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maio
As sereias da Disneyland

Nós já havíamos falado sobre essa curiosidade na nossa fan page do Facebook (curta Sereismo!), que nos anos 50/60 a Disneyland (a que fica na California) contratava mulheres para serem sereias no parque. Elas faziam parte de uma atração chamada Submarine Voyage.

Pois bem, daí ontem a sereia leitora Ana Carolina Murray nos marcou nessa reportagem do PopSugar e achei interessante traduzi-la pro blog! Trata-se de uma entrevista com uma ex-sereia da Disney. Confira:

Quando o novo Submarine Voyage foi lançado em 1959, oito mulheres fantasiadas de sereia mergulhavam pela lagoa Tomorrowland como parte da celebração. Seis anos depois, a Disneyland trouxe um novo grupo de sereias para três verões consecutivos. Apesar delas serem populares, a exposição ao cloro virou uma preocupação, até que os representantes do parque resolveram tirar todas da piscina em 1967.

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Uma das sereias de 1959 era uma garota de 18 anos de cabelos negros chamada Susan Musfelt (atualmente atende pelo sobrenome de casada Susan Hoose). Depois de passar o verão como uma sereia, Susan estudou na Universidade do Estado do Arizona, onde ela conheceu seu futuro marido. De volta à California, o casal criou quatro filhos, nos quais são o seu maior orgulho. Atualmente morando no Arizona, Susan tirou um tempinho de sua movimentada agenda como corretora para relembrar sua experiência como uma sereia da Disneyland.

Susan como uma sereia e atualmente

Susan como uma sereia e atualmente

* Retirado do livro The Disneyland Book of Lists, de Chris Strodders.

No início de 1959, eu vi um anúncio da Disney no jornal procurando por sereias em potencial. Centenas de meninas apareceram no hotel. Pelo que eu lembre, os requisitos de idade eram de 18 a 24 anos, ter cabelo comprido e saber nadar. Felizmente eu tinha quatro anos de experiência em ballet aquático e ia completar 18 anos antes dos submarinos abrirem. Eu fui fazer o teste direto do treino, então estava usando camisa e shorts – acho que por ser a única menina que não estava de biquíni, fiquei em evidência. Mandaram a gente fazer uma fila e um homem e uma mulher passava por nós nos checando. Eu certamente não fazia ideia do que eles estavam procurando. Então eles pediram para algumas se sentarem perto da piscina.

Umas 40 garotas passaram para o teste do nado, mas pelo menos metade foi embora antes mesmo de entrar na piscina, já que nessa parte elas se deram conta do que teriam que fazer. Assim que nossos nomes foram chamados, mandaram a gente ficar de pé na parte mais profunda da piscina do hotel. Os nossos tornozelos e pulsos foram amarrados com um pano macio, e fomos instruídas a mergulhar por toda a piscina, inclusive encostando a barriga bem no fundo, enquanto salva-vidas nos observavam. Cheguei a ouvir algumas meninas sendo aprovadas, então eu sabia que podia ser possível. Quando dei por mim, já estava mergulhando até o fundo.

Meu estômago roçou a parte inferior da piscina antes de eu sentir meu corpo subindo. O movimento me impeliu de chegar a parte rasa, onde salva-vidas ajudaram a me desamarrar e pular para fora. Me pediram meu nome e número de telefone, deram um livro com tickets para passeios no parque e agradeceram minha presença. Eu não tinha ideia se tinha conseguido ou não. Minha família estava animada por eu ter tentado, e ficaram ainda mais eufóricos quando, dias depois, meu pai recebeu um telefonema de um executivo da Disney o informando que eu havia sido selecionada. Fiquei emocionada – era meu primeiro emprego de verdade e eu iria ganhar 45 dólares por semana sendo uma sereia da Disneyland!

