquela parte da piscina em que a criança brinca sentada, pois estar com as pernas juntas não fará diferença uma vez que ela é capaz de sentar no ambiente. Assim, é possível iniciar a experiência primeiramente boiando de costas,  pois você começa a aprender a flutuar com o corpo unido. Com o domínio da flutuação, será possível aprender a bater a perna, iniciando os deslocamentos. Segurar na beira da piscina enquanto bate perna também é uma ótima dica para o início. O mergulho só deve ser praticado depois de muita prática, pois envolve, além da habilidade de nadar, a respiração embaixo d’água (leia aqui o nosso post sobre apneia).

Todas essas dicas são válidas, também, para adultos que querem se aventurar com o acessório e não sabem nadar propriamente. Respeitando os limites, estando sempre acompanhado e estar em águas paradas fica possível unir segurança à muita diversão, e quem sabe transformar o hobby em algo mais sério no futuro. Até onde sabemos, nunca houve acidente fatal envolvendo cauda de sereia e os representantes poderiam se preocupar com coisas mais prejudiciais ao invés de tornar uma simples brincadeira em algo sensacionalista.

Por Camila Piccini