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Resenha de livro – A Sereia por Kiera Cass
em: Cultura

“A Sereia” é um livro da escritora Kiera Cass, famosa pela sua série “A Seleção”, publicado esse ano no Brasil. Apesar de ser atual, a autora confessa que a obra, na verdade, foi a primeira de sua carreira. Na época, ele foi publicado independentemente, sendo, agora, relançado e reescrito com sua nova editora.

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A história gira em torno de Kahlen (pausa dramática: o nome se lê ‘Kellen’ e a única coisa que lembrei durante toda leitura foi do vídeo do Porta dos Fundos! kkkk), uma garota de 19 anos que vivia na década de 30 e se envolve em um naufrágio com sua família. Por causa de sua vontade de viver, a Água resolve poupá-la, e a transforma em uma de suas sereias. As garotas que trabalham para a Água são sempre escolhidas em um momento de vida ou morte, e como forma de pagamento, elas devem viver como suas servas por 100 anos. Sua única função é alimentar a Água atraindo pessoas para a morte através de suas vozes. Depois do período de um século, elas podem ter a sua vida de volta. Kahlen foi a sereia mais obediente que já existiu, e faltando apenas 20 anos de sua pena, ela conhece um rapaz chamado Akinli, por quem se apaixona perdidamente. Sua voz mortal a impede de manter diálogos com o seu amado e sereias são proibidas de se apaixonarem. A trama se desenvolve a partir desse impasse, entre Kahlen manter sua obediência ou seguir o seu coração, arriscando até mesmo a própria vida.

A tal Água – sim, em letra maiúscula mesmo – não se limita a apenas um elemento. Ela é uma personagem que pensa, algo como um espírito ou deusa. As sereias a veem como uma espécie de mãe, mas sua personalidade autoritária e possessiva a afasta de suas escolhidas. Ela também sofre com as mortes que tem que causar, mas é a única maneira para manter-se existente no mundo.

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Vendo esse resumo, a gente pode até esperar um romance previsível e água com açúcar. Para muitos, ele até pode ser isso mesmo, mas Kiera faz jus ao seu sucesso. Sua escrita prende o leitor, é um livro muito gostoso de ler e ela dá destaque a todos os personagens, então não fica uma história totalmente centrada em apenas um casal. Minha única ressalva é na falta de detalhes, mas nada que tire o prazer da leitura.

Apesar do título nacional ser “A Sereia”, no original, na verdade, ele se chama “The Siren”, que traduzindo corretamente fica “A Sirena”. Pode parecer uma mudança boba, mas faz a diferença, afinal sirenas e sereias são seres míticos diferentes. Ambas são conhecidas por sua beleza e canto, mas enquanto a sereia é metade humana e metade peixe, as sirenas são metade humana e metade pássaro. No livro de Kiera, as sirenas/sereias são chamadas assim, mas são inteiramente humanas e vivem normalmente na civilização. O que as difere das pessoas normais é que elas passam 100 anos sem envelhecer, suas vozes são venenosas e conseguem respirar embaixo d’água. Aliás, ao entrarem na água, a única mudança que ocorre em seus corpos é um vestido de areia que surge e as envolve. Ou seja, a capa do livro faz bastante sentido!

Essa falta de cauda pode afastar os fãs mais radicais de sereias. Isso aconteceu comigo na série “Sereia”, de Tricia Rayburn (resenha aqui!). A propósito, no início foi impossível não remeter uma história a outra, pois nas duas as protagonistas são humanas que respiram embaixo d’água, chamadas, originalmente em inglês, de sirenas (apesar de no Brasil ser traduzido também para sereias). Outra semelhança é que elas são seres mortais, mas enquanto no romance de Kiera a morte serve para sustentar a Água, no de Tricia é para manter a saúde e beleza das próprias sirenas/sereias. E isso nos leva a outra série, “Watersong”, de Amanda Hocking (resenha aqui!). Uma das minhas preferidas! Nela, as personagens são conhecidas como sereias, mas se autointitulam sirenas e podem ter tanto cauda como asa de pássaro! Minha conclusão nessa confusão toda é que norte-americanos veem sirenas como humanas belas e mortais e editoras brasileiras não sabem distinguir “siren” de “mermaids”! hauhuahua

Para finalizar, é um livro que recomendo para qualquer público! Jovens, adultos, amantes de sereias e mitologia ou não. Mesmo porque dá para aprender algumas coisas com ele. Em certo momento, é citado um famoso conto de Franz Kafka, que diz:

“As sereias entretanto têm uma arma ainda mais terrível que o canto: o seu silêncio.”

E é a partir dessa frase que Kahlen e suas irmãs de alma conseguem desvendar muitos mistérios 😉





Camila Gomes





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fevereiro 18th, 2016 às 3:53 pm

1

Oi Meninas, tudo bem?
Depois que li esse livro fiquei ainda mais interessada no assunto. Adorei a forma diferente que autora encontrou para e lenda das sereias! :)
Bjs

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Bárbara
março 3rd, 2016 às 5:56 pm

2

Já quero esse livro gente!

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março 7th, 2016 às 5:52 pm

3

Eu estou louco pra ler esse livro porque já li diversas resenhas que falam bem dele e algumas que não falam tão bem, mas como eu sempre digo: precisamos criar nossas próprias opiniões. eu amo livros da Kiera e acho que ela não vai me decepcionar, acho que será a minha próxima aquisição. Adorei seu blog, já está nos meus favoritos.

Meu Blog: http://www.umcontainer.com

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Alessandra
março 11th, 2016 às 7:20 pm

4

Esse foi um livro que só comprei pela capa kkkk e foi meu primeiro contato com a escrita da Kiera. Amei o livro, a história é muito fofa ♥ chorei um monte com a Kahlen :(

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junho 20th, 2016 às 5:13 pm

5

Acabei de fazer uma resenha de A Sereia também… quem quiser uma segunda opinião dê uma espiada 😉

https://dissolverecompor.wordpress.com/

6

[…] confusão de tradução também pode ser observada em livros. É o caso do “A Sereia”, da Kiera Cass, e das séries “Sereia” e “Watersong”, da Tricia Rayburn e Amanda Hocking, […]