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Projeto Tamar

Impossível falar de sereia e não associar a preservação marinha. O Project Mermaids, que já falamos aqui, faz um trabalho de conscientização ambiental através de fotos de sereias, e também já tivemos protestos da Mirella Ferraz, alertando sobre a preservação dos oceanos. Então, nada mais justo do que conhecer um pouquinho mais do projeto brasileiro mais bem sucedido em questão de preservação de vida marinha: o Projeto Tamar.

Eu sempre ouvi falar do Projeto Tamar, mas eu o conheci mesmo há dois anos. Fui para Florianópolis visitar minha família e minha prima “ganhou” uma tartaruga tigre-d’água. Nós resolvemos leva-la a um lugar de preservação e pensamos na sede do Projeto Tamar da cidade, que fica localizada na Barra da Lagoa.

Logo de cara os funcionários nos explicaram a diferença entre as espécies aquáticas e tartarugas marinhas (identificadas pelas nadadeiras) e nos contaram sobre o desequilíbrio ecológico que vem sido causado pelo abandono de tartarugas tigre-d’água americana, que é vendida ilegalmente.

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Enquanto meu tio foi levar o tigre d’água para outro projeto de preservação, nós fomos convidados a conhecer o espaço. Assim que eu entrei me deparei com um tanque com uma tartaruga, que olhou para mim bem na hora que eu bati foto:

projetotamar_camilapiccini

Depois eu me animei para tirar foto em um desses painéis que ficam disponíveis. Eu empolgadíssima versus minha prima levemente envergonhada:

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A Camila Gomes, minha xará aqui do blog, também conheceu o local há pouco tempo e se empolgou nos paineis – ainda mais porque um deles é de sereia!

projetotamar-camilagomes

Não demorou muito para eu pesquisar mais sobre o projeto, conhecer mais sobre como surgiu a ideia, como ele é aplicado e com quais espécies ele trabalha.

Tudo começou no sul do país com um grupo de estudantes de oceanografia da Faculdade Federal de Rio Grande, no final da década de 70. Nesta época, as tartarugas já faziam parte do grupo de animais em extinção devido a grande matança das fêmeas em época de desova e do recolhimento dos ovos deixados na praia.

Esses estudantes realizavam expedições a praias desertas para estudar mais sobre a vida marinha. Em uma dessas expedições, quando estavam em Atol das Rocas, os pescadores mataram 11 tartarugas em uma noite. Com a chocante imagem, os estudantes daquela turma passaram a se dedicar de maneira profissional a preservação marinha.

O Projeto Tamar é abreviação de TArtaruga MARinha. Ele monitora aproximadamente 1.100km de praias, em 25 localidades diferentes. Alguns desses locais são centros de visitação (local que eu conheci) com lojas, lazer e conscientização ambiental.

projetotamar

Além do centro de visitação em Florianópolis, os outros centros pelo Brasil são:

  • Praia do Forte /BA;
  • Arembepe/BA;
  • Fernando de Noronha/PE;
  • Oceanário de Aracaju/SE;
  • Regência/ES;
  • Vitória/ES.

Outro local de visitação que eu pretendo ir em breve fica no litoral Sul de São Paulo, em Ubatuba, que recebeu em janeiro a certificação de Posto Avançado da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica.

O projeto conta com o trabalho de oceanógrafos, pescadores, biólogos, pesquisadores e diversos profissionais que observam as áreas de alimentação, desovas, crescimento e descanso desses animais, além de orientarem o turismo e a população local para preservar as áreas de desovas. Desde 2001, eles usufruem da telemetria, que é um monitoramento por satélite para observar a migração das tartarugas.

Os pesquisadores monitoram os ninhos nos próprios locais de postura, ou transferem alguns, encontrados em áreas de risco, para locais mais seguros na mesma praia ou para cercados de incubação, expostos ao sol e chuva plenos, em praias próximas às bases de pesquisa. São feitas marcação e biometria das fêmeas, contagem de ninhos e ovos.

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Nas palestras de conscientização, os profissionais alertam para as interferências humanas que podem prejudicar o retorno das tartaruguinhas. A iluminação em praias de desovas é uma delas. A luz artificial faz com que elas sejam atraídas e se percam no caminho de volta para o mar. Em locais de desovas, o uso de quadriciclos também não é permitido.

Existem sete espécies de tartarugas marinhas no mundo. Desse total, o Projeto Tamar faz o acompanhamento de cinco espécies, que são as que são encontradas no litoral brasileiro:

  • Tartaruga Cabeçuda;
  • Tartaruga-de-Couro;
  • Tartaruga Oliva;
  • Tartaruga Verde;
  • Tartaruga-de-pente.

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O Tamar disponibiliza tirinhas com essas tartarugas dando dicas de preservação. Eles são chamados de Galera da Praia.

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Os hábitos, alimentação, curiosidade são apresentados por eles de maneira lúdica, com uma linguagem de fácil compreensão para adultos e crianças.

Normalmente, as tartarugas procuram áreas com areia e água do mar mais quentes. Esse motivo faz com que as principais áreas de reprodução sejam no Rio de Janeiro, norte do Espírito Santo e pelo Nordeste brasileiro, ou seja, nas regiões com as temperaturas mais altas.

Todas as tartarugas que desovam no litoral brasileiro se encontram ameaçadas. Uma tartaruga entra na maturidade sexual após os 25 anos e na idade adulta apenas aos 30. Então apesar dos 35 anos do projeto, apenas agora as tartarugas que nasceram sobre a proteção do Tamar estão atingindo a idade adulta.

Além do monitoramento, o projeto oferece alternativas além da pesca predatória para pescadores locais, conscientização e orientação. Existe também a conscientização de professores e escolas, informando sobre a importância de manter as praias limpas.

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Tamar conta com patrocínio nacional da Petrobras, através do Programa Petrobras Socioambiental, apoios e patrocínios regionais de governos estaduais e prefeituras, empresas e instituições nacionais e internacionais, além de organizações não governamentais.

*Todas as informações foram retiradas do site oficial do Projeto Tamar.

Ah, e sabem quem já começa sua história salvando uma tartaruguinha?

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Aproveitando o gancho, logo que o filme Moana começou a ser reproduzido nos cinemas, a Disney lançou uma campanha em que cada foto postada com a hashtag #MergulheNessa seria doado R$1,00 para o projeto. A campanha infelizmente já acabou, mas ficaram registros incríveis de pessoas mostrando a relação com o mar.

Pensando nisso, nós do blog Sereismo estamos “relevantando” a hashtag junto com #MarSemSujeira para que nossas leitoras sereias e leitores tritões apareçam em nossas redes sociais. As fotos precisam mostrar uma relação bem íntima com o mar e mostrar que ser sereia vai além de ter uma cauda e significa cuidar do nosso litoral <3

camilapiccini_mergulhenessa

Bora? 😀

Por Camila Piccini










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Ana
março 2nd, 2017 às 8:46 pm

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Na praia onde veraneio é cheia de banhados e laguinhos, verão passado meu pai achou um tigre d’água nativo de cabeça pra baixo perto do lago que tem ao redor da minha casa, sendo comido por tartarugas, minha mãe estudou e descobriu que em cativeiro elas crescem mais rápido. Ela levou a tartaruguinha pra casa e esperou ela crescer e se recuperar pra devolver ela pro lago. No fim minha mãe se apegou a tartaruga e a tartaruga se apegou a minha mãe, todo fim de semana a gente vai lá e ela entra no lago e passa o dia dando comida pra tartaruga que vem na mão dela e tudo e quando ela entra no lago a tartaruga vem correndo é um amor.

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