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jan
Moana: A sereia com pernas da Disney
em: Cultura

Hoje é a estreia da nossa nova colaboradora! Deem as boas-vindas a minha xará e conterrânea Camila Piccini (e sósia da Moana nas horas vagas – por isso, nada mais justo do que começar fazendo resenha desse filme!) <3

Olá, meu nome é Camila e eu sou a mais nova colaboradora do blog Sereismo. Eu nasci em Santos, tenho um pai surfista e uma mãe fissurada em praia. O que me fez crescer no meio de muitos campeonatos de surf com a minha mãe me arrancando do mar.

Quando saíram as primeira artes gráficas de Moana, eu fiquei tão feliz de ver uma personagem com um narizinho de batata, cabelo cacheado e que ama o mar, mas eu não sabia que esse filme seria tão especial para mim. A minha relação com a minha avó é algo que eu não consigo nem descrever de tão completa e intensa que era. Eu me sinto a pessoa mais feliz de lembrar tudo de bom que nós vivemos juntas. Pelos trailers eu já sabia que eu não seria capaz de assistir o filme com a dignidade intacta.

No terceiro dia depois da estréia, eu já tinha assitido ao filme duas vezes. Uma delas com a minha mãe, que reafirmou a minha lembrança de não sair do mar quando criança. Conversando com a Camila Gomes sobre o quanto o filme já tinha cativado um lugar especial para mim, ela me chamou para escrever sobre o ele e trazer algumas curiosidades, e eu não pude deixar de aceitar.

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Moana mal estreou e já quebrou recordes de bilheterias tanto nos EUA, quanto aqui no Brasil. Nós aqui do blog Sereismo já temos a licença poética de chama- la de sereia com pernas, já que como a própria personagem diz: “Sempre volto pra água, não consigo evitar“.

See the line where the sky meets the sea? It calls me.

A história da Moana se passa nas ilhas Polinésias. Elas ficam em uma área triangular compreendida entre o Havaí, Nova Zelândia e as ilhas de Páscoa. Isso explica uma certa semelhança com outra personagem conhecida nossa.

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Fan art Moana & Lilo por Judy Lavernehopps

Quando criança, o oceano escolheu Moana para encontrar o semi-deus Maui e restaurar o coração da deusa Te Fiti, evitando que a escuridão fosse espalhada pelo Pacífico. Moana cresceu, divida entre o chamado do oceano e suas responsabilidades como filha do chefe da tribo. Ao perceber que a escassez de peixes havia atingindo a costa da ilha de Motu Nui, ela sentiu que a resposta estava naquele chamado do oceano. Incentivada pelos conselhos de sua avó, Moana descobriu que seus antepassados eram navegadores e, em seguida, partiu em busca de Maui para salvar o seu povo. A jovem, então, consegue restaurar os costumes antigos de seus antepassados, retornando ao mar para descobrir novas ilhas.

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Saindo do desenho e trazendo para nossa história, a linha do tempo dessas navegações ainda não é cientificamente conclusiva. Thor Heyerdahl, um pesquisador, acreditava pela semelhança física, costumes agrícolas, que a Polinésia foi colonizada por sul americanos. Patrick Kirch, outro pesquisador, defende o oposto: os polinésios que foram de encontro aos ameríndios. Apesar da cronologia não definida, essa ligação entre os continentes existe e foi comprovada, no filme, através de um bichinho que arrancou muitas gargalhadas: Hei Hei. Em 2007, acharam em um sítio arqueológico no Chile com ossos de galinhas de DNA compatível com os galináceos da Polinésia. Como as galinhas atravessaram o Oceano Pacífico antes da colonização européia? Os arqueólogos e pesquisadores acreditam que elas eram levadas nas embarcações.

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A Disney sempre tem uma referência em suas histórias e, por isso, a nossa sereia com pernas não apenas resgatou o costume do seu povo, resgatando o costume de navegadores, mas ela também garantiu que um galo atravessasse o oceano, como na época das grandes navegações Polinésias!

E sendo uma personagem escolhida pelo mar, existem várias referências a Pequena Sereia em Moana também. Lin-Manuel Miranda, um dos compositores da trilha sonora, afirmou em seu Twitter que a música de Tamatoa, o caranguejo gigante, fala sobre caranguejos que comem humanos como uma forma de vingar Sebastião. E tem mais: quando Maui canta “You’re Welcome”, podemos ver o Linguado e, na cena pós-crédito, Tamatoa aparece de barriga para cima dizendo que, se tivesse sotaque jamaicano e se chamasse Sebastião, todos iriam ajuda-lo. Como não amar?

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Antes mesmo de estrear vários artistas criaram fan arts mostrando Moana interagindo com a Ariel. Por essas e outras, e principalmente por ter tantos elementos *sereísticos*, o novo filme da Disney mereceu ser citado por aqui, com o selo Disney de qualidade e emoção!










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[…] ossinhos finos e pigmentos que eram levemente martelados sobre a pele. O personagem Maui do longa Moana tem o corpo todo tatuado – a sua criação é uma referência destas […]