O treinamento era rigoroso, e foi difícil conciliar as aulas de natação com escola, provas finais e formatura. Durante meses antes da inauguração, as sereias se encontravam toda tarde na piscina do Disneyland Hotel. Hora após hora nós praticávamos nados sincronizados. Nós ainda não usávamos as nadadeiras porque elas ainda estavam sendo feitas. A primeira vez que nadamos na lagoa Tomorrowland foi apenas poucas semanas antes da grande abertura, que aconteceu em 14 de junho. A construção acontecia ao nosso redor e eu lembro que via andaimes e operários, e o trabalho continuou até o último minuto. Eu não conheci o Walt Disney pessoalmente, mas nós fomos apresentadas a ele como um grupo pouco antes da inauguração.

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Assim que o Submarine Voyage começou a funcionar naquele verão, eu tive a oportunidade de dar uma volta nele pra ter uma melhor perspectiva de como as sereias eram vistas. Das pequenas janelas em frente aos assentos, os passageiros podiam ver as sereias nadando enquanto ouviam músicas e pessoas comentando sobre o passeio. Para as sereias, a vista era limitada. A gente não conseguia ver nenhum rosto de quem estava dentro do submarino – as janelas ficavam brancas embaixo d’água. Eu sorria, acenava e fazia malabarismos com a minha cauda. Nós não podíamos ir para a superfície enquanto o submarino não passasse. A água ficava a 12 graus Celsius e era bem gelado, então entre um submarino e outro nós sentávamos nas pedras e ficávamos nos aquecendo no sol.

Nós vestíamos tops e caudas que combinavam. As caudas eram de borracha, pesadas e vinham de diferentes cores. A minha era verde. Nós escorregávamos nossos pés até as nadadeiras e subíamos até a cintura, para então dois jovens rapazes fecharem o zíper para nós. Depois eles seguravam as nossas mãos para nos ajudarem a irmos até a água. O processo era revertido sempre que precisávamos sair da água por algum motivo. Anos depois eu tenho a impressão de ter reconhecido as nadadeiras que usávamos quando assisti a Daryl Hannah no filme ‘Splash’.

Nós entrávamos na água por uma doca atrás do cenário, então a primeira visão que o público tinha de nós já era embaixo d’água. Nós nadávamos por cerca de duas horas e então tínhamos uma pausa de 45 minutos. Não havia interação verbal entre as sereias e o público. Na verdade, nós éramos instruídas a permanecer no meio da lagoa, então não era possível conversar com o público porque ficava bem longe (apesar da gente conseguir ouvi-los nos chamando). Teve um dia que um grupo de garotos pularam na água para chegar perto de nós, mas eles foram impedidos por um funcionário da Disney e não chegaram a alcançar as pedras onde estávamos sentadas. Para finalizar, ter tido a oportunidade de ser uma sereia e trabalhar para o Walt Disney foi fantástica, e eu valorizo essa experiência.”

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Imagens: Tumblr, Daveland Web e PopSugar.





Camila Gomes





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maio 28th, 2015 às 3:31 am

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Uauuuuuu que interessante! Simplesmente fantástico poder conhecer um pouco dessas histórias verídicas de pessoas tiveram na sua trajetória de vida a oportunidade de trabalhar como sereias e em em nada mais nada menos que nos lagos maravilhosos da Disney…..Parabéns pelo post! Conheci o blog hoje e me encantei, certamente irei voltar mais vezes!!! Beijos!!!!

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[…] Se é uma escola ou apenas um trabalho divertido, não dá para saber, pois além de ser muitooo longe, ainda é muito recente para se ter mais informações, haha! Mas se for mesmo, não será novidade e nem exclusividade chinesa, afinal há escolas de sereias em várias partes do mundo, como por exemplo Inglaterra, Canadá e Filipinas. Vale lembrar, também, que até a Disneyland já usou sereias profissionais como parte de atração de um passeio turístico pelo parq… […]

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[…] finalizar, a nível de curiosidade, clique aqui para ler um outro post antiguinho que conta sobre as sereias profissionais que já traba… […